Quatro das 22 Áreas Descentralizadas de Saúde do Ceará registram aumento de casos de Covid-19

Crateús, Sobral, Quixadá e Tauá tiveram incremento nos diagnósticos da doença, entre 18 de abril e 15 de maio. Área de Crateús teve maior alta

Legenda: Depois de Crateús, Sobral é a Área Descentralizada de Saúde a registrar maior incremento de casos de Covid-19
Foto: Divulgação

Das 22 Áreas Descentralizadas de Saúde do Ceará (ADS), quatro registraram aumento de casos de Covid-19, entre as Semanas Epidemiológicas (SE) 16 a 19, que compreendem o período de 18 de abril a 15 de maio de 2021. É o que aponta o mais recente Boletim Epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), cujos dados foram atualizados no último 25 de maio e estão sujeitos à revisão. 

Quixadá, Sobral, Tauá e Crateús foram as únicas ADSs a contabilizar maior número de casos confirmados de um período para o outro. A Área Crateús teve o maior crescimento (32,8%), seguida de Sobral (3,1%), Quixadá (1,3%) e Tauá (0,2%).  

Durante as SEs 16 e 17, ou seja, entre 18 de abril a 1º de maio, Crateús somava 2.025 diagnósticos positivos do novo coronavírus. Já nas semanas 18 e 19, entre 2 e 15 de maio, esse número saltou para 2.689, repercutindo em um aumento de 32,8%, ou de 664 novos casos. 

A ADS de Sobral tinha 3.840 casos confirmados nas SEs 16 e 17. Com o acréscimo de 119 diagnósticos, esse número cresceu 3,1%, chegando a 3.959.  

Nas primeiras duas semanas, a ADS de Quixadá tinha 2.597 casos e nas duas últimas, 2.632. Houve, portanto, um avanço de 1,3%, com 35 casos a mais.  

Somando apenas dois novos registros, a ADS de Tauá passou de 828 para 830 diagnósticos positivos, de um período ao outro. 

Nesse mesmo contexto, as Áreas Descentralizadas de Saúde que tiveram maiores quedas no número de casos confirmados foram Camocim (-34,9%), Cascavel (-31,0%) e Maracanaú (-30,4%). 

As ADS são divisões criadas pelo Governo do Estado do Ceará com municípios polos para reunir as informações sobre a pandemia e descentralizar o foco da Capital.   

Apenas três ADSs têm aumento no número de mortes 

Dentre as 22 ADSs do Ceará, apenas as de Quixadá, Crato e Juazeiro do Norte tiveram aumento de mortes por Covid-19, entre as Semanas Epidemiológicos 16 a 19. 

Das semanas 16 e 17 para 18 e 19, Crato passou de 34 para 41 óbitos (+20,6%), Juazeiro do Norte de 42 para 50 (+19,0%), e Quixadá de 47 para 49 (+4,3%). 

Apesar da cidade de Crateús registrar uma escalada de mortes por Covid nesta segunda onda, a ponto de deixar o único cemitério municipal à beira do colapso em abril, houve retração de óbitos na ADS de Crateús. Nas SEs 16 e 17, aconteceram 26 mortes na área, enquanto que nas SEs 18 e 19, foram 16. O que representa uma queda de -38,5%. 

Além de ser a ADS a responder pela queda mais significativa de casos no Estado, Camocim também anotou a maior retração (-70,0%) de óbitos pelo coronavírus, com 30 mortes verificadas nas SEs 16 e 17, e nove nas SEs 18 e 19.  

Depois de Camocim, a ADS de Canindé é a que apresenta maior percentual de queda (-66,7%) de mortes, saindo de 48 para 16 mortes. 

A ADS de Limoeiro do Norte foi a única a manter a estabilidade, contabilizando 44 óbitos nas duas primeiras semanas e outros 44, nas duas últimas semanas. 

Picos atrasados 

Professora do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e pesquisadora do CNPq, Thereza Magalhães argumenta que o cenário aparentemente positivo, de menor incidência da doença, pode ser justificado pela própria dinâmica da curva epidemiológica no Estado. Neste momento, ela segue em tendência de queda.

Já as áreas minoritárias, com aumento de casos, podem estar vivendo agora "seus momentos de pico" da segunda onda, um pouco depois de Fortaleza. "Isso foi um pouco diferente do que aconteceu na grande maioria das cidades do Estado, que na segunda onda tiveram seu pico quase que simultâneo à Capital".

Embora o Ceará esteja vivendo um melhor momento, a especialista aponta para a possibilidade de chegada da terceira onda. "É cíclico. A onda sobe, disparam os casos no platô, e a ela cai. Estamos na 'onda cai', mas com a falta de adesão das pessoas sobre as medidas para evitar a contaminação e a vacinação lenta, acredito que a gente vai ter uma terceira onda com pico, mais ou menos, em setembro", estima.

Estabilidade de casos de SRAG no Ceará 

Enquanto a maioria dos estados brasileiros tende a registrar um aumento no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas próximas semanas, o Ceará “vem apresentando indício de estabilização” de casos, afirma o boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta sexta-feira (28).

O documento ressalta que cerca de 96% dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave com resultado laboratorial positivo são devido ao novo coronavírus. E detalha que a projeção acima se baseia em uma análise da Semana Epidemiológica 20, referente aos dias 16 a 22 de maio.  

Apesar da perspectiva positiva para o Ceará, o boletim indica a 4ª Macrorregião de Saúde do Estado, no Sertão Central, com sinal moderado de crescimento na tendência de curto prazo dos casos de SRAG. O que inspira cuidados.

Os óbitos notificados de SRAG em todas as regiões do Brasil, inclusive, permanecem “na zona de risco, com ocorrência de óbitos muito alta”.

Por isso, de acordo com o InfoGripe, é importante ter cautela na flexibilização das medidas de distanciamento para redução da transmissão da Covid-19, em todo o País.

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