Ceará é o estado proporcionalmente mais atrasado na aplicação da D2 de vacinas contra a Covid-19

Dados sobre estados e municípios em atraso de doses estão disponíveis em plataforma online e interativa alimentada semanalmente pela Fiocruz. Sesa alega defasagem nos números

No Ceará, a maior quantidade de doses atrasadas é de Coronavac (52,5%).
Legenda: No Ceará, a maior quantidade de doses atrasadas é de Coronavac (52,5%).
Foto: Thiago Gadelha

O Ceará é o estado brasileiro que, proporcionalmente, mais está atrasado na aplicação da segunda dose (D2) de vacinas contra a Covid-19. O dado é monitorado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que reúne num painel online informações sobre quem não tomou a segunda dose 14 dias após o prazo previsto. A última atualização foi em 15 de setembro. 

No Brasil, de acordo com o painel, a taxa de atraso está em 11%, enquanto, no Ceará, está em 33%. Em seguida, estão com os piores índices: Bahia (18%), Rio de Janeiro (16,5%), Sergipe (15,7%) e Mato Grosso do Sul (14%). A menor taxa (ou seja, a situação menos grave de atraso) foi observada em Rio Grande do Norte (5,4%). 

O painel permite, ainda, ver quais municípios cearenses estão mais atrasados do que outros na campanha de imunização. Fortaleza, por exemplo, tem índice considerado baixo (8,4%), o que significa que a Capital tem cerca de 60,4 mil pessoas com doses atrasadas frente ao total de 716,1 mil que tomaram a primeira dose. Estariam em situação semelhante cerca de 30 municípios. 

Em contrapartida, ainda conforme a análise, há mais de 70 municípios em situação grave de atraso. Caso, por exemplo, de Milagres (75,1%), Quixeramobim (73%), Paraipaba (72,1%), Nova Russas (71,2%) e Aracati (70,6%). 

Segundo a Fiocruz, as informações vão ser atualizadas semanalmente e devem servir tanto para acompanhar o cumprimento do esquema vacinal no País como para ajudar estados e municípios a compreenderem suas realidades e intervirem de forma mais efetiva. 

“Muitos fatores podem influenciar esse atraso, como a idade dos vacinados, idosos podem ter maiores dificuldades de mobilidade, a logística de distribuição e aplicação de vacinas para regiões rurais, vulneráveis ou remotas, o intervalo entre as doses e a circulação local de informações falsas sobre vacinas”, adiantou a Fiocruz em boletim que interpreta os dados.

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa-CE) alega defasagem entre o número de doses aplicadas pelo Estado e o número registrado no sistema de informação do Ministério da Saúde. Em nota, afirma que, "como mostra o acompanhamento diário do Consórcio de Veículos, o Ceará é o primeiro do Nordeste na porcentagem de população totalmente imunizada e está entre os 10 primeiros estados do País (38,04% da população)".  

Atraso por tipo de vacina 

No Brasil, as taxas de atraso, por vacina, estão da seguinte forma: 

  • AstraZeneca: 15% 
  • CoronaVac: 33% 
  • Pfizer: 1% 

Já, no Ceará, estão assim:  

  • AstraZeneca: 44,6% (384,2 mil pessoas) 
  • CoronaVac: 52,5% (147,2 mil pessoas) 
  • Pfizer: 10,2% (69,3 mil pessoas) 

No boletim, a Fiocruz ressalta, no entanto, que a vacinação da Pfizer começou apenas em maio e que por isso a quantidade de pessoas em possível atraso ainda é pequena. 

Metodologia 

Para analisar as taxas de atraso, a Fiocruz considerou, para as vacinas da AstraZeneca e da Pfizer, um intervalo de 84 dias. Já para a Coronavac, de 28 dias. 

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