Pais devem planejar rotina durante isolamento social para evitar estresse em crianças, diz psicóloga

Em isolamento social desde o mês de março, os mais jovens são influenciados pelos estresse e ansiedade dos adultos, o que pode gerar efeito no desenvolvimento infantil

Legenda: Os pais devem planejar uma rotina para as crianças durante esse período, principalmente, sem o uso das telas

Uma nova rotina, sem escola, sem contato com os colegas e mais com os pais. A mudança na vida das crianças por conta da pandemia do novo coronavírus pode impactar aspectos emocionais, físicos e psicológicos de crianças da idade primária, de 0 a 6 anos. Em isolamento social desde o mês de março, os mais jovens podem ser influenciados pelos estresses e ansiedades dos adultos. O Diário do Nordeste conversou com uma especialista sobre efeitos da pandemia no desenvolvimento infantil. 

A psicóloga clínica Kariliny Martins explica que as crianças são muito vulneráveis aos locais em que estão inseridas, "elas são como esponjas, o ambiente vai influenciar o comportamento dela, nas emoções dela", afirma. Dessa forma, é natural que os pequenos tenham desregular no sono e no apetite e fiquem mais agitados e dependentes dos adultos.

"É uma situação de estresse tanto para adultos quanto para as crianças", comenta a psicóloga. De acordo com ela, uma das maiores adversidades é a perda do apoio das escolas, que estabeleciam uma rotina de atividades dos mais novos.

Os efeitos emocionais do isolamento social podem prejudicar o desenvolvimento infantil, "porque existe a neuroplasticidade, ela é construída com todas as experiências que a gente tem e que vão impactar em mudanças cognitivas", esclarece Kariliny.

Além disso, em famílias mais vulneráveis, a rotina da escola era responsável pela alimentação das crianças. "Crianças necessitavam dessa merenda. É um gasto que a família, às vezes, não tem como arcar", afirma.

Rotina 

Em isolamento social, as crianças podem responder o estresse que estão sendo expostas com a "birra". "Elas estão loge dos amigos, sem gastar energia, ficam muito tempo em casa. É preciso reconstruir outros modos, não é um momento normal". De acordo com a psicóloga, o isolamento deve deixar consequências, embora seja necessário para evitar o contágio pelo coronavírus. 

Dessa forma, os pais devem planejar uma rotina para as crianças durante esse período, principalmente, sem o uso das telas. "É importante ter paciência, conversar bastante, organizar atividades, preservar o horário do sono. Dedicar um tempo para fortalecer os laços com brincadeiras e histórias. Além disso, designar atividades domésticas, elogiar e ligar para os coleguinhas dos filhos", destaca Kariliny Martins sobre formas de reduzir os impactos da quarentena.

Violência doméstica 

Conforme um levantamento da Gerência de Estatística e Geoprocessamento (Geesp) da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública do Ceará (Supesp) houve uma  queda significativa no número de ocorrências de violência doméstica contra a mulher durante o período da quarentena no Ceará. Os dados mostram que de um ano para o outro houve redução de 49,2%.

Já para a magistrada titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Fortaleza, Rosa Mendonça, a baixa nos dados preocupa, porque há chances de a violência não estar diminuindo, e sim que menos mulheres violentadas vêm recorrendo às autoridades.As vítimas passam a estar 24 horas na companhia do agressor.

Neste período de isolamento social, em convivio direto, a violência doméstica pode ser mais notória para a criança. "Deixou de ser um ambiente saudável, ela perde o sentimento de pertencimento. É uma sensação de insegurança, ela recua espaços que já tinham sido ganhos", pontua Kariliny Martins.

Um artigo do Núcleo Ciência Pela Infância discute os efeitos do estresse causado pela pandemia no desenvolvimento infantil.De acordo com a pesquisa, o estresse também pode surgir de situações de convívio familiar que foram acentuadas pelo isolamento social. "A convivência de vários familiares sob estresse psicológico em um mesmo domicílio, muitas vezes com densidade habitacional alta, pode aumentar a tensão no ambiente, os casos de violência doméstica e a experiência de estresse tóxico nas crianças, com consequências potencialmente de longo prazo.", ressaltou o artigo. 

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Redação 24 de Janeiro de 2021