Fauna e flora com risco de extinção no Ceará serão catalogadas por pesquisadores

Iniciativa faz parte do Programa Cientista Chefe Meio Ambiente, parceria entre o Governo do Estado e pesquisadores universitários do Ceará, com lançamento na próxima sexta-feira (4)

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Legenda: Tatu-bola, que estará no catálogo, luta pela sobrevivência no interior do Ceará
Foto: Samuel Portela

Com o Programa Cientista-Chefe Meio Ambiente, a ser lançado na próxima sexta-feira (4), a flora e fauna cearense com risco de extinção serão catalogadas em uma parceria de pesquisadores universitários do Estado e da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema). O chamado “Livro Vermelho” é um dos projetos a ser desenvolvido no programa financiado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).

A catalogação deve ocorrer principalmente com a fauna e flora terrestres, mas deve incluir também os peixes e mamíferos marinhos, segundo o professor do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador do Programa Cientista-Chefe Meio Ambiente, Marcelo Soares.

“Nós vamos ter condições de ter políticas específicas voltadas para essas espécies, garantindo a existência daquelas que estão ameaçadas”, aponta o secretário da Sema, Artur Bruno. 

Como objetivo principal, a parceria busca integrar a secretaria estadual com as universidades cearenses, formando equipes plurais para solucionar problemas referente ao meio ambiente. De acordo com o titular do órgão, a ação deve se estender durante mandato do governador Camilo Santana. 

No momento, o coordenador do programa já conta com uma equipe de três pessoas, mas irá aumentar a quantidade nas próximas semanas. No grupo, serão realizados diagnósticos e proposição de ações efetivas. “Queremos poder utilizar o conhecimento científico e transformar em políticas públicas”, declara Marcelo. 

Projetos

Conforme o secretário da Semace, o projeto deve atuar em quatro principais frentes. Além da catalogação da flora e fauna cearense ameaçada de extinção, também será realizado um Planejamento Costeiro e Marinho, a criação de uma plataforma com informações geográficas do Ceará e uma pesquisa voltada para a presença da Covid-19 nas redes estaduais de esgoto.

O Planejamento Costeiro e Marinho irá apresentar a atual situação da costa cearense, organizando, através de um atlas, informações das atividades econômicas já realizadas, como energia eólica, pesca, turismo e esportes náuticos.

“Nós precisamos de um planejamento efetivo de toda essa costa, do que já está sendo realizado, quais são as potencialidades e o que precisamos preservar”, aponta Artur Bruno. 

O Sistema de Informações Geográficas e Ambientais, por sua vez, irá agrupar os indicadores do Estado referentes às informações de meio ambiente em uma plataforma. A pesquisa, com coordenação de Marcelo, busca permitir que o poder público e a sociedade tenham acesso a ampla variedade de informações, como as unidades de conservação e as obras em construção.

“Muitas vezes as pessoas querem essas informações para pensar no seu projeto ou para fazer uma pesquisa, então, uma plataforma com dados ambientais pode ajudar nessa visualização”, afirma o pesquisador.

Já o quarto projeto, considerando o cenário atual da saúde no Estado, tem como principal objetivo analisar a presença da Covid-19 nas redes estaduais de esgoto, registrando as áreas com maior presença do vírus e mapeando a propagação.

Parceria 

O Programa Cientista-Chefe, idealizado e financiado pela Funcap, realiza uma parceria entre universidade e gestão pública, organizando equipes de pesquisadores para trabalhar conjuntamente com as secretarias do Governo do Estado. O grupo identifica soluções de ciência, tecnologia e inovação para melhorias de serviços públicos. 

O Ceará já conta com essa parceria em áreas como saúde, segurança pública e educação. Para Marcelo Soares, a participação de pesquisadores auxilia e estreita os laços de forma produtiva com o poder público.

“Esses projetos precisam ser baseado em ciência, que a melhor ferramenta que a gente tem, o conhecimento. Tomam uma decisão que não é baseada em dados, é desperdício de dinheiro público”, finaliza o pesquisador.

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