PM participou de morte de motorista de App a mando de um dono de sucata: entenda o caso e veja vídeo

A dupla foi identificada a partir da placa da motocicleta usada no crime. O veículo está em nome do soldado.

Escrito por Emanoela Campelo de Melo , emanoela.campelo@svm.com.br
A abordagem foi filmada por câmeras de segurança da via
Legenda: A abordagem foi filmada por câmeras de segurança da via
Foto: Reprodução

Um soldado da Polícia Militar do Ceará (PMCE), preso por duplo homicídio, teria cometido o crime a mando de um dono de sucata. O PM é suspeito de participar do crime que vitimou um motorista de App e outro homem, que seria o único alvo da ação. O atentado ocorreu na última quinta-feira (13), no bairro Montese, em Fortaleza.  Uma terceira pessoa ficou ferida e foi socorrida ao Instituto Doutor José Frota (IJF). O nome do militar não é revelado por que ele ainda não foi indiciado.

O motorista foi identificado como Max Bley Loureira Alves. Ele trabalhava transportando turistas ao Aeroporto de Fortaleza quando foi atingido pelos disparos. Já a segunda vítima tem identidade desconhecida até o momento. Ela foi morta por, supostamente, dar 'calote' em donos de sucatas. 

Ítalo Jardel Farias Oliveira também foi preso e confessou o crime às autoridades. Na versão de Ítalo, eles foram contratados para interceptar e matar o alvo que, supostamente, vinha ameaçando empresários. Conforme depoimento de Jardel, um despachante de uma sucata enviou foto do carro onde o alvo da ação estava e ordenou a abordagem.

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O suspeito confessou que agiu em troca de uma promessa de dinheiro, mesmo sem saber o valor e como seria pago. A dupla foi identificada a partir da placa da motocicleta usada no crime. O veículo está em nome do soldado. O agente de segurança foi preso no exercício da função, em uma base da Polícia Militar no bairro José Walter, na Capital.

Ambos passaram por audiência de custódia e o juiz decidiu converter a prisão em flagrante em prisão preventiva. Ao prestar depoimento, o PM negou ter participado do duplo homicídio

VERSÕES DO CASO

De acordo com o PM, ele deixou a motocicleta para conserto, dias antes da ocorrência. Na versão do suspeito, ele prestava serviço particular em um supermercado, no dia e hora do crime. A história não foi comprovada.

No dia da ação, o militar chegou atrasado ao serviço particular e a moto só deu entrada na oficina horas após as mortes.

"Imediatamente após a qualificação do proprietário da moto, por se tratar de um policial militar, a equipe de investigação se dirigiu aos seus superiores para nos informar a localização do mesmo. Com isso, chegando ao local onde ele estava de serviço foi informado ao mesmo que ele era suspeito de um crime de homicídio. Ademais, foi perguntado o paradeiro de sua moto e o mesmo nos informou que estava na oficina. Com isso, a equipe se dirigiu a oficina onde encontrou a moto em processo de descaracterização para deixar a moto bastante diferente das imagens que circulavam nas redes sociais", apontam os investigadores.

via duplo homicidio
Legenda: A ação criminosa da dupla foi flagrada por câmeras de segurança da via
Foto: Reprodução

Celular e pistola que estavam em posse do policial foram apreendidas. Investigadores localizaram uma conversa na qual homens citavam a ação do PM no duplo homicídio. De acordo com trecho transcrito, a arma do militar falhou e o outro envolvido passou a arma dele para "terminarem o serviço". 

"Missão é missão, o cara já tá lá, tem que ir até o fim, né, mah. Ei, mah,vamo... pensei.. eu pilotando a moto aqui , me acabando, macho, eu pensei, “essa porra vai dá merda, vai dá merda!" (sic)

A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) informou, em nota, que "determinou instauração de processo disciplinar para devida apuração na seara administrativa, estando este, atualmente, em fase de instrução".

A SSPDS ressaltou, em nota, que a população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As denúncias podem ser feitas para o número 181, o Disque-Denúncia da Pasta, ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, por onde podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia.

"As informações também podem ser encaminhadas para o telefone (85) 3257-4807, do DHPP, que também é o WhatsApp do Departamento. O sigilo e o anonimato são garantidos", completou a Secretaria.

 

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