Covid-19: veja o que já se sabe sobre a doença, modos de transmissão e os tratamentos

Após um ano do primeiro caso do novo coronavírus no mundo, especialistas compartilham detalhes sobre medicamentos utilizados e o tratamento da doença

Escrito por Redação,

Metro
Legenda: Tratamento da Covid-19 foi sendo modificado ao longo dos meses, com descobertas e pesquisas realizadas sobre a doença
Foto: Helene dos Santos

Os relatos dos primeiros casos da Covid-19 chegaram ao Ceará como rumores distantes, uma realidade que carregava medos e incertezas. Veio a experiência de cearenses vivendo na China, com o desabastecimento de máscaras e álcool em gel; posteriormente, houve o aumento de casos na Itália. E mortes todos os dias. Agora, quase um ano da chegada da doença ao Brasil, e diante do alto número de óbitos diários ainda causados pelo vírus, o que já se sabe sobre os tratamentos para combater o novo coronavírus?

O infectologista e coordenador do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade Federal do Ceará (UFC),  Ivo Castelo Branco, explica que por ser uma doença ainda muito recente, ainda não há detalhes sobre o novo coronavírus. “A doença de Chagas tem mais de cem anos, a Covid-19 é muito jovem, tem quase um ano. Em termos de ciência, é tudo muito novo”, pondera. Os tratamentos da doença já sofreram modificações desde o começo da pandemia. Confira:

Que medicamentos utilizar no tratamento? 

  • Corticoide: a administração do medicamento não era realizada no início da pandemia, segundo a médica intensivista que atende pacientes com Covid-19, Iara Castellani. O corticoide foi utilizado após a identificação de eficiência para reduzir o quadro inflamatório causado pela doença. “Muito dos efeitos da Covid-19 são causados por inflamação. Por isso, o corticoide usado em pacientes que mantêm sintomas por mais de uma semana tem mostrado benefício”, aponta a especialista;
     
  • Ivermectina: Segundo a médica intensivista, o Ivermectina mostrou redução da replicação viral em alguns estudos in vitro, acaba sendo utilizado como antiparasitário diante do uso de corticoide em doses altas nos pacientes mais graves. “Quando vai usar o corticoide, tem que ter um anti-parasitário”, por isso, é dado o Ivermectina para garantir a ausência de vermes no organismo e o não comprometimento do uso de corticoide no paciente. Assim como Iara, o médico Ivo Castelo Branco reforça que a utilização em corticoide com pessoas com verme pode complicar o quadro de saúde;
     
  • Plasma Convalescente: Tratamento usado devido aos anticorpos. “A ideia era que os anticorpos de pessoas que tivessem se curado da Covid-19 pudessem ajudar os pacientes a combater a doença, mas seu uso foi praticamente abandonado por não mostrar benefícios em alguns estudos”, aponta a Iara. De acordo com o infectologista Ivo Castelo Branco, a transfusão de plasma é realizada para transmitir anticorpos. “Na Covid-19 foi feito também, mas era difícil identificar quem tem anticorpo da doença”, explica Ivo. A transfusão foi realizada em alguns pacientes e o médico aponta que esse uso pode diminuir o tempo de internação;
     
  • Tocilizumab ou a Imunoglobulina: São usadas em casos super selecionados. O primeiro medicamento pode modificar a resposta biológica do organismo de cada paciente para a doença, enquanto a Imunoglobulina pode facilitar a localização de ameaças aos anticorpos;
     
  • Intubação: No início da pandemia, em muitos hospitais, os pacientes apresentando falta de ar eram colocados no caráter nasal ou na máscara com reservatório de oxigênio. Caso não melhorassem eram destinados à intubação e ventilação mecânica. Agora, Iara explica que as unidades de saúde possuem outros recursos a serem utilizados previamente, como o cateter de alto fluxo (optiflow), a ventilação não invasiva e a ventilação com o ELMO ou capacete, que tem conseguido evitar a intubação em muitos casos.
     
  • Antibióticos: a médica intensivista recomenda o uso em casos de infecção bacteriana associada;
     
  • Vitamina D e Zinco: mesmo com fracas evidências científicas de benefício, "acabam sendo utilizados por serem inócuos e sem efeitos colaterais", diz Iara.
     
  • Cloroquina e Hidroxicloroquina: os medicamentos foram cogitados no início da pandemia, com posicionamentos favoráveis e contrários. Análises apontaram a ineficácia no tratamento, entre elas, uma feita pelos EUA. No Ceará, a Secretaria de Saúde chegou a incluir no protocolo de tratamento, associada a corticoide, antitrombótico e antibióticos. Depois, a própria Sesa emitiu nota técnica, retirando a recomendação do uso do medicamento. Segundo o infectologista Robério Leite, "para utilizar esse tipo de medicamento, o paciente precisa estar inserido dentro de um estudo clínico". Até agora, segundo ele, "os estudos que tem sido feitos no mundo todo não apontam para a eficácia".

“Não usávamos nada disso no começo. Quando chegava com a falta de ar, intubava e colocava em ventilação mecânica”, diz. Além disso, também começaram a adotar a técnica de deitar o paciente com a barriga para baixo, por melhorar a oxigenação deles.

“Hoje nós temos tantos recursos. Nós temos conseguido reverter situações muito mais vezes”, declara a médica intensivista. 

Qual modo de transmissão?

Conforme a plataforma do coronavírus da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), a transmissão do coronavírus pode ocorrer através de "secreções respiratórias ou gotículas expelidas por indivíduos infectados podem contaminar superfícies e objetos, criando fômites (superfícies contaminadas)".

Além disso, também há possibilidade de contágio indireto pelo contato com superfícies no ambiente imediato ou em objetos contaminados com vírus de pessoa infectada, seguido de toque na boca, nariz ou olho.

Quando buscar a rede pública?

Durante um período da pandemia, o Ministério da Saúde (MS) orientou que apenas pessoas do grupo de risco ou aquelas que apresentassem os sintomas mais graves da doença procurassem atendimento médico em uma unidade hospitalar. Os pacientes com quadro gripal, assintomáticos e os não-graves poderiam permanecer em casa.

Posteriormente, o então secretário estadual da Saúde, Carlos Roberto Martins, Dr. Cabeto, ponderou que o atendimento precoce de pacientes com a Covid-19 se fez mais eficaz no melhoramento da condição clínica. Agora, Ivo acredita ser necessário buscar uma unidade hospitalar quando o quadro sintomático apresentar a manutenção dos sintomas e somar também o estado de cansaço com mínimos esforços, como ir ao banheiro, descer escadas e tomar banho.

Apesar de tudo isso, o infectologista reforça que ainda hoje não existe medicamento comprovado cientificamente. "É importante continuar fazendo as coisas que têm mais efeito, como usar máscara, lavar as mãos, evitar aglomerações, isso é o que tem que fazer. Quem pega Covid-19, a gente não sabe exatamente quem vai complicar ou não”, finaliza. 

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