Proposta de escolas particulares sugere avanço nas fases de retomada a cada 14 dias
A proposição foi apresentada ao Governo do Estado pelo Sindicato de Educação da Livre Iniciativa do Ceará, que espera uma resposta até o dia 7
O ensino presencial na rede privada poderá avançar de fase aproximadamente a cada 14 dias, caso a proposta do Sindicato de Educação da Livre Iniciativa do Ceará (Sinepe) seja aceita pelo Governo do Estado. Dessa forma, com a retomada do 1º, 2º e 9º anos do Fundamental e 3º do Médio, na última quinta-feira (1º), a entidade quer que a partir dos próximos dias 16 e 30 de outubro, turmas de outros níveis voltem às aulas presenciais.
Caso a gestão local acolha o pedido da categoria, deverão voltar ao cronograma o restante das séries do Ensino Fundamental e cursos de graduação em faculdades, centros universitários e universidades particulares. Duas semanas depois, será a vez de alunos de pós-graduação e cursos profissionalizantes.
"Nós estamos pleiteando que a transição entre uma etapa e outra seja de 14 dias e não de 30, como aconteceu entre a primeira e a segunda, porque uma parte da educação começou no dia 1º de setembro e outra agora no dia 1º de outubro. Então, nós pedimos que as novas etapas sigam um intervalo de 14 dias que foi o adotado para todas as atividades econômicas", pondera Andréa Nogueira, presidente do Sinepe.
A solicitação foi feita à Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão (Seplag) ainda no mês de setembro e desde então, o sindicato tem reiterado essa demanda. Segundo ela, o diálogo com a Pasta tem sido permanente e a resposta para a proposta vai depender do cenário epidemiológico da Covid-19 no Ceará, o qual, em suas palavras, já oferece condições favoráveis para uma transição de etapas mais rápida.
"De fato, nós temos conseguido uma parceria com o Governo local, mas com relação à retomada, acreditamos que todas as séries poderiam ter voltado, uma vez que não há impedimentos do ponto de vista de saúde", pondera, reforçando que a liberação das atividades do ensino infantil, no dia 1º de setembro, não gerou aumento dos casos do novo coronavírus Sars-CoV-2 "porque as crianças tiveram excelente desenvoltura nas medidas preventivas".
A reportagem do Diário do Nordeste entrou em contato, via ligação telefônica, com o secretário executivo de Planejamento e Orçamento da Seplag, Flávio Ataliba, para saber como está a análise da proposta do Sinepe e se já existe algum direcionamento sobre os próximos passos do plano de retomada da educação cearense.
A assessoria de comunicação da Pasta também foi contatada através de e-mail. Contudo, até o fechamento da reportagem, às 23h, não obtivemos resposta.
Segurança
Embora os diagnósticos e mortes por Covid-19 tenham recuado no Ceará, variando entre os indicadores de queda ou estabilização, todos os decretos assinados pelo governador Camilo Santana exigem a aplicação de protocolos sanitários para evitar novas contaminações. À medida em que os setores econômicos vão sendo liberados, estratégias de contenção da pandemia também são aplicadas nos estabelecimentos. Nas escolas, não é diferente.
Para o possível avanço de fases na educação neste mês, o Sinepe confirma que vai manter medidas já previstas no Protocolo Setorial 18, elaborado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), que diz respeito às atividades educacionais. As diretrizes são divididas por temas, como organização do espaço, condições sanitárias, transporte e acesso às escolas. Entre outras indicações, as instituições de ensino foram orientadas a adicionar barreiras físicas, como telas flexíveis de plástico, ou intercalar a utilização dos espaços - como as pias dos banheiros, por exemplo - quando as estruturas não permitirem distanciamento mínimo. Equipamentos como os bebedouros também devem passar por uma adaptação. Nas escolas, serão utilizados somente como forma de encher garrafas pessoais.
Próximo aos bebedouros, será disponibilizado álcool em gel 70% para possibilitar a limpeza de mãos antes e após a utilização. "Deve ser priorizado e estimulado o uso de garrafas individuais, identificadas com nome e sobrenome, e disponibilizar copos ou garrafas com tampa, descartáveis ou não, para os alunos que não tiverem os materiais", enfatiza a Sesa, no documento.
Contrários
O avanço na retomada de atividades em mais etapas de ensino da rede privada não parece favorável aos olhos da professora universitária Maria José Albuquerque. Doutora em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), ela afirma que defende o ensino presencial; contudo, reforça que é preciso considerar o atual contexto de excepcionalidade vivido na pandemia.
"Com o retorno, mesmo escalonado, por mais que haja cuidado de higiene e condições sanitárias adequadas, ainda há um risco de transmissão, de contaminação. Nesse sentido, se desvaloriza a própria vida. Com o retorno híbrido ou totalmente presencial, a gente coloca em risco a vida humana", declara.
A professora universitária avalia que insistir em aulas presenciais sem que haja uma vacina disponível e acessível para todos é uma "irresponsabilidade", independentemente da instituição de ensino.
"E isso aumenta o espaço que separa as crianças pobres e as crianças com condições socioeconômicas mais favoráveis. E a gente sabe que isso acaba gerando evasão e fracasso escolar, mas também sabemos que acima de tudo vem o valor à vida. Estamos lutando para que isso não aconteça na universidade", pondera Maria José Albuquerque.
Cronograma de retomada da educação no Ceará
Depois de excluir as aulas presenciais da 4ª fase do Plano de Retomada da Economia, então previstas para 20 de julho, o governador Camilo Santana (PT) anunciou a reabertura das escolas somente no dia 28 de agosto. Seguindo a decisão, apenas creches e pré-escolas privadas voltaram a funcionar em 1º de setembro com 30% da capacidade de crianças. Já no dia 1º de outubro, foram autorizados o retorno de turmas de 1º, 2º e 9º anos do Ensino Fundamental (EF) além do 3º ano do Ensino Médio (EM) com 35% do efetivo de matriculados. O ensino infantil, por sua vez, avançou para 50%.
A medida é exclusiva para os 44 municípios que compõem a macrorregião de Fortaleza, a exemplo de Caucaia e Maracanaú, na Região Metropolitana, e Itapipoca e Amontada, na Região Norte. De acordo com o Sinepe, até agora, 150 escolas já reabriram as portas na Capital.
Por outro lado, a maior parte das unidades públicas segue sem previsão de retorno ao cronograma presencial.
Conforme adiantado pelo Diário do Nordeste, oito municípios da RMF decidiram que abrirão as escolas somente em 2021. Fortaleza optou por manter o ensino remoto para os 231 mil estudantes da rede municipal de ensino até o fim deste ano. A Prefeitura garantiu que vai disponibilizar chips com pacote de dados para os professores e tablets para alunos do 9º ano e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Nesse período, os matriculados continuarão recebendo os kits de alimentação como nos meses anteriores em que a escola liga informando aos pais onde e quando os alimentos estarão disponíveis para retirada.