Estudantes da UFC discutem formas de protesto ao novo reitor

O grupo esteve reunido na Reitoria da instituição para definir ações no "Grito dos Excluídos", no dia 7 de setembro

Legenda: Estudantes discutem novas formas de protesto contra reitor da UFC
Foto: Camila Lima

Um grupo de estudantes e servidores da Universidade Federal do Ceará (UFC) permanece debatendo sobre formas de protesto ao novo reitor da instituição, Cândido Albuquerque, escolhido por Jair Bolsonaro no dia 19 de agosto. Os manifestantes estiveram nos jardins da reitoria na noite desta quarta-feira (28), discutindo sobre a movimentação no evento "Grito dos Excluídos", que acontece desde 1995 no dia 7 de setembro. 

"O Grito dos Excluídos é um ato que acontece todos os anos em diversos lugares do Brasil, chamado por diversos setores da Igreja Católica. O tema desse ano é sobre democracia e questões ambientais do Brasil. O reitor não tem vindo trabalhar aqui, mas os professores e servidores vão continuar ocupando o espaço da reitoria", conta o estudante de Comunicação Social, Daniel Macêdo. 

O protesto da comunidade universitária se dá pela nomeação do candidato menos votado em consulta pública feita com alunos, professores e servidores. Cândido foi o candidato com menor número de votos na consulta pública na universidade. No processo com 11.997 eleitores o atual reitor teve 610 votos. Custódio Almeida, o candidato mais votado, teve 7.772. Cândido também foi o segundo colocado na lista tríplice realizada pelo Conselho Universitário (Consuni). 

"Hoje uma das lutas que temos que encampar é a luta por democracia na universidade e autonomia universitária, uma vez que a nossa maior universidade está com um interventor na reitoria. Além de ter essa questão de contrariar uma vontade da comunidade universitária, ele ainda vem apoiar programas e projetos que vêm destruir o ensino público tal como conhecemos hoje", assevera Wagner Pires, diretor do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais no Ceará. 

Trabalho fora da reitoria

O professor Cândido Albuquerque, empossado oficialmente pelo Ministério da Educação (MEC) há 7 dias reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC) ainda não conseguiu despachar do prédio da reitoria da UFC, no Benfica, em Fortaleza. Nesta quarta-feira (28), ele confirmou ao Sistema Verdes Mares que segue trabalhando em diversas unidades e departamentos da UFC. Não há previsão de quando ele irá comparecer ao gabinete no Benfica. Cândido, que é alvo de protestos, alega que "aguarda o momento oportuno de atuar na própria reitoria". Conforme apurado pelo SVM, o reitor já esteve na Faculdade de Direito e na Casa José de Alencar, mantida pela UFC. 

"A universidade está funcionando normalmente. O grupo de insatisfação não atinge 1%", ressalta ele. O não comparecimento à reitoria, reitera o reitor, deve-se a "uma questão de animosidade. Eu estou fazendo isso porque estou abrindo o diálogo", conta o reitor. Cândido também foi questionado sobre como, diante do cenário de manifestações, pretende abrir o diálogo com a comunidade acadêmica. Mas, embora ressalte que há disposição, ele não especificou nenhuma ação concreta para isso.