Em um mês, 211 profissionais da saúde foram afastados com suspeita ou confirmação de Covid-19

De acordo com um levantamento da  Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), 348 profissionais foram afastados por suspeita ou confirmação de contaminação pelo novo coronavírus

Legenda: Mais 211 profissionais foram afastados com suspeita ou confirmação de Covid-19, foram 348 notificações nesse período. Além disso, mais dois profissionais da linha de frente faleceram com a doença
Foto: Camila Lima

Na linha de frente do atendimento à Covid-19, os profissionais da saúde são, cada vez mais, acometidos pela doença. De acordo com um levantamento da  Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), 348 profissionais foram afastados por suspeita ou confirmação de contaminação pelo novo coronavírus. O número é mais que o dobro desde o último levantamentento, no mês de abril. Entre elas, 59 casos foram confirmados. Dois profissionais faleceram.

Conforme o último balanço da Pasta, até o dia 15 de abril, já tinham sido afastados 137 profissionais da área da saúde. Entre as suspeitas, 28 tiveram os testes positivos para Covid-19. Quatro profissionais morreram em decorrência da doença.

Um mês depois, a Pasta informou que mais 211 profissionais foram afastados com suspeita ou confirmação de Covid-19, foram 348 notificações nesse período. Além disso, mais dois profissionais da linha de frente faleceram com a doença.

Profissionais

O médico anestesista Felipe Silva atua em três hospitais da rede pública de saúde. Em contato direto com pacientes com Covid-19, ele foi um dos 211 profissinais afastados. No dia 21 de abril começaram os primeiros sintomas, após quatro dias, ele ficou em total isolamento. "Comecei com febre, dor de cabeça, dor no corpo. Então já tive aquele alerta, já que atuava em hospitais que atendiam esses pacientes. Mas não estava com problemas respiratórios", lembra.

Já no oitavo dia com a suspeita da doença, os sintomas do médico se agravaram e, foi então, que Felipe precisou procurar uma unidade de saúde. "Estava me sentindo muito mal, tarquiardia, pressão baixa e fui internado. Tive suspeita de pneumonia bacteriana. Fiquei seis dias na ala da Covid-19", afirma. O profissional recebeu alta seis dias depois do início do tratamento. No dia 5 deste mês, saiu o exame com positivo para coronavírus. 

Felipe voltou a rotina no dia 9 de maio. Ele explica que sempre aderiu todas as medidas de segurança, mas o contato é muito direto e diário.

"A gente lida diretamente com a via área, temos experiência com intubações. A demanda aumentou muito com as pessoas precisando de oxigênio. Nos protegemos muito, mais que o normal, mesmo assim me contaminei. É uma doença muito silenciosa", conta. 

O médico continua tomando as mesma medidas de segurança durante o trabalho.  "Confesso que mantenho os mesmo cuidados, porque é uma doença de muitas incertezas, e tenho muito medo de contrair de novo. Tenho contato direto, na última semana, já dei plantão no Hospital Leonardo Da Vince", relatou.

"Os profissionais da saúde estão empenhando muito. Chega ser emocionante, estamos percebendo que todos estão com o mesmo intuito: salvar vidas", ressalta.

O enfermeiro Caio Pontes também foi um dos profissionais que tiveram a doença. O profissional já estava ciente dos riscos de contaminação e, por isso, saiu da casa que morava com os avós em março.No dia 16 de abril, ele começou a ter os sintomas de Covid-19 e foi logo afastado dos serviços. Após seis dias, o teste confirmou a presença do vírus. "No dia 18 tive um pico febril muito forte e voltei pra emergência, lá solicitaram o swab e deram medicações endovenosas", narra.

Ao todo, Caio precisou ficar 21 dias afastado dos hospitais. "Quando terminou o 14º dia de atestado, retornei ao serviço de emergência e tive mais 7 dias de atestado por ter febre persistente", explica. Após o período, o enfermeiro retornou ao trabalho. De acordo com ele, ainda há medo de ter novamente a doença, "até pq os estudos que se tem nada comprova se pode se reinfectar ou não. Mas como todo bom profissional de enfermagem, segue seu juramento de cuidar de vidas e vai com medo mesmo", pontua.

Em nota, a Secretaria da Saúde informou que os afastamentos não atrapalham o atendimento e a medida é para resguardar os próprios profissionais de saúde e os pacientes.

Rede municipal

A Prefeitura de Fortaleza explicou que os dados de profissionais da saúde com suspeita ou confirmação para Covid-19 estão contabilizados no portal IntegraSUS "É atualizado sistematicamente os números sobre casos confirmados e óbitos de pacientes com coronavírus de uma forma ampla, incluindo os profissionais de saúde, traduzindo o cenário da capital cearense", informou o órgão em nota.