BNB adia pregão bilionário do microcrédito em meio à pressão do TCU
Certame é alvo de questionamentos de órgãos de controle e da oposição.
O Banco do Nordeste (BNB) decidiu adiar o pregão bilionário que estava previsto para ocorrer nesta quarta-feira (22). A ação destina-se à escolha das operadoras de seus principais programas de microcrédito, o Crediamigo e o Agroamigo.
A abertura da sessão pública foi prorrogada para o dia 28 de abril de 2026, às 14h. A instituição justificou o adiamento como uma "medida administrativa" necessária para "garantir que os potenciais interessados tenham ciência plena e tempestiva sobre as atualizações no Cronograma de Transição dos serviços".
Questionamentos do TCU e pressão política
O adiamento ocorre em um momento de pressão sobre o processo licitatório. O certame, avaliado em cerca de R$ 2 bilhões, já estava no radar do Tribunal de Contas da União (TCU). No último dia 16, uma instrução técnica da Corte de Contas recomendou a suspensão dos editais.
Além do controle técnico, o caso mobiliza a oposição ao governo federal em Brasília. O deputado federal Murillo Gouvea (RJ) acionou o TCU e tenta colher assinaturas para a instalação de uma CPI sobre o tema.
O parlamentar alega que os editais foram estruturados de forma a favorecer a manutenção das atuais operadoras (Inec e Camed), o que ele classificou como um “deserto por desenho” para afastar novos competidores.
Segundo a coluna de Inácio Aguiar no Diário do Nordeste, o BNB, por sua vez, nega qualquer irregularidade e afirma que os editais visam assegurar as garantias técnicas para operar os maiores programas de microcrédito do País, tendo inclusive passado por análise da Controladoria Geral da União (CGU).
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Após o anúncio do adiamento, a reportagem do Diário do Nordeste procurou o BNB para obter detalhes adicionais sobre as medidas administrativas tomadas.
Em caso de resposta por parte do banco, esta matéria será atualizada.
A reportagem questionou o BNB se há relação entre o adiamento e a recomendação do TCU de suspender o pregão, além dos próximos passos do processo licitatório.
Entenda o caso
A licitação em disputa define quem fará a gestão operacional e a intermediação na ponta entre o banco e o tomador de crédito.
Atualmente, o Inec opera o Agroamigo e a Camed gerencia o Crediamigo. Somente no ano passado, esses programas desembolsaram cerca de R$ 20 bilhões, consolidando-se como uma das políticas mais exitosas e demandadas da instituição financeira.
O tema é historicamente sensível e já foi alvo de disputas políticas em 2021, quando aliados do governo anterior também pressionaram pela mudança nos contratos de gestão do microcrédito.