Pecuária cearense tem futuro brilhante, diz especialista

Médico veterinário Kolowyskiys Dantas, especializado em buiatria, aposta no frigorífico do Masterboi, na Transnordestina e na melhoria genética dos rebanhos

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: No Ceará, algumas grandes fazendas utilizam moderna tecnologia para o conforto do rebanho leiteiro. Resultado: aumento da produção
Foto: Davi Rocha
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Este 2026 e o próximo ano de 2027 serão de alto crescimento da pecuária bovina de leite e de corte e, também, da avicultura, da ovino-caprinocultura e da suinocultura do Ceará. Quem o assegura é um dos maiores especialistas cearenses da área, o médico veterinário Kolowyskiys Silva de Alencar Dantas, nome conhecido, admirado, respeitado e consultado pela maioria dos criadores de bois, vacas, cabras, cabritos, carneiros e ovelhas e conhecedor, de cor e salteado, do que o agro do Ceará produz, onde produz, como produz, para que e para quem produz. 

Ele é especializado em buiatria, especialidade da medicina veterinária focada na saúde, manejo, clínica e produção de ruminantes domésticos, como bovinos, ovinos, caprinos e bubalinos. 

A pedido desta coluna, Kolowyskys desenhou um perfil da agropecuária estadual cearense, cujas lideranças estão hoje reunidas no Hotel Gran Marero, na Praia do Futuro, na terceira edição do “Cresce, Ceará”, evento anual promovido pelo Diário do Nordeste. O foco desta edição – que será aberta às 8 horas pelo governador Elmano de Freitas com a presença do presidente da Assembleia Legislativa, Romeu Aldigheri, e do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Faec), Amílcar Silveira – são os desafios do agro do Ceará na logística e na energia elétrica.  

Kolowyskys Dantas iniciou seu depoimento com a veia do otimismo, mas com os pés no chão da realidade: 

“Deparamo-nos claramente, nos últimos anos, com um crescimento exponencial de algumas atividades agropecuárias no nosso estado. Podemos citar a suinocultura e a avicultura que há anos despontam como uma das melhores do país, não só em quantidade, mas também em qualidade, como apontam seus indicadores”, afirma ele do alto de sua autoridade profissional. 

Na sua opinião, a bovinocultura tem de ser obrigatoriamente citada – “principalmente e destacadamente a de leite, que cresce graças aos investimentos que os principais criadores fizeram e seguem fazendo na tecnologia, inovação e na melhoria genética dos seus rebanhos”.  

Ele acrescenta: 

“Já somos o oitavo produtor de leite do país, e isto não é pouca coisa, uma vez que estamos no semiárido do Nordeste, onde são hostis as condições de produzir. Os grandes produtores respondem por 80% da produção de leite do Ceará. São eles e seus robustos investimentos que nos permitem acompanhar o crescimento da bovinocultura leiteira e de modelos como o ‘Compost Barn’ (galpão de compostagem), que oferecem amplo conforto às vacas, que, por este e outros motivos, têm grande produção diária. Nessas boas condições edafoclimáticas, o rebanho leiteiro naturalmente tem uma grande produção”, explica Kolowyskys. 

E qual é a perspectiva para a pecuária de corte? – indaga a coluna. Ele responde:  

“O gado bovino de corte do Ceará com certeza ganhará destaque daqui para a frente, pois a anunciada chegada do Grupo Masterboi e de seu projeto de implantar e operar, em dois anos, em Iguatu, um grande e moderno frigorífico já começa a mobilizar os pecuaristas de todas as regiões do estado. Observo essa clara e visível mobilização na região do Cariri e nos municípios do Centro-Sul e do Norte do Ceará, onde a pecuária se desenvolve e cresce em boa velocidade. Como consequência do investimento do Masterboi, o rebanho de corte cearense triplicará em quantidade e em qualidade genética”. 

E a Ferrovia Transnordestina, que importância terá para a pecuária de leite e de corte e para a avicultura e a suinocultura? Com a palavra Kolowyskys Dantas: 

“Não tenho dúvida de que a chegada da Ferrovia Transnordestina, que já opera comercialmente entre o Sul do Piauí e Iguatu, terá fundamental importância no desenvolvimento da pecuária leiteira e, também, da avicultura, da suinocultura e da caprino-ovinocultura, que tirarão proveito não apenas do preço mais barato do frete, mas também dos portos secos que estão sendo instalados em Iguatu e em Quixeramobim, tudo contribuindo para a melhoria da logística de transporte e para o aumento da produtividade das fazendas de criação dos municípios produtores.  

“Vale ser lembrado que 60% do custo total de produção da pecuária de corte e de leite, na avicultura e na suinocultura são despesas com alimentação” (soja, milho e sorgo já começam a chegar ao Ceará pela via ferroviária, cujo frete é bem menor do que o cobrado pelo transporte rodoviário).