“Brasil apresenta histórico de marginalização da pobreza”

Escrito por Redação,

Metro
Antes das visitas às comunidades de Fortaleza, o relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Moradia, o arquiteto indiano Miloon Khotari, concedeu uma entrevista coletiva, no Seminário da Prainha.

Ele explicou que visitou outras cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo. “Já percebo que o Brasil tem uma longa história de marginalização da população mais pobre, em particular, das minorias indígenas”, afirmou.

Khotari disse ter a impressão de que nunca houve uma política decidida para combater essa “segregação e marginalização” de alguns setores da sociedade. No entanto, elogiou as novas iniciativas do Governo Federal, principalmente a criação do Ministério das Cidades e das secretarias que tratam de questões raciais e dos direitos das mulheres.

Mas lembrou que o Estado precisa encontrar soluções “criativas” para enfrentar a atual situação macroeconômica. Ela, em sua opinião, torna-se um obstáculo ao cumprimento de programas de habitação popular e para resolução dos problemas sociais relacionados.

Ele ressaltou que a sua missão é observar se o Brasil está cumprindo os compromissos internacionais assumidos, ressaltando as boas práticas evidenciadas e os desafios que precisam ser vencidos. “A maior parte das iniciativas positivas (na área da habitação) tem surgido a partir da sociedade civil”, revelou.

Porém, enfatizou que defender os direitos humanos dos mais fracos é obrigação do governo. Ele lembrou que, se a especulação imobiliária não for controlada, fica mais difícil os pobres terem acesso à moradia. Khotari já visitou, só na América Latina, México e Peru. Os governos desses países estão implantando as recomendações dos relatórios produzidos pelo indiano.

Ele disse também já ter compartilhado com ministros brasileiros propostas de sucesso observadas no México e até mesmo em algumas regiões do Brasil.