Pacientes recuperados da Covid-19 recebem alta com aplausos, sinos e apresentações de piano

Iniciativas partem dos profissionais de saúde da linha de frente no combate à pandemia, comemorando cada recuperação como uma grande vitória

Legenda: Mário Barbosa comemora a recuperação da Covid-19 e sai do Hospital Universitário Walter Cantídio ao som de aplausos
Foto: Foto por: Marília Quinderé

Para os pacientes com Covid-19, o caminho até a cura da doença costuma ser marcado por medo, solidão e ansiedade. Por isso, quando o anúncio de alta médica é realizado, profissionais da saúde buscam organizar uma comemoração por aquela vitória, marcada por aplausos, sinos, cartazes e, algumas vezes, até apresentação de um número musical no piano. No caso do autônomo Mário Barbosa, 45 anos, a saída do Hospital Universitário Walter Cantídio, em meio a um corredor de aplausos, foi um momento inesquecível de sua vida

“Eu lutei pela minha vida. À beira da morte, encontrei pessoas com compromisso com a saúde que foram fundamentais para a minha recuperação. Primeiro de tudo Deus e minha fé, mas aquelas pessoas não estão ali por acaso, exercem aquela função por amor”, comenta, fazendo questão de agradecer não somente aos médicos, mas enfermeiras, técnicas de enfermagem, residentes e funcionários do serviço geral. 

Ao todo, foram 17 dias de internação, sendo liberado na última terça-feira (26). “A vitória não é só minha, é de Deus, primeiro, mas depois de todos ali, eu não quero que esqueçam ninguém”. E, enquanto percorria o caminho da saída escutando aplausos, lágrimas e comentários de felicidade, a comemoração acalentava não somente o autônomo, mas toda a equipe de saúde responsável por aquela conquista.

Conforme a coordenadora geral da Unidade Covid-19 I do Hospital Universitário Walter Cantídio, Layana de Paula Cavalcante, esse gesto busca aplacar um pouco da dureza do cotidiano e agradecer pela recuperação do paciente. “Aqui, na verdade, não foi uma coisa institucional. Partiu muito de atitudes individuais dos profissionais que estão compondo a equipe de combate ao coronavírus”, explica.

“Fica todo mundo com o sentimento de gratidão. Alguns pacientes encaram como só mais uma doença, só mais uma alta. Mas na hora que estão saindo, conseguem perceber o momento histórico na unidade”, acrescenta.

Sinos e músicas

No Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, para além das palmas, os médicos e coordenadores da Cardiologia Clínica da Emergência, Danielli Oliveira da Costa e Mário Guerra, tiveram a ideia de acrescentar o uso de um sino. “Ressoa na unidade, fazem com que todos escutem, parem e tenham a reflexão de que está sendo dada uma alta, mais uma vitória da equipe, mais uma vitória do paciente”, comenta Danielli.

O motorista José Inácio Santos da Silva, 61 anos, saiu do Hospital de Messejana, na última sexta-feira (29), ao som de sinos tocados pelos profissionais de saúde. “Acho muito importante comemorar as altas, é uma vitória. Muitos que vem, infelizmente não voltam. Eu estou contando minha vitória, em nome de Jesus”, afirma.

O motorista, que deu entrada na emergência apresentando falta de ar, cansaço e febre, agradece a todos os profissionais que o acompanhou durante os 16 dias de internação. “Foi um tratamento fora de sério. Eles sempre estiveram do meu lado, me pedindo paciência, me acalmando. Graças a Deus hoje vou pra casa com saúde”, afirma. 

Legenda: Técnico de enfermagem acredita que a música é capaz de unir as pessoas e acalentar a alma de pacientes e profissionais da saúde em meio à pandemia
Foto: Fátima Holanda/Ascom Sesa

Já no Hospital Leonardo da Vinci, o técnico de enfermagem e pianista, Efrain de Freitas, 22 anos, começou a tocar o piano dentro do hospital ao menos três vezes por semana, após o seu plantão. O ato é realizado porque acredita que música tem o poder de unir pessoas, acalmar e relaxar. “Ao meu ver, essas músicas iriam subir pelos andares e ecoar pelas paredes do hospital e, de uma certa forma, acalmar as pessoas naquele momento”, diz.

“Eu toco para que a alma dos pacientes consiga ser acalmada, acalentada e para que, no meio de tanta coisa ruim, aquela música, naquele momento, possa atrair Deus na vida de cada um que estiver ouvindo”, acrescenta Efrain.

Registro

Em meio ao cenário caótico da pandemia, a fisioterapeuta Marília Quinderé, 35 anos, registra o cotidiano dos profissionais de saúde e as liberações do pacientes como uma maneira de não deixar os momentos serem perdidos nos fios da história e, também, de diminuir a tensão e o estresse causados na rotina do Hospital Universitário Walter Cantídio.

“A gente está em uma história viva. Em uma pandemia como essa, com essa intensidade, eu tenho percebido que ao fazer essas fotografias, os colegas, profissionais de saúde, estão se sentindo prestigiados, homenageados”, pontua. Ainda que o caminho até a recuperação seja marcado por incertezas, essas ações ajudam a acender fagulhas de esperança e gratidão no coração de pacientes, funcionários e profissionais da saúde envolvidos no combate ao inimigo comum. 


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