Vacina para Covid-19: o que você precisa saber

As perguntas mais frequentes sobre o tema foram respondidas com base em informações de especialistas e de plataformas do Ministério da Saúde e da OMS

foto vacina
Legenda: O Diário do Nordeste soluciona dúvidas acerca da imunização contra a Covid-19
Foto: STR/AFP

Com testes de vacina contra a Covid-19 sendo realizados no Brasil e estados projetando o início do processo de imunização para 2021, as dúvidas acerca do tema se multiplicam. Por isso, o Diário do Nordeste consultou fontes como a plataforma digital da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Plano de Vacinação desenvolvido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde (MS), para responder os principais questionamentos a respeito da vacinação contra o coronavírus. 

O professor adjunto de pediatria de medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e infectologista pediátrico, Robério Leite, complementou a lista dando orientações de como lidar com a pandemia até que a vacinação esteja disponível.  

Quando teremos uma vacina no Brasil? E no Ceará? 
No Ceará, o Governo do Estado espera receber 1,7 milhão de doses de vacina contra a Covid-19 no primeiro semestre de 2021. Ainda não há data definida para o começo do processo de imunização. 

Como funciona a vacina? 
A vacina usa as defesas naturais do organismo humano para criar uma resistência a infecções específicas, fortalecendo seu sistema imunológico. 

Quando seu corpo recebe a vacina, ele:

  • Reconhece o vírus ou bactéria;
  • Produz anticorpos (proteínas naturais do sistema imunológico)
  • “Memoriza” a doença e como combatê-la. Assim, se você for exposto à infecção no futuro, o sistema imunológico poderá neutralizá-la antes que você adoeça. 

Como a vacina é feita? 
A vacina é feita a partir de uma série de componentes, entre eles: 

  • O antígeno. É a versão inativada ou enfraquecida de um vírus ou bactéria, que “treina” o corpo para reconhecer a doença e combatê-la, caso seja infectado no futuro;
  • Adjuvantes, que impulsionam a resposta imune e ajudam a vacina a funcionar melhor;
  • Conservantes, que permitem que a vacina se mantenha eficaz;
  • Estabilizantes, que protegem a vacina no processo de armazenamento e transporte. 

Esses ingredientes podem parecer desconhecidos, mas muitos deles são encontrados naturalmente no corpo humano, no meio ambiente ou em alimentos. Todos os componentes da vacina – assim como o próprio imunizante – são testados minuciosamente e monitorados para garantir sua segurança.  

Qual vacina já está aprovada? Quantas vacinas já terminaram a fase de pesquisa? 
De acordo com o panorama da OMS, atualizado em 10 de dezembro de 2020, existem 162 vacinas da Covid-19 candidatas em fase pré-clínica de pesquisa e 52 vacinas candidatas em fase de pesquisa clínica. Das vacinas candidatas em estudos clínicos, 13 se encontram em ensaios clínicos de fase III para avaliação de eficácia e segurança, a última etapa antes da aprovação pelas agências reguladoras e posterior imunização da população. 

Vai precisar de mais de uma dose? Quanto tempo para a vacina fazer efeito? 
As vacinas normalmente possuem duas doses. Você só se torna imune depois de 14 dias da segunda dose, tempo necessário para que o corpo produza anticorpos e linfócitos – as células de memória. Então, mesmo após a segunda dose, é preciso aguardar se as vacinas da Covid-19 terão essa capacidade neutralizante na comunidade.   

Vacina ou medicamento, qual é o melhor? 
Nossos sistemas imunológicos são feitos para “memorizar”. Após serem expostos a uma ou mais doses de uma vacina, nós normalmente nos mantemos protegidos contra uma doença por anos, décadas ou, em alguns casos, pelo resto da vida. É isso que torna as vacinas eficazes. Ao invés de tratar uma doença que já se manifestou, vacinas previnem que você adoeça. 

Como saber se estou no grupo de prioridades? 
De acordo com o Plano de Vacinação desenvolvido pelo Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde (MS), os grupos prioritários são: 

  • trabalhadores da área da saúde (incluindo profissionais da saúde, profissionais de apoio, cuidadores de idosos, entre outros);
  • pessoas de 60 anos ou mais institucionalizadas;
  • população idosa (60 anos ou mais);
  • indígena aldeado em terras demarcadas aldeados;
  • comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas, população em situação de rua;
  • morbidades (Diabetes mellitus; hipertensão arterial grave – difícil controle ou com lesão de órgão alvo –; doença pulmonar obstrutiva crônica; doença renal; doenças cardiovasculares e cérebro-vasculares; indivíduos transplantados de órgão sólido; anemia falciforme; câncer; obesidade grau III);
  • trabalhadores da educação;
  • pessoas com deficiência permanente severa;
  • membros das forças de segurança e salvamento;
  • funcionários do sistema de privação de liberdade;
  • trabalhadores do transporte coletivo;
  • transportadores rodoviários de carga;
  • população privada de liberdade.

Se eu tomar vacina ainda vou precisar usar máscara? 
As medidas de proteção, como o isolamento e o uso máscara, só poderão ser relaxadas quando ocorrer o bloqueio da propagação viral diante da imunidade de rebanho. É necessário esperar. 

A vacina imuniza 100%? Qual a eficácia que precisa para ser aprovada?  
Os cientistas preveem que, como a maioria das outras vacinas, as de combate a Covid-19 não serão 100% eficazes. A OMS se certificará que todas as vacinas aprovadas tenham o máximo de eficácia possível, para que possam ter o maior impacto sobre a pandemia. 

No entanto, ainda é cedo para saber se as vacinas terão longa proteção. É necessário que novas pesquisas respondam esse questionamento 

Sobre a eficácia, uma série de revisões é feita para garantir a segurança. Especialistas convocado pela OMS, representantes do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (SAGE), analisam os resultados dos ensaios clínicos, juntamente com evidências sobre a doença, grupos etários afetados, fatores de risco para doenças e outras informações. A partir disso, é recomendado como as vacinas devem ser usadas. 

Quais estados brasileiros já começaram a vacinação? 
O Brasil já garantiu mais de 300 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 por meio dos acordos com a Fiocruz/AstraZeneca (100,4 milhões de doses) e Covax Facility (42,9 milhões de doses). O início da distribuição das doses realizada pelo Ministério da Saúde acontecerá em até cinco dias após aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As vacinas serão enviadas aos estados, que serão encarregados de distribuir aos municípios. A expectativa é que a vacinação no Ceará comece em fevereiro. 

O que fazer até chegar a vacina? 
Segundo o infectologista Robério Leite, os cuidados já são conhecidos, como manter o uso de máscaras, o distanciamento e a higienização das mãos. “Mesmo após a chegada das vacinas, esses cuidados deverão ser mantidos por um tempo, até que se tenha alcançada uma imunidade coletiva capaz de impedir o restabelecimento de cadeias de transmissão desse novo coronavírus na comunidade. Ou seja, uma cobertura vacinal adequada será essencial. Quanto mais rápido atingirmos esse objetivo, mais rapidamente poderemos descontinuar essas medidas”, informa. 

Existe risco de alergia? Tem efeitos colaterais? 
A possibilidade de reação alérgica é algo muito individual e, como as outras vacinas já existentes, há a possibilidade de ocorrer esse tipo de efeito colateral. Robério explica que, mesmo que os estudos clínicos tenham demonstrado um bom perfil de segurança, a vigilância de eventos adversos deverá ser mantida.

“Quando ocorrem as campanhas de vacinação, como o número de pessoas que serão imunizadas é muito grande, os eventos adversos, mesmo os extremamente raros, vão aparecer. É importante que as autoridades de saúde mantenham a vigilância e forneçam o suporte necessário adequado para condução dessas situações. No caso das vacinas para a COVID19, até aqui, os benefícios são muito superiores aos riscos de reações adversas graves”, afirma. 

Os laboratórios se responsabilizam pelo efeito da vacina? 
“Governos e laboratórios devem assumir a vigilância, investigação e suporte nos casos de eventos adversos vacinais. No caso das vacinas, transparência e segurança são essenciais para que haja confiança e coberturas vacinais capazes de fazer a diferença no controle das doenças”, complementa Robério Leite. 

Quem vai pagar pela vacina? Vai ser gratuita?  
A vacinação será gratuita, distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

Qual porcentagem da população precisa ser vacinada para acabar a pandemia? 
De acordo com o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, cerca de 60 a 70% da população precisaria estar imune para interromper a circulação do vírus. Desta forma seria necessária a vacinação de 70% ou mais da população para eliminar a doença - a depender da efetividade da vacina.  

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