Piloto do voo da morte de 'Gegê' e 'Paca' é absolvido de processo por lavagem de dinheiro e tráfico

A Justiça Federal no Mato Grosso do Sul condenou 15 réus em decorrência de uma operação contra o tráfico internacional de drogas

Escrito por Messias Borges, messias.borges@svm.com.br

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Piloto Felipe Ramos Morais acabou preso no Estado de Goiás, em maio de 2018. Quase três anos depois, ele foi solto
Legenda: Piloto Felipe Ramos Morais acabou preso no Estado de Goiás, em maio de 2018. Quase três anos depois, ele foi solto
Foto: Reprodução

O piloto Felipe Ramos Morais, acusado de participar das mortes dos líderes de uma facção criminosa paulista, Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue', e Fabiano Alves de Sousa, o 'Paca', no Ceará, foi absolvido em outro processo criminal, que respondia na Justiça Federal no Mato Grosso do Sul, pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação para o tráfico.

A sentença, obtida pela reportagem do Diário do Nordeste, foi proferida pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, na última quinta-feira (16), condenou 15 réus e absolveu sete investigados, em decorrência da Operação Laços de Família. A ação foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 2018 para desarticular um braço da facção paulista que trazia drogas do Paraguai para o Brasil, pela fronteira do Mato Grosso do Sul.

A ofensiva policial apreendeu cerca de 30 toneladas de maconha, aeronaves, veículos de luxo, armas de fogo e outros bens.

O juiz federal considerou que não existiam provas suficientes na denúcia do Ministério Público Federal (MPF) para condenar Felipe Morais por lavagem de dinheiro e por associação criminosa. O réu ainda colaborou com as investigações da PF, que resultaram na 'Laços de Família', através de delação premiada.

Uma aeronave apreendida na Operação estava no nome da mãe de Felipe, mas ela "não apresentava capacidade financeira para adquirir este helicóptero", segundo a decisão judicial. O réu confessou que utilizava a aeronave, mas que a mesma pertencia a Vagner Ferreira da Silva, o 'Cabelo Duro', um chefe da facção paulista que também tem relação com os assassinatos de 'Gegê do Mangue' e 'Paca' no Ceará.

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A delação firmada entre Felipe Morais e a Polícia Federal também colaborou com outras duas operações contra a organização criminosa paulista, que tinham como alvo o núcleo financeiro da mesma ligado a lavagem de dinheiro (de recursos do tráfico de drogas e de corrupção): a 'Tempestade', deflagrada em maio deste ano; e a 'Rei do Crime', de setembro de 2020. Juntas, as operações bloquearam quase R$ 1 bilhão em contas bancárias.

Piloto está solto desde abril deste ano

Investigado na Operação Laços de Família, Felipe Ramos Morais acabou preso no Estado de Goiás, em maio de 2018, por força de um mandado de prisão da Justiça Estadual do Ceará, por participação nos assassinatos de 'Gegê do Mangue' e 'Paca'. Conforme as investigações policiais, Felipe realizou o voo que levou as vítimas para uma emboscada fatal, em uma reserva indígena em Aquiraz, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), em fevereiro daquele ano.

Quase três anos depois, Felipe foi solto pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), em abril deste ano. O Poder Judiciário cearense considerou o quadro de saúde debilitado do réu - que utiliza um balão intragástrico que já explodiu - para conceder a liberdade provisória. Além disso, o piloto perdeu mais de 30 kg na prisão - por fazer greve de fome - utiliza medicamentos controlados e até tentou suicídio no cárcere.

Ao contrário do que aconteceu na Justiça Federal no Mato Grosso do Sul, a Justiça Estadual do Ceará não reconheceu a delação premiada com Felipe Morais. O réu negociou a colaboração com o Ministério Público do Ceará (MPCE), mas o Órgão acusatório negou ter assinado o acordo. Mesmo assim, as informações repassadas por ele foram utilizadas na investigação policial.

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Legenda: Localização do helicóptero utilizado para matar os líderes do PCC foi indicada pelo piloto Felipe Morais

Outras nove pessoas são acusadas pelo duplo homicídio. Seis estão presas e três seguem foragidas. 'Cabelo Duro', dono da aeronave apreendida na Operação Laços de Família, foi apontado pela investigação como articulador do crime cinematográfico, mas acabou assassinado a tiros em São Paulo, poucos dias depois.

O processo, que está na fase de instrução na Justiça Estadual, já teve quatro audiências, com a oitiva de 19 pessoas - entre réus e testemunhas.

Os réus do duplo homicídio:

  • André Luís da Costa Lopes, o 'Andrezinho da Baixada', preso em São Paulo em outubro de 2019;
  • Carlenilton Pereira Maltas, o 'Ceará', preso em Sergipe em abril de 2019;
  • Erick Machado Santos, o 'Neguinho Rick da Baixada', foragido;
  • Felipe Ramos Morais, preso em Goiás em maio de 2018 e solto pelo TJCE em abril de 2021;
  • Gilberto Aparecido dos Santos, o 'Fuminho', preso em Moçambique em abril de 2020;
  • Jefte Ferreira Santos, preso em São Paulo em janeiro de 2019;
  • Maria Jussara da Conceição Ferreira Santos (mãe de Jefte Santos), foragida;
  • Renato Oliveira Mota, foragido;
  • Ronaldo Pereira Costa, preso em Santa Catarina;
  • e Tiago Lourenço de Sá de Lima, o 'Tiririca', preso em São Paulo em agosto de 2021.

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