Desde abril, Ceará tem redução consecutiva por semana no número de novos óbitos por Covid

Na semana epidemiológica 15 (de 11 a 17 de abril), 897 pessoas morreram por Covid. Desde então, há recuo nas mortes na avaliação a cada 7 dias

Morte Covid
Legenda: Na última semana epidemiológica, foram registrados 30 óbitos por Covid no Ceará, segundo o Integrasus
Foto: Thiago Gadelha

Neste domingo, o Brasil entrou na semana epidemiológica 30, que seguirá até o próximo sábado (31). No Ceará, dados do Integrasus, plataforma da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), apontam que desde a semana epidemiológica 15, do dia 11 a 17 de abril, o número de óbitos por Covid recua consecutivamente a cada semana no território cearense. 

Naquele período (11 a 17 de abril), o Estado chegou a contabilizar a marca alarmante de 897 mortes por coronavírus em um intervalo de apenas 7 dias. Já na semana 28 (11 a 17 de julho) esse número, que decai desde então, foi de 82 mortes.

Na semana 29 (18 a 24 de julho), foram 30 mortes, mas esse índice pode aumentar, pois, dada a proximidade, os dados ainda devem estar sendo inseridos pelos municípios no sistema estadual.

A desaceleração do número de óbitos é uma das evidências positivas no cenário da pandemia de Covid, que, de tão grave, já matou, desde o início, 23.364 pessoas apenas no Ceará. Desse total de mortes,  12,7 mil, o equivalente a 54,7%, foram este ano. 

Já em relação ao número de novos casos de contaminações, o recuo ocorre de forma consecutiva no Estado desde a semana epidemiológica 22, do dia 30 de maio a 5 de junho. Naquele intervalo de tempo, o Estado registrou 32 mil novos casos. Já na semana 28, o acréscimo foi de 3,9 mil novas infecções por Covid. 

Fatores que resultaram na queda dos indicadores

O médico epidemiologista e professor de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Antonio Lima, considera dois fatores importantes para queda neste indicador: a vacinação e a "exaustão" da própria pandemia.

Ele explica que essa queda é puxada, sobretudo, pela imunização dos idosos acima de 60 anos. Este grupo, segundo o especialista, vinha sendo o mais vulnerável e responsável pelos maiores índices de mortalidade.

"Quando a vacinação começa a avançar, esse público, imunizado, alguns deles já com a segunda dose em meados de março e abril, fica mais protegido e os índices caem", detalha.

Ao passo em que o processo de vacinação avança para pessoas de outras faixas etárias, a curva na queda dos óbitos vai se acentuando. "Além da imunização, há também a imunidade criada pela própria doença, identificada na exaustão da pandemia. A soma destes dois fatores converge na queda [dos óbitos]".

Para Antonio Lima, a projeção de queda deve seguir nas próximas semanas, mas de forma mais lenta. Ele ressalta, porém, ser preciso a manutenção das medidas não farmacológicas, como o uso de máscara, álcool em gel e distanciamento social, e alerta para a importância no prosseguimento da vacinação, sobretudo diante da variante delta.  

Permissão para abertura 

A dinâmica de incremento ou redução de novas contaminações e mortes devido à Covid não é homogênea no Estado, e cada área de saúde tem variações.

Isso, fez com que, por exemplo, na flexibilização das atividades econômicas e comportamentais, durante algumas semanas a região do Cariri não pudesse avançar. Enquanto boa parte do Ceará seguiu com recuo nos índices, a região se viu impossibilitada de avançar na retomada devido aos indicadores.  

Agora, devido ao melhor cenário geral, todas as regiões estão na mesma fase, com medidas e determinações uniformes. Um dos fatores que também demonstram a situação de melhoria no Ceará é a taxa de transmissão do coronavírus nas distintas regiões. 

Conforme divulgado pelo Governo do Estado, na última sexta-feira (23), nas cinco macrorregiões (Fortaleza, Cariri, Sobral, Sertão Central e Litoral Leste/Jaguaribe),  esse índice, chamado R, estava abaixo de 1 entre os dias 21 de junho e 11 de julho. O indicador, conforme a gestão, aponta uma estabilização de presença do vírus. 

Taxa de contágio entre 21 de junho e 11 de julho, por macrorregião:

  • Fortaleza: 0,85
  • Litoral Leste/Jaguaribe: 0,85
  • Sertão Central: 0,84
  • Sobral: 0,84
  • Cariri: 0,83

Com a taxa de contágio abaixo de 1, neste momento, em média, cada infectado no Estado transmite o vírus para menos de uma pessoa.

Quando esse número é maior que 1, cada paciente transmite a doença a, pelo menos, mais uma pessoa. Para estabilizar a pandemia, o número de reprodução deve estar abaixo de 1.

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