Empresa terceirizada da ArcelorMittal Pecém demite pelo menos 248 trabalhadores
Reivindicando pagamentos atrasados, trabalhadores realizam nova manifestação nesta quinta-feira (23).
Após encerrar contrato com a ArcelorMittal Pecém, a empresa Evsa irá oficializar as demissões de, pelo menos, 248 colaboradores na próxima segunda-feira (27).
A informação consta em um comunicado divulgado pela empresa aos funcionários, enviado ao Diário do Nordeste pelo Sindicato dos Metalúrgicos do Ceará (Sindmetal-CE). A entidade está à frente das negociações entre os trabalhadores e a contratante.
De acordo com o sindicato, a decisão afeta 398 funcionários vinculados à Evsa. Como alternativa para a preservação dos empregos, a empresa ofereceu transferir colaboradores cearenses para a filial localizada em Minas Gerais. No entanto, foram ofertadas somente 150 vagas.
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O conflito teve início quando o contrato entre as empresas foi encerrado. Segundo o Sindmetal-CE, os 398 funcionários estão com o pagamento da quinzena atrasado desde segunda-feira (20).
Evsa afirma não conseguir quitar dívida de imediato
Conforme o comunicado da Evsa, a empresa afirma não ter capacidade de arcar, de forma imediata, com as verbas rescisórias. Segundo o texto, isso ocorre devido à ausência de pagamento de valores devidos em negociações com a ArcelorMittal.
Além disso, a Evsa alega ter alinhado com a contratante que as atividades seguiriam até o final de maio deste ano.
O comunicado diz que as atividades desempenhadas pela empresa foram paralisadas unilateralmente pela ArcelorMittal no dia 7 de abril, “com a retirada compulsória de todos os empregados das frentes de serviço, bem como o bloqueio integral de acesso às dependências da usina”.
O Diário do Nordeste tentou contato com a Evsa, mas não obteve retorno. O espaço continua aberto para respostas.
Por outro lado, em nota (leia abaixo na íntegra), a ArcelorMittal informou que a prestação de serviços firmado com a Evsa foi encerrada devido a diversos descumprimentos.
A siderúrgica frisou que a terceirizada é responsável pelo pagamento dos colaboradores e fornecedores, além de garantir que não existem pendências com a Evsa.
Questionada sobre o valor total devido pela terceirizada, a ArcelorMittal respondeu que “não comenta sobre informações de terceiras e suas devidas responsabilidades."
Entenda o caso
Segundo relatos dos trabalhadores, a ArcelorMittal informou aos funcionários, no dia 7 de abril, que os contratos com a Evsa seriam finalizados a partir do dia seguinte.
Assim, após serem impedidos de acessar o local de trabalho no dia 8, o grupo passou a reivindicar o pagamento de valores atrasados e definições sobre o desligamento formal da empresa.
Nessa quarta-feira (22), de acordo com o Sindmetal-CE, cerca de 100 funcionários da EVSA realizaram uma manifestação na ArcelorMittal Pecém para reivindicar o pagamento da quinzena aos trabalhadores. Conforme informa a entidade, o clima é de desespero e insegurança entre o grupo.
A entidade também destacou que o momento não contou com a presença de um representante da Evsa. Diante da falta de respostas, os trabalhadores farão uma nova manifestação nesta quinta-feira (23), afirmou o sindicato.
Evsa sugere transferir funcionários para filial em Minas Gerais
Como alternativa para a preservação dos empregos, a empresa disponibilizou 150 vagas na filial localizada em Minas Gerais, por meio de transferência imediata dos colaboradores cearenses interessados.
Já os funcionários que não desejarem essa alternativa terão o desligamento da empresa formalizado na segunda-feira (27).
De acordo com o advogado do Sindmetal-CE, Ticiano Aguiar, a ideia de mudar de estado não foi bem aceita entre o grupo de trabalhadores. “Esse pessoal não quer trabalhar lá. Estão todos com medo. Como é que você vai aceitar ir para um canto que não é sua terra natal? O pessoal tá muito inseguro”, ressalta.
Nota da ArcelorMittal
A ArcelorMittal informa que o contrato comercial de prestação de serviços firmado com a EVSA se encontra encerrado, conforme alinhamentos conduzidos junto à terceirizada em virtude de diversos descumprimentos. Os serviços continuam sendo necessários e serão prestados por outras empresas selecionadas a partir de um processo de concorrência.
A ArcelorMittal reforça que todas as suas obrigações contratuais foram cumpridas dentro dos prazos e condições estabelecidos, não havendo pendências. Reforçamos que a empresa terceirizada é responsável pelo pagamento - dentro do vencimento - de seus colaboradores e fornecedores, conforme previsto na legislação e no contrato estabelecidos.
A ArcelorMittal está acompanhando a situação, dialogando com o Sindicato dos Metalúrgicos do Ceará - Sindmetal e com a empresa terceirizada, para que a EVSA honre com o compromisso legal com seus empregados.
Seguimos comprometidos com a gestão responsável da cadeia de suprimentos, pautada em critérios de governança, compliance e valorização das pessoas. O cuidado com as pessoas é um valor para a ArcelorMittal.
Sobre a manifestação de quarta-feira (22 de abril)
Devido à manifestação realizada pelos empregados da EVSA nesta quarta-feira (22 de abril), a unidade Pecém operou em regime de contingência ao longo do dia, uma vez que a entrada e a saída dos empregados/veículos às instalações da empresa foram bloqueadas. A mobilização foi encerrada por volta das 15h e, a partir de então, os acessos foram gradualmente restabelecidos.
A Justiça do Trabalho reconheceu a irregularidade da manifestação e determinou a cessação de quaisquer bloqueios de acesso à siderúrgica, sob pena de multa diária.