São Paulo fecha escolas, proíbe cultos e futebol em nova fase emergencial contra a Covid-19

Haverá toque de recolher das 20h às 5h

São Paulo
Legenda: As medidas foram anunciadas pelo governador João Doria na tarde desta quinta-feira (11)
Foto: Reprodução governo de São Paulo

Em virtude da escalada da transmissão do coronavírus, o estado de São Paulo entra, na segunda-feira (15), numa nova fase emergencial de seu plano de abertura econômica da pandemia, pelo prazo de 15 dias. As medidas foram anunciadas pelo governador João Doria. 

Das 20h às 5h haverá toque de recolher. Nesse período, pessoas na rua poderão ser abordadas para orientação - o objetivo não é multar, exceto nas já fiscalizadas aglomerações. A frequência de praias e parques estará vetada.

O objetivo é reduzir em 4 milhões o número de pessoas circulando diariamente. O transporte coletivo segue funcionando, mas é recomendado um escalonamento de entrada no trabalho por categorias.

O pacote incluirá o fechamento de colégios estaduais por 15 dias. As escolas seguirão parcialmente abertas para atender alunos vulneráveis que precisem de alimentação. Na rede privada, isso será opcional, mas as regras que limitam a 35% de ocupação seguem valendo.

Haverá restrição do funcionamento de supermercados até as 20h -como serviço essencial, eles têm horário liberado na fase vermelha, a mais restritiva, em vigor desde o sábado (6). Serviços de retirada de alimentos e produtos nos estabelecimentos está vetado, mas o delivery segue permitido. 

Serão excluídas dessa classificação lojas como as de material de construção, que terão de fechar. Cultos religiosos, que haviam sido permitidos na última reclassificação do chamado Plano SP, serão suspensos.

Jogos de futebol estão suspensos

Jogos de futebol seguirão o mesmo caminho, salvo alguma mudança de última hora. Escritórios terão suas atividades presenciais vetadas. Inicialmente, tudo isso valerá por uma semana.

"Vou honrar o cargo que ocupo, mesmo que isso custe minha popularidade. Vocês me elegeram para cuidar de vocês, não para cuidar de mim", afirmou João Doria. "Nossos hospitais estão chegando no limite máximo de ocupação. Temos de adotar medidas mais duras de distanciamento social", disse.

"É uma decisão dura, impopular, difícil. Me solidarizo com todos. O Brasil está colapsando, e se nós não frearmos o vírus, não será diferente em São Paulo", disse o governador.

Será criado um Comitê de Emergência da crise, liderado pelo atual secretário-executivo do Centro de Contingência da Covid-19, João Gabbardo. Ele terá poderes de coordenação sobre o sistema de saúde, em conjunto com o secretário da área, Jean Gorinchteyn.

O endurecimento das medidas é consequência do colapso em curso no sistema de saúde paulista, um dos mais avançados do país, sob o peso do aumento de casos e óbitos relacionados à circulação de variantes mais transmissíveis e talvez letais do Sars-CoV-2.

O avanço da doença ocorreu mesmo com a implantação da fase vermelha, a mais restritiva e que só permite a abertura de serviços essenciais, que teve pouco efeito sobre o isolamento social no Estado.

Na terça (9), apenas 43% dos paulistas estavam isolados, segundo o rastreamento por dados celulares do governo. A nova fase emergencial não terá uma classificação por cor.

Mais de 62 mil mortes

Ao todo, o Estado já teve 62.570 mortes desde o começo da pandemia, declarada como tal há exato um ano pela Organização Mundial da Saúde.

A situação foi definida por Doria como "dramática". Em duas semanas, o número de pessoas internadas em terapia intensiva salto de 6.657 para 8.872, apontando para uma saturação da rede. O tucano determinou a abertura de novos leitos em regime de urgência, mas o temor é de que eles não cheguem a tempo.

A ocupação de UTIs no Estado todo está em 83%, segundo dados do governo, taxa que cai a 67,1% dos leitos de enfermaria. A situação é semelhante na Grande São Paulo, que tem mais gente internada fora da terapia intensiva: 74,9%.

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