Novo aterro começa a receber lixo de Fortaleza em fevereiro 2019

O atual Aterro de Caucaia chega ao limite em janeiro de 2019. O lixo da Capital deverá seguir para um novo espaço, situado ao lado do atual aterro e de proporções semelhantes

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O aterro de Caucaia somente em 2018, até o fim de novembro, já recebeu 474.407 toneladas de resíduos domiciliar oriundos de Fortaleza Foto: Fabiane de Paula

O Jangurussu esconde sob a vegetação seca da rampa o lixo produzido por décadas em Fortaleza. Já Caucaia, há 20 anos abriga os resíduos da Capital e deverá continuar recebendo nos próximos anos. O Aterro Sanitário Municipal Oeste de Caucaia (Asmoc) chegará ao limite em janeiro de 2019.

Em fevereiro está previsto, pela empresa operadora do serviço Ecofor Ambiental, que o lixo da Capital vá para um novo aterro, estruturado ao lado do atual. A estimativa é que o mesmo opere, pelo menos, até 2024, quando a acaba a atual concessão. 

A queda na produção de lixo, que hoje é em média 0,67 gramas por habitante a cada dia em Fortaleza, é um dos fatores determinantes para o prolongamento da vida útil do novo destino final. 

57,2%
é o aumento da produção de lixo em 10 anos. Entre 2007 e 2017, a geração de lixo em Fortaleza, somado o doméstico e o especial (pontos de lixo), passou de 727.000 toneladas por ano para 1.143.219 toneladas

Em 2018, até o fim de novembro, a Prefeitura recolheu 474.407 toneladas de resíduos domiciliar.

O professor do Mestrado em Tecnologia e Gestão Ambiental do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Gemmelle Santos, reforça que o Aterro de Caucaia “não suporta mais receber resíduos”. A estruturação do novo equipamento, ressalta ele, demanda a efetivação de um monitoramento ambiental e um programa de recuperação de área degradada no antigo aterro. Ações que não existiram no Jangurussu. 

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Mudanças estão em curso

O diretor presidente da Marquise Ambiental – empresa do Grupo Marquise da qual a Ecofor Ambiental faz parte – , Hugo Nery, explica que durante vários momentos o Asmoc passou por ampliações na área que hoje é de 65 hectares. Mas, com o esgotamento do local, um novo aterro de tamanho similar entrará em atividade em fevereiro.
 
A doutora em Geologia Ambiental e professora da Universidade de Fortaleza (Unifor), Lamarka Lopes, esclarece que o aterro, conforme seu conceito, “deveria receber apenas rejeitos, que são materiais que não tem possibilidade nenhuma de qualquer tipo de utilização”. 

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Foto: Fabiane de Paula

A avaliação é reiterada pelo professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ronaldo Stefanutti. Ele ressalta que para pôr em prática conceitos mais modernos de gestão de resíduos é necessário apostar na redução de produção de lixo e na destinação para aterro somente os rejeitos.

Deve se lembrar que o encerramento das operações de deposição de lixo não encerra os cuidados com a manutenção do aterro pois é um aterro de altura elevada e sujeito a recalques, acomodações, desmoronamento, erosões, além de gerar chorume e biogás por muitos anos a frente.

Uma das apostas do novo modelo de gestão de resíduos, segundo o titular da coordenadoria especial de limpeza urbana da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (SCSP), Albert Gradvohl,é a estruturação de rede de ecopontos que conta com 51 equipamentos.

A meta, relata Albert Gradvohl, é chegar a 120. “A tendência é que essas questões do lixo se transforme em negócio, o que é muito salutar para o poder público. Desde que você veja lixo como reserva técnica, ele tem mais é que ser cada vez mais reciclado, reutilizado”.