Animais queimados no Pantanal recebem curativos de pele de tilápia do Ceará; veja fotos

Equipe de pesquisadores da técnica desenvolvida pela Universidade Federal do Ceará (UFC) viajou ao Mato Grosso para aplicá-la após queimadas na região

Escrito por Theyse Viana , theyse.viana@svm.com.br
Legenda: Cobra sucuri é um dos oito animais em tratamento com os curativos de pele de tilápia
Foto: Felipe Rocha/Projeto Pele de Tilápia

Oito animais feridos durante as queimadas no Pantanal, no Mato Grosso, já receberam aplicação da pele de tilápia para cicatrização das lesões. Aplicada pela primeira vez em animais silvestres, a técnica cearense foi levada ao Centro-Oeste por uma equipe de três pesquisadores, e dezenas de outros animais queimados devem receber os curativos biológicos, cujo uso foi iniciado na última terça-feira (6).

Os cientistas cearenses Felipe Rocha, biólogo; Behatriz Odebrecht, médica veterinária; e Silva Júnior, enfermeiro, levaram à região um total de 130 peles de tilápia. Um veado-catingueiro, um tamanduá-bandeira, três antas, uma cobra sucuri, um queixada e outro animal não informado já receberam a intervenção.

Legenda: Tamanduá recebe curativo cearense após queimaduras no Pantanal
Foto: Felipe Rocha/Projeto Pele de Tilápia

Silva Júnior, que atua no Projeto Pele de Tilápia há cerca de cinco anos, explica que, em alguns animais, serão necessárias trocas do curativo biológico, diante da profundidade dos ferimentos. “Deixaremos nosso estoque aqui, e temos mais peles disponíveis na UFC. Caso seja preciso, enviaremos”, destaca. Apesar da seriedade das queimaduras, a técnica tem mostrado eficácia. 

“Já temos notado resultados satisfatórios, principalmente em relação à redução da dor do paciente, que é um fator primordial desse curativo. Aplicamos em uma anta que não se alimentava nem se interessava pela água. Um dia depois, ela estava na água. Isso mostra que houve redução da dor”, comemora Silva.

Legenda: O enfermeiro cearense Silva Júnior atua na aplicação de curativos biológicos com as peles de peixes há cerca de cinco anos
Foto: Felipe Rocha/Projeto Pele de Tilápia

Conforme Dr. Edmar Maciel, o cenário é desafiador, já que as queimaduras atingem grandes áreas dos corpos dos animais. “Eles estão caminhando na floresta que pegou fogo, e quando pisam queimam as patas – ou a cobra, o corpo inteiro. São animais de grande porte, geralmente queimam as quatro patas. O procedimento demora até seis horas, entre anestesia e finalização”, calcula o médico.

A equipe retorna a Fortaleza neste domingo (11), após ter capacitado os profissionais mato-grossenses para replicação da técnica. A parceria foi iniciada quando os pesquisadores da UFC entraram em contato com a ONG Ampara, que atua nas operações de resgate e de reabilitação dos animais no Pantanal. Para agregar à Missão Ajuda Pantanal, o Hospital Veterinário da Universidade Federal do Mato Grosso, em Cuiabá, capital do estado, é usado como espaço de aplicação das peles de tilápia.

Legenda: Curativos são aplicados no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Mato Grosso
Foto: Felipe Rocha/Projeto Pele de Tilápia

Pesquisa

O uso da pele dos peixes de água doce em queimaduras, inicialmente, e depois em feridas, cirurgias ginecológicas e outras aplicações regenerativas é estudado há seis anos. Além do Ceará, as pesquisas são desenvolvidas em mais seis estados e em sete países, como informa Dr. Edmar Maciel.

O “curativo biológico temporário” começou a ser utilizado em mais de 50 pacientes do Núcleo de Queimados do Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, e foi expandido para outras localidades. Recentemente, todo o estoque de 40 mil cm² de pele de tilápia foi oferecido ao Líbano, para ajudar no tratamento de queimaduras das vítimas da explosão que deixou milhares de feridos, na capital Beirute.

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