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Justiça manda penhorar bens de terceirizada da ArcelorMittal para pagar R$ 15 mi a trabalhadores

A decisão foi proferida nesta sexta-feira (24).

Escrito por
Letícia do Vale leticia.dovale@svm.com.br
(Atualizado às 20:40)
Homens manifestantes protestam com mãos para cima.
Legenda: Funcionários da Evsa cobram pagamentos atrasados durante manifestação nesta quarta-feira (22).
Foto: Divulgação Sindmetal-CE.

O Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região determinou, nesta sexta-feira (24), que todo o material da empresa terceirizada Evsa que se encontra no pátio da ArcelorMittal, no Pecém, seja penhorado para pagar R$ 15 milhões de rescisões para os trabalhadores que serão demitidos.

A decisão, assinada pela juíza titular Daiana Gomes Almeida, da Vara Única do Trabalho de São Gonçalo do Amarante, atende a pedido de tutela cautelar ajuizado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico e Eletrônico do Ceará (Sindmetal-CE).

Segundo o presidente do sindicato, Will Pereira, o inventário de todo o material da Evsa deve acontecer já na próxima segunda-feira (27), com a presença de um oficial de justiça.

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Conforme consta no Processo Judicial, enviado ao Diário do Nordeste pelo sindicato, o principal fundamento para o pedido de medida cautelar reside no fato de que a Evsa iniciou a retirada de maquinários e equipamentos pesados de dentro das dependências da ArcelorMittal. 

Sobre esse fato, “o sindicato aponta que tal conduta configura nítida manobra de ocultação patrimonial, visando esvaziar a garantia de um passivo trabalhista estimado em R$ 15.000.000”, diz o documento. 

Questionada sobre o assunto, a ArcelorMittal informou que foi determinada pela ordem judicial como “fiel depositária dos referidos bens, o que será devidamente cumprido pela empresa”. 

A figura do depositário, conforme os artigos 159 a 161 do Código de Processo Civil, configura o responsável pela guarda e conservação de bens penhorados até o fim do processo.

Entenda o caso

O imbróglio teve início quando o contrato entre a Evsa a ArcelorMittal foi encerrado. No dia 8 de abril, os 398 funcionários da Evsa foram impedidos de acessar o local de trabalho e não receberam esclarecimentos sobre o processo de desligamento formal da empresa. 

Após o ocorrido, o grupo de trabalhadores, representado pelo Sindmetal, passou a reivindicar o pagamento de valores atrasados, realizando manifestações frente à sede da ArcelorMittal. 

Nesta quarta-feira (22), a Evsa divulgou um comunicado informando que irá oficializar a demissão de, pelo menos, 248 colaboradores na próxima segunda-feira (27), já que 150 vagas de trabalho na filial da empresa localizada em Minas Gerais foram ofertadas ao grupo de manifestantes, como tentativa de mitigar o impacto dos desligamentos. 

No entanto, de acordo com o Sindmetal, a ideia de mudar de estado não foi bem aceita entre o grupo de trabalhadores.

A Evs alega, ainda, que não apresenta capacidade de arcar, de forma imediata, com as verbas rescisórias.

Inadimplência de Evsa ocorre há seis meses, diz Sindmetal

No texto da liminar, o Sindmetal-CE diz que a Evsa está "há cerca de seis meses, descumprindo obrigações contratuais elementares, tais como o pagamento tempestivo de salários, recolhimento de FGTS e quitação de verbas rescisórias”. 

Também é destacado que, em fevereiro deste ano, a empresa “demitiu 119 trabalhadores sem o pagamento das indenizações devidas, o que ensejou a intervenção do Ministério Público do Trabalho”. 

Conforme defende o sindicato, “o cenário de inadimplência se agravou com o não pagamento dos salários de março de 2026 e, mais recentemente, da primeira quinzena de abril de 2026”. 

Evsa afirma não conseguir quitar dívida de imediato

Conforme o comunicado da Evsa enviado aos trabalhadores, a empresa não apresenta capacidade de arcar, de forma imediata, com as verbas rescisórias. Segundo o texto, isso ocorre devido à ausência de pagamento de valores devidos em negociações com a ArcelorMittal. 

Além disso, a Evsa alega ter alinhado com a contratante que as atividades seguiriam até o final de maio deste ano.

O comunicado afirma que as atividades desempenhadas pela empresa foram paralisadas unilateralmente pela ArcelorMittal no dia 7 de abril, “com a retirada compulsória de todos os empregados das frentes de serviço, bem como o bloqueio integral de acesso às dependências da usina”. 

O Diário do Nordeste tentou contato com a Evsa, mas não obteve retorno. O espaço continua aberto para respostas. 

Por outro lado, em nota (leia abaixo na íntegra), a ArcelorMittal informou que a prestação de serviços firmado com a Evsa foi encerrada devido a diversos descumprimentos.

A siderúrgica frisou que a terceirizada é responsável pelo pagamento dos colaboradores e fornecedores, além de garantir que não existem pendências com a Evsa. 

Nota da ArcelorMittal à imprensa

A ArcelorMittal informa que o contrato comercial de prestação de serviços firmado com a EVSA se encontra encerrado, conforme alinhamentos conduzidos junto à terceirizada em virtude de diversos descumprimentos. Os serviços continuam sendo necessários e serão prestados por outras empresas selecionadas a partir de um processo de concorrência.

A ArcelorMittal reforça que todas as suas obrigações contratuais foram cumpridas dentro dos prazos e condições estabelecidos, não havendo pendências. Reforçamos que a empresa terceirizada é responsável pelo pagamento - dentro do vencimento - de seus colaboradores e fornecedores, conforme previsto na legislação e no contrato estabelecidos.

A ArcelorMittal está acompanhando a situação, dialogando com o Sindicato dos Metalúrgicos do Ceará - Sindmetal e com a empresa terceirizada, para que a EVSA honre com o compromisso legal com seus empregados.

Seguimos comprometidos com a gestão responsável da cadeia de suprimentos, pautada em critérios de governança, compliance e valorização das pessoas. O cuidado com as pessoas é um valor para a ArcelorMittal.

 

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