Grafiteira que caiu de Edifício São Pedro era formada em Gastronomia e cursava Nutrição

Renata Nakayama estava saindo do Edifício São Pedro quando o chão da marquise desabou, conta amigo

Renata Nakayama
Legenda: Renata pintava muros e prédios abandonados
Foto: Arquivo pessoal

A grafiteira que morreu ao cair do Edifício São Pedro, na Praia de Iracema, na noite dessa segunda-feira (19), chamava-se Renata Nakayama, de 23 anos. 'Jap', como era conhecida, concluiu o curso de Gastronomia no ano passado e estava no 1º semestre de Nutrição. Há cerca de dois anos, ela se dedicava aos desenhos urbanos.

"Como ela morava perto da minha casa, a gente pintava praticamente todo fim de semana em muros de terreno, avenidas e  locais realmente abandonados que não tivessem complicação com o meio público", lembra Hugo Castelo Branco, amigo de Renata. 

Renata Nakayama
Legenda: Intervenção urbana feita pela grafiteira na Capital
Foto: Arquivo pessoal

O também grafiteiro explica que o desenho mais característico de Renata era o chamado 'bomb', feito com letras mais cheias, como nas iniciais JAP desenhadas por ela na maioria das produções.

Atualmente, a estudante trabalhava em loja de roupas e acessórios artesanais em um shopping da Capital. Contudo, por causa da demanda ainda tímida no pós-flexibilização da economia, ainda não tinha voltado para o serviço.

"Com essa paralisação, ela estava em casa esperando reabrir a demanda, não era nem a loja porque já tinha uma semana aberta, era a demanda mesmo para poder voltar a atender na loja", disse Hugo.

Queda

O amigo conta ainda que antes do acidente, Renata já havia ido ao edifício na semana passada. Imagens divulgadas nas redes sociais, inclusive, mostram as intervenções feitas por ela na estrutura. 

Nessa segunda-feira, a grafiteira voltou ao prédio ao lado de outros dois amigos. No fim da tarde, quando estava prestes a ir embora, o chão da marquise cedeu e ela caiu. 

"Na hora de descer, ela disse que ia só pegar mais um nome, subiu na marquise e caiu para o lado de dentro porque o piso cedeu. Caiu na parte interna do prédio. Ela não tinha medo de nada, era muito destemida", conta Hugo, que recebeu a informação de um amigo em comum. 

Por meio de nota enviada ao Diário do Nordeste, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) confirmou a causa do acidente. Conforme a Pasta, a mulher estava grafitando na parte superior quando o chão rompeu. 

O Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur) da Polícia Militar (PMCE) e o Corpo de Bombeiros Militar do (CBMCE) foram acionados para a ocorrência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também compareceu para prestar socorro à vítima, mas ela não resistiu aos ferimentos. 

"Uma pessoa que estava com ela no momento do acidente foi ouvida na sede do 2° Distrito Policial (DP) da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), onde o caso foi registrado. O corpo da jovem foi levado à sede da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) por uma viatura da instituição", disse o comunicado.

Lembrança

Ainda "sem acreditar" na fatalidade, Hugo diz que Renata tinha na arte urbana uma expressão de ocupação e resistência.

"Ela era uma pessoa fantástica. A Renata tinha uma ideologia muito forte quanto ao direito feminino, liberdade de expressão, uma visão muito pra frente mesmo". 

 

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