Secretária do Ministério da Saúde defende liberação progressiva do isolamento social no Ceará

Dra. Mayra Pinheiro afirmou que deve haver um planejamento para "permitir que a economia volte a fluir"

Escrito por Redação, metro@svm.com.br

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Legenda: Fortaleza e cidades do interior estão sob decreto de isolamento social desde o dia 20 de março
Foto: José Leomar

Em live realizada nesta quarta-feira (15) pelo Sindicato dos Médicos do Ceará, a Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, defendeu a liberação de forma progressiva do isolamento social. De acordo com a médica, a ideia é que se faça um planejamento para que as pessoas mais jovens e que não estão no grupo de risco possam voltar para as atividades normais. 

A ideia vai de encontro a estudos científicos e acadêmicos como o realizado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), por exemplo, que constatou que o isolamento social decretado pelo Governo do Estado desacelerou a curva de contágio pelo novo coronavírus, reduzindo as estatísticas de casos confirmados e de mortes, bem como impedindo um colapso no sistema público de saúde.

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Entretanto, segundo Mayra, o impacto na economia pode ser mais adoecedor. "A preocupação do presidente da República é que as pessoas adoecem às vezes mais pela crise econômica instalada do que pela doença, e o dano na economia vai se dar por muitos anos, vai aumentar o índice de suicídio, pessoas com depressão, empresas que vão falir. Fortaleza e o Ceará estão inseridos nesse contexto e muito me preocupa esse isolamento total. É preciso planejar quando se vai voltar para as atividades e permitir assim que a economia volte a fluir", afirmou. 

"A sugestão é que não seja feita uma liberação homogênea, que seja por cidades que não tenham tantos eventos adversos. Não vai acontecer em todo o País", acrescentou Edmar Fernandes, presidente do Sindicato, na conversa virtual. 

Questionada pelo médico do sindicato sobre o uso da cloroquina no tratamento da covid-19, Dra. Mayra manifestou ser a favor ao estímulo da manipulação da droga prescrita por médicos. "A cloroquina é o que nós temos para usar hoje, já foi testada, pessoas que já usaram estão tendo bons resultados". 

O baixo custo da droga também foi levantado pela secretária. De acordo com cálculos realizados pela médica, a manipulação da cloroquina é de R$67 por paciente, enquanto o custo de uma internação por leito diária é de R$ 1.500.

Dra. Mayra também revelou que tem mais de 50 estudos sendo feitos simultaneamente no Brasil sobre outros tipos de tratamento, como o turmeric e a ivermectina. "Você estudar uma droga não é coisa simples. A gente não pode divulgar estudos que estão sendo feitos in vitro, nem estimular o uso sem prescrição pela população". 

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