Fiocruz vai monitorar eficácia de vacinas da Covid em transplantados do Ceará; veja como participar

Quem já fez transplante de órgãos sólidos pode (e deve) procurar a fundação antes de receber a 3ª dose do imunizante

vacina Covid
Legenda: Transplantados serão monitorados para acompanhamento da produção de anticorpos contra a Covid
Foto: José Leomar

O alívio de receber a vacina contra a Covid-19 não é o mesmo para todos: estudos iniciais da Fundação Oswaldo Cruz no Ceará apontam que transplantados podem ter baixa taxa de anticorpos mesmo após duas doses. Para seguir com a investigação, a Fiocruz precisa que os pacientes se cadastrem antes de receberem a 3ª dose do imunizante.

De acordo com Fábio Miyajima, pesquisador da Fiocruz que coordena o estudo, o Ceará tem cerca de 5 mil transplantados de órgãos sólidos – mas, até agora, só pouco mais de 100 se cadastraram para o monitoramento.

“Os resultados iniciais indicam baixa taxa de conversão e formação de anticorpos mesmo após duas doses da vacina. Precisamos entender melhor as causas para buscar soluções. O inquérito vai ganhar ainda mais relevância quando mais pessoas se cadastrarem”, pontua.

Transplantados de órgãos sólidos – rim, fígado, pâncreas, coração e pulmão – fazem parte do grupo de imunossuprimidos, que “têm dificuldade de produzir anticorpos, e eles ainda decaem mais rápido”, como explica Miyajima.

Para esses casos, a 3ª dose não é reforço: é dose adicional, porque essas pessoas precisam dessa dose pra que a resposta chegue a um nível satisfatório. Talvez precisem até de uma 4ª.
Fábio Miyajima
Pesquisador da Fiocruz

Após o cadastro junto à Fiocruz, cearenses que já fizeram transplantes e tomaram uma ou duas doses da vacina anticovid serão chamados para coleta de amostra de sangue e, a partir de então, terão o nível de anticorpos contra a Covid monitorado mensalmente ou a cada dois meses, de forma gratuita.

“Vamos analisar os pacientes antes e depois de tomarem a D3, para compararmos a produção de anticorpos com a população geral. A ideia é expandirmos isso para um programa de monitoramento”, destaca Miyajima. 

O programa, segundo o pesquisador, é “um projeto maior da Fiocruz” e deve incluir o estudo de outras imunodeficiências, como as de transplantados de medula óssea, pessoas que vivem com HIV, idosos, imunodeficientes primários, desnutridos, entre outros.

Como se cadastrar para monitoramento

Para participar do inquérito, o cearense transplantado deve preencher formulário online disponibilizado pela Fiocruz (clique aqui). Depois disso, a equipe entrará em contato para agendar a coleta de amostra de sangue, que está sendo feita no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC).

A ideia, contudo, como frisa o pesquisador, é expandir para outras unidades de saúde de Fortaleza e também do interior do Ceará, para abranger o máximo possível de pacientes.

“No Ceará, nunca fizemos isso com outras vacinas: precisamos entender o problema para ajudar e proteger essas pessoas”, finaliza Fábio Miyajima.

Pessoas não transplantadas já vacinadas também participarão voluntariamente do estudo, com coletas de exames realizadas pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce).

Serviço

Monitoramento de anticorpos contra a Covid

Site para cadastro: https://redcap.link/vacinatx 
E-mail: monitora.vacinacovid.tx@gmail.com 
Telefone/WhatsApp: (85) 99945-1957

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