Pesquisa sobre uso da tilápia em tratamento de queimados vence prêmio nacional em SP

A equipe coordenada pelos médicos Edmar Maciel e Odorico Moraes ficou em 1º lugar na categoria Pele de Tilápia para Tratar Queimaduras

Legenda: A pele da tilápia é usada como curativo biológico e temporário no tratamento de queimaduras

Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) que desenvolveram um estudo de uso da pele de tilápia para o tratamento de queimaduras foram premiados no último dia 8 de novembro, em São Paulo. A equipe coordenada pelos médicos Edmar Maciel e Odorico Moraes ficou em 1º lugar no Prêmio Abril & Dasa/Diagnósticos da América S/A de Inovação Médica 2019, na categoria Inovação em Tratamento, para o uso do curativo biológico derivado de pele de tilápia no tratamento de queimaduras e feridas. O estudo é do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) e do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ).

“O Brasil nunca teve uma pele artificial para tratar queimaduras, lesões e feridas. Nós sempre importamos o produto da Europa e dos Estados Unidos, a custos elevadíssimos”. É o que informa o cirurgião plástico Edmar Maciel, explicando que a importação de 70cm x 60cm de pele artificial, à base de proteína de colágeno, para cirurgia plástica em queimados, pode chegar a R$ 120 mil.

“Desta vez foi diferente”, comenta Edmar Maciel, informando que foram 12 prêmios científicos e “agora veio o reconhecimento, por parte da iniciativa privada, ao trabalho dessa equipe, atualmente com 207 pessoas”, ressaltou.

A pesquisa está sendo desenvolvida em sete estados brasileiros (CE, PE, RS, GO, SP, RJ, PR) e em sete países (Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Colômbia, Guatemala e Equador, Argentina).

Pesquisa inovadora

Além da veterinária, os testes com a pele artificial, denominada matriz dérmica, contemplam a odontologia e 15 projetos em 13 especialidades médicas. Entre os produtos que estão sendo desenvolvidos a partir do colágeno da pele de tilápia: na cardiologia, em válvulas e vasos cardíacos; na neurocirurgia, em placas para recobrir meninge; na otorrinolaringologia, com modelos para recobrimento de perfuração de tímpano; e na cirurgia plástica, em placas de recobrimento de próteses mamária, após reconstrução de mama.

O coordenador da pesquisa, médico Edmar Maciel, explica que além, da eficiência, a pele da tilápia reduz os custos do atendimento. "Trata-se de um curativo biológico temporário com o objetivo de fechar a ferida evitando a contaminação de fora para dentro, a desidratação e as trocas diárias de curativos, que ocasionam desconforto e dor aos pacientes, e, em consequência reduz os custos do tratamento". O procedimento é utilizado em queimaduras de 2º grau profundo e 3°grau.

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