Candida Auris: o que é, quais os sintomas e como é transmitido

Os três pacientes identificados até agora com o Candida auris estavam internados em um hospital da rede estadual de Pernambuco e apresentavam baixa imunidade

Escrito por Angélica Feitosa, angelica.feitosa@svm.com.br

Ser Saúde
Representação de fungo
Legenda: Superfungo foi identificado em três pacientes de Recife (PE)
Foto: Shutterstock

Candida auris. Esse nome viralizou nos últimos dias após o  novo fungo ser identificado em três pacientes no Hospital da Restauração, maior unidade da rede pública do estado de Pernambuco.

A infecção por Candida auris é mais comum em pessoas que permanecem internadas no hospital por longos períodos e possuem sistema imunológico comprometido, o que favorece a presença do fungo na corrente sanguínea, levando ao aparecimento de alguns sintomas.

Por exemplo:

  • Febre alta;
  • Tontura;
  • Fadiga;
  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Vômitos.

Segundo o coordenador da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES), o médico veterinário e microbiologista George Dimech, o mesmo fungo foi identificado em 2020, em um hospital de Salvador e tem como característica a resistência ao antifúngico

Os casos detectados são em pacientes imunodeprimidos, ou seja, em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido. Eles que foram isolados, obedecendo a protocolos hospitalares já vem estabelecidos e executados nas áreas da unidade hospitalar em que foi identificado.

Além da resistência ao antifúngico e de acometer pacientes com deficiência imunológica, alguns pacientes apresentaram febre e, de acordo com o coordenador, podem evoluir para sintomas mais graves. “Em geral, a principal característica é a resistência e a facilidade de se propagar”, informa, e acrescenta que os casos se deram em pacientes com muito tempo de internação.

Identificação do fungo

O primeiro paciente identificado é um homem de 38 anos, que teve resultado laboratorial positivo para Candida auris, foi admitido no serviço hospitalar no dia 21 de novembro de 2021 na emergência de traumatologia. Ele recebeu a assistência hospitalar e teve alta no dia 30 de dezembro de 2021. Ele foi descolonizado, ou seja, o fungo foi combatido, mas ele permanece em isolamento domiciliar.

O segundo caso suspeito é uma mulher de 70 anos, que foi assistida no HR por outras causas. A hipótese levantada é que ela também estaria colonizada pelo fungo, caso haja a confirmação laboratorial. Ela foi admitida em 24 de novembro de 2021, estava em UTI e teve o exame de confirmação para o fungo em no dia 30 de dezembro. Ela morreu no dia 5 de janeiro de 2022, mas o laudo do Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen/BA). 

O terceiro caso suspeito é de um homem de 46 anos, também admitido pela emergência de trauma do HR, em no dia 13 de dezembro de 2021, por outra causa. Está em UTI e sem nenhum sintoma relacionado à infecção pelo fungo. O exame laboratorial sugestivo da unidade hospitalar saiu na última terça (11/01/22). Essa amostra será encaminhada para o Lacen/BA.

Tratamento

O tratamento para Candida auris é definido pelo médico de acordo com a gravidade da infecção. Segundo o médico, é importante que a infecção por Candida auris seja identificada e tratada o mais rápido possível para evitar que esse fungo espalhe-se pela corrente sanguínea e dê origem à infecção generalizada.

Prevenção

A prevenção da infecção por Candida auris deve ser feita com o objetivo de evitar a contaminação por esse microrganismo, que pode acontecer principalmente em meio hospitalar por meio do contato prolongado com superfícies contendo o fungo ou dispositivos médicos, principalmente cateteres.