Integrante do CV acusado de matar homem e enterrar corpo em 'cova rasa' no Ceará é solto

O homicídio ocorreu em Icapuí, no litoral do Ceará, em 2024. A vítima foi atraída a um local de difícil acesso sob falso pretexto de resolver uma dívida de drogas.

Escrito por
Matheus Facundo matheus.facundo@svm.com.br
Fachada do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), em Fortaleza. O prédio moderno é elevado sobre pilares de concreto, com grandes janelas de vidro refletindo o céu. Em primeiro plano, há um jardim gramado e um letreiro com a inscrição TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ
Legenda: A decisão do habeas corpus foi proferida pela Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).
Foto: Alex Costa de Oliveira/Ascom TJCE.

Um homem identificado como Luiz Ismael de Holanda Furtado Fonseca, o 'Mael', acusado de matar Vanderley da Costa Germano por uma dívida de drogas com a facção Comando Vermelho (CV) em Icapuí, no litoral leste do Ceará, teve pedido de habeas corpus concedido no último dia 7 de abril. O jovem de 21 anos estava preso há cerca de dois anos sem previsão de julgamento, fato que foi um dos motivadores para a soltura, conforme a decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE).

Ismael é réu na Justiça do Ceará por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver, ao lado do comparsa Allan Lima do Carmo, o 'Gordinho', que também pediu habeas corpus ao TJCE, por meio da Defensoria Pública. Conforme o pedido da defesa de 'Mael' e a decisão do Poder Judiciário, a demora no andamento do processo traz prejuízo ao réu

A ação criminal está paralisada há cerca de dez meses, devido a pedidos de diligências. A decisão da Turma da Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), que foi unânime, considerou "excesso de prazo na formação da culpa" e acatou a tese da defesa de que os ritos processuais já se prolongam "por tempo superior ao razoável", evidenciando constrangimento ilegal.

O relator do caso foi o desembargador Francisco Carneiro Lima. O magistrado determinou que Ismael deve cumprir as seguintes medidas cautelares para a manutenção da liberdade: 

  1. Comparecimento mensalmente no Juízo, onde tramita a ação penal, para informar e justificar suas atividades; 
  2. Proibição de ausentar-se da comarca sem autorização judicial; 
  3. Recolhimento domiciliar das 19h às 7h e em dias de folga;
  4. Monitoramento eletrônico. 

Em contrapartida, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), que denunciou os réus, se manifestou contra o habeas corpus. O órgão acusatório ponderou que a instrução criminal foi finalizada em 3 de junho de 2025, restando somente o "cumprimento de diligências requeridas pelas partes", mas reconheceu que o alongamento do processo poderia resultar na ilegalidade apontada pela defesa. 

O Diário do Nordeste solicitou um posicionamento à defesa de Luiz Ismael, mas ainda não recebeu resposta até a publicação desta matéria.  

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Dívida de drogas com o CV 

De acordo com a acusação do MPCE, o homicídio foi cometido devido a uma dívida de drogas da vítima com o CV. As investigações apontam que o crime ocorreu dia 31 de janeiro de 2024, quando Vanderley foi atraído para ser morto em um local de difícil acesso, na Comunidade da Redonda, em Icapuí. 

O pretexto usado pelos acusados era resolver a pendência financeira, mas, ao chegar no local, a vítima foi atacada com golpes de paus e pedras e asfixiada. Após a sessão de tortura, o corpo de Vanderley foi escondido em uma vala comum. 

A família de Vanderley comunicou à Delegacia Municipal de Icapuí sobre o desaparecimento. As diligências da Polícia Civil apontaram que ele havia sido visto por último dia 30 de janeiro daquele ano. 

A então companheira da vítima relatou que ele chegou na casa dela com uma pessoa conhecida como 'Gordinho', que seria Allan, apesar de ele negar a alcunha durante os interrogatórios. Após um certo tempo, Ismael e Allan teriam ido em direção à praia, e Vanderley posteriormente os seguiu. 

O MPCE disse ainda na denúncia que a testemunha assistiu ao vídeo do assassinato da vítima e soube quem era um dos então suspeitos por uma tatuagem. Ela reconheceu Allan por meio de uma fotografia mostrada pela Polícia Civil. 

Morte foi fotografada

O caso avançou com a prisão de 'Mael' no dia 2 de fevereiro de 2024, após ele ser visto na Praia de Canoa Quebrada. Policiais militares do Batalhão Especializado em Policiamento do Interior (Bepi) entrevistaram o então suspeito informalmente e ele confessou o crime e ainda indicou a localização do corpo de Vanderley.

"Por ocasião da referida, o denunciado esclareceu que Vanderley foi assassinado em razão de uma dívida com o Comando Vermelho, e que ele foi morto através do uso de paus e pedras. Por fim, o acusado indicou que o corpo da vítima foi enterrado na comunidade de Redonda, próximo à Pousada Oh!Linda", narrou o MP do Ceará na peça acusatória. 

O celular do acusado foi apreendido à época e os peritos encontraram fotos da vítima estrangulada, ensanguentada e enterrada. Uma foto de Allan também foi achada no aparelho de Ismael, o que levou à prisão dele depois. 

"Sendo assim, o motivo que levou a vítima Vanderley da Costa Germano ao óbito, conforme depoimentos testemunhais, teria sido em razão de uma irrisória dívida de drogas, o que evidencia o motivo fútil. Outrossim, a forma como o delito foi praticado, após uma traição e através de asfixia e golpes de pedras e paus, evidencia a crueldade com que o delito foi praticado".
MPCE
Em denúncia oferecida contra o réu

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