Otan se prepara para guerra com Rússia e eleva China como potencial ameaça

A aliança militar divulgou o novo Conceito Estratégico após reunião dos membros em Madri, Espanha

Joe Biden em encontro da Otan realizado em Madri, Espanha
Legenda: "Os EUA e seus aliados estão se mobilizando, provando que a Otan é mais necessária agora do que nunca", disse o presidente norte-americano Joe Biden
Foto: JONATHAN ERNST / POOL / AFP

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) anunciou, nessa quarta-feira (29), a refundação da aliança militar, liderada pelos Estados Unidos, o que seria uma cortesia da Guerra da Ucrânia. Na ocasião, ela elevou a China como uma ameaça em potencial, além de se preparar para um período de expansão contra a Rússia, a partir de ações norte-americanas e na entrada da Suécia e da Finlândia.

O novo Conceito Estratégico da Otan direciona o grupo para combater Moscou com dissuasão militar. Os russos desejam "estabelecer esferas de influência e controle direto por coerção, subversão, agressão e anexação", diz o texto, que ecoa os prelúdios de uma Terceira Guerra Mundial. As informações são do jornal Folha de S. Paulo

O presidente ucraniano Volodimir Zelenski pediu mais armas aos integrantes da Otan, reunidos em Madri, Espanha. Enquanto isso, o líder da Rússia, Vladimir Putin, disse à agência russa Interfax que a aliança militar tem "ambições imperiais", mas voltou a declarar que a resposta à adesão de Suécia e Finlândia será proporcional ao tipo de infraestrutura militar instalada nos países. Ambos já disseram que não querem bases da organização no próprio território.

Na ocasião, o presidente russo ainda voltou a afirmar que o objetivo da invasão à Ucrânia é "libertar o Donbass e ter garantias de segurança", e que as forças dele "avançam".

"A escalada militar de Moscou, incluindo as regiões dos mares Báltico, Negro e Mediterrâneo, além de sua integração militar com a Belarus, desafia nossas segurança e interesses", afirma o Conceito da Otan, que aponta para as ameaças de uso de armas nucleares realizadas por Putin e o "inovador e disruptivo" desenvolvimento de armamentos com capacidade dupla, atômica e convencional, como mísseis hipersônicos.

Aumento do orçamento militar

Como frente aos avanços bélicos de Moscou, 9 dos 30 membros da organização devem aplicar 2% do Produto Interno Bruto (PIB) na área militar ou mais neste ano, e em 2024 o número de países deve aumentar para 19. "Enfrentamos uma mudança radical", afirmou o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg. A meta será "o piso, não o teto" do gasto militar. Enquanto isso, os EUA lideram o comboio, separando 3,57% do PIB para gastos militares, o maior do mundo.

Esse despertar da aliança militar é liderada pelos EUA. Pela primeira vez no pós-Guerra Fria, o país terá um quartel-general do Exército no Leste Europeu, localizado na Polônia.   

"Putin destruiu a paz na Europa. Os EUA e seus aliados estão se mobilizando, provando que a Otan é mais necessária agora do que nunca", disse o presidente norte-americano Joe Biden.

Um dos motivos que levou a invasão russa à Ucrânia foi impedir a adesão da nação à Otan, congelada desde um convite realizado a ela em 2008 e renovado, sem muita convicção, no Conceito.

O reforço militar englobará mais dois destróieres baseados na Espanha — atualmente são quatro —, dois novos esquadrões com caças F-35 no Reino Unido, brigadas não permanentes nos Estados Bálticos e na Romênia e defesa aérea adicional para a Alemanha e a Itália. Será o maior deslocamento de forças americanas na Europa desde o período da Guerra Fria. 

Hoje, há 100 mil soldados de Washington no velho continente. Ao todo, a Otan planeja aumentar de 40 mil para 300 mil o efetivo de reação rápida. 

China apontada como ameaça

Em troca do comprometimento, Biden conseguiu ter a principal preocupação estratégica atendida pelo novo Conceito: a China. O documento, apesar de não chamar o país asiático de adversário, afirma ser necessário estar ponto para enfrentar as "táticas coercitivas e esforços para dividir a aliança" por parte de Pequim.

"As expansões depois da Guerra Fria não só falharam em tornar a Europa mais segura, mas também semearam as sementes do conflito [na Ucrânia]. Não podemos permitir que esse tipo de turbulência e conflito que está afetando partes do mundo ocorra na Ásia-Pacífico", declarou o representante chinês na ONU, Zhang Jun, na noite de terça (28), em resposta aos avanços da Otan.

Mais relevante e ainda mais simbólica que a elevação do status de ameaça em potencial para a China foi a presença de representantes da Austrália, da Nova Zelândia, do Japão e da Coreia do Sul como convidados da cúpula, que acaba nesta quinta-feira (30).   

Desde o início da Guerra na Ucrânia, o Ocidente vem traçando o paralelo entre a invasão russa e o que pode ocorrer com Taiwan, embora as situações sejam incomparáveis do ponto de vista histórico - a própria Organização das Nações Unidas (Onu) reconhece a demanda chinesa sobre Taipé.  

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