Diretor de vôlei do Minas diz que só demitiu Maurício Souza para "protegê-lo", não por homofobia

Em áudio vazado, Elói Lacerda de Oliveira ainda classifica a comunidade LGBTQIA+ como "radical"

Jogador de vôlei Maurício Souza prestes a sacar bola em jogo
Legenda: Jogador pediu desculpas após demissão, mas seguiu com publicações homofóbicas depois
Foto: Antonin Thuillier/AFP

O diretor de vôlei do Minas Tênis Clube, Elói Lacerda de Oliveira, afirmou, em um áudio vazado na internet, que o central Maurício Souza foi demitido para proteger o atleta e o clube de perseguição, e não por homofobia. As informações são do portal Globo Esporte (GE).

"Ele não foi mandado embora porque ele é homofóbico, porque ele não é homofóbico. O que ele falou foi uma declaração pessoal dele. Ele foi mandado embora para a proteção dele. E ele recebeu integralmente o salário dele e a proteção do Minas", disse ele na gravação, ouvida pelo GE.

O jogador criticou, usando o seu perfil no Instagram, com cerca de 250 mil seguidores na ocasião, o fato de o novo Super-Homem, filho de Clark Kent, descobrir-se bissexual em uma das edições da história em quadrinhos.

De acordo com o portal, não havia consenso sobre a demissão no clube. No áudio, o diretor do clube diz que os dirigentes foram "obrigados a dispensar" Maurício, além de que a comunidade LGBTQIA+ é "radical".

"A gente tem que aprender a ser proativo e não reativo. Essas comunidades radicais elas são ativas. Eles foram na presidência da Melitta na Alemanha, eles foram na Fiat em Betim, lá na Itália, tá certo? E nós ficamos literalmente rendidos, tudo o que nós fizemos nós fizemos a gente era de simplesmente derrotados, porque haviam milhares de manifestações contra o Minas, contra o Maurício", disse Elói.

Segundo a publicação, o Minas não confirmou ser de Elói a voz da gravação e pontuou que "não se posiciona mais sobre a situação". Contudo, o GE confirmou que o diretor de vôlei é a pessoa que fala no áudio.

Desdobramentos da polêmica

Após receber desaprovações, Maurício voltou a tratar do assunto com posicionamentos similares. O Minas disse, na ocasião, que respeitava a liberdade de opinião de cada atleta, mas não aceitava declarações homofóbicas.

Dias depois, em 26 de outubro, os principais patrocinadores da equipe de vôlei masculino do clube se manifestaram e cobraram "medidas cabíveis" em relação ao caso. Na mesma data, Maurício foi multado e afastado do clube.

Nesse dia, o jogador usou sua conta no Twitter, com menos de 50 seguidores no momento da publicação, para se retratar sobre o assunto. No entanto, um dia depois, ele ironizou o episódio que acarretou a dispensa dele da equipe: publicou uma imagem do Super-Homem beijando a Mulher-Maravilha.

Na sexta-feira (29), um grupo de 20 parlamentares, representantes das causas LGBTQIA+, protocolou uma representação no Ministério Público de Minas Gerais contra Maurício Souza. Os políticos também notificaram a empresa Facebook, solicitando reunião para tratar das postagens no Instagram.

Entre os pedidos, os parlamentares requerem a abertura de ação penal pública contra o jogador por incitação do preconceito e discriminação homotransfóbica, uma indenização por dano moral coletivo a partir de R$ 50 mil e a exclusão das publicações homofóbicas.

Confira a mensagem na íntegra

O Globo Esporte publicou a transcrição do áudio do diretor de vôlei do Minas.

"Quero colocar aqui que fui eu que dispensei o Maurício, tá? Está todo mundo enganado, não foi assim. Está todo mundo vindo agora bater, mas as pessoas deixaram o Minas desamparado e eu, como diretor de vôlei, o Ricardo com o presidente, durante uma semana, nós todos apanhando da imprensa, apanhando da comunidade LGBT, ninguém saiu em defesa de ninguém.

Nós fomos obrigados a dispensar o Maurício, se não ele seria destruído, tá? E que todos saibam que nós pagamos o contrato dele integral até maio. Ele não ficou desamparado. Ele recebeu o salário dele todo antecipado e nós fizemos isso porque nós não tivemos apoio.

A gente tem que aprender a ser proativo e não reativo. Essas comunidades radicais elas são ativas. Eles foram na presidência da Melitta na Alemanha, eles foram na Fiat em Betim, lá na Itália, tá certo? E nós ficamos literalmente rendidos, tudo o que nós fizemos nós fizemos a gente era de simplesmente derrotados, porque haviam milhares de manifestações contra o Minas, contra o Maurício.

Ele não foi mandado embora porque ele é homofóbico, porque ele não é homofóbico. O que ele falou foi uma declaração pessoal dele. Ele foi mandado embora para a proteção dele. E ele recebeu integralmente o salário dele e a proteção do Minas.

A gente tem que conversar sobre isso, porque tem que haver contra peso e dessa vez não houve. Agora nós estamos sendo atacados por pessoas que não sabem o que de fato aconteceu, tá? Muito obrigado".

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