Justiça decide que advogado suspeito de matar Jamile deve continuar solto

A Polícia Civil havia pedido a prisão temporária de Aldemir Pessoa Júnior por entender que ele vem atrapalhando as investigações

Legenda: O casal havia se conhecido e começado a namorar há poucos meses

O Poder Judiciário cearense decidiu que o advogado Aldemir Pessoa Júnior, suspeito de matar a empresária e namorada Jamile de Oliveira Correia, 47, deve continuar em liberdade. A Polícia Civil pediu a prisão temporária de Pessoa apontando nos autos que o advogado vem tentando prejudicar as investigações, mas, conforme entendimento da Justiça, as contradições nos depoimentos colhidos não são suficientes para validar a custódia.

Na decisão, o juiz Edson Feitosa dos Santos Filho, destacou que o Ministério Público do Ceará (MPCE) também se posicionou contra a prisão temporária. O magistrado determinou  uma busca no apartamento onde ocorreu o suposto crime, no entanto, a Polícia Civil já realizou buscas no imóvel. Ainda de acordo com pedido do juiz, as armas do advogado devem ser entregues às autoridades, o que também já aconteceu.

A decisão prevê que as seguintes medidas cautelares sejam cumpridas pelo advogado suspeito: afastamento e proibição de frequentar o apartamento da vítima, proibição de manter contato com as testemunhas do inquérito policial, manter distância do filho de Jamile, proibição de se ausentar da comarca sem ter autorização da Justiça e que ele entregue seu passaporte dentro de 24 horas.

Investigação

Conforme os autos, ao pedir a prisão, a Polícia Civil pontuou que Aldemir Pessoa Júnior teria alterado as condições do local do fato, inclusive apagando vestígios da ação que resultou na morte de Jamile, influenciado o depoimento do filho da vítima e se apresentado às autoridades dias depois "impossibilitando a realização do exame residuográfico".

O advogado passou a ser suspeito por feminicídio no dia seguinte ao velório e enterro de Jamile. A mulher foi socorrida ao Instituto Doutor José Frota (IJF) na madrugada do dia 30 de agosto e morreu no dia seguinte. De início, o caso se tratava de um suicídio, mas atitudes de Aldemir Pessoa Júnior junto ao laudo cadavérico do corpo da empresária, que demonstrou qual foi a trajetória da bala, levantaram suspeitas.

Nesta quinta-feira (19), o Sistema Verdes Mares obteu com exclusividade o resultado do exame residuográfico feito pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) nas mãos de Jamile. O laudo apontou que não foi encontrado chumbuco nas mãos da empresária. Para família e amigos da empresária, o ocorrido não se tratou de um suicídio, mas sim um crime premeditado pelo namorado da mulher.

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