'Eles eram a alegria de todo mundo', desabafa filho de casal cearense assassinado no Rio de Janeiro

Os corpos chegam a Fortaleza, onde os idosos moravam, na próxima terça-feira (28)

Escrito por Matheus Facundo , matheus.facundo@svm.com.br

Segurança
felipe coelho e oselia e geraldo coelho em foto durante viagem ao rio de janeiro
Legenda: Os idosos foram visitar o filho e voltariam para Fortaleza no dia 28 de junho
Foto: Reprodução

A morte do casal de idosos cearenses Geraldo Pereira Coelho, de 73 anos, e Oselia da Silva Coelho, 72, abalou a família e deixou marcas permanentes no filho, o professor de inglês e música Felipe da Silva Coelho, que os encontrou. A suspeita inicial da Polícia é de que eles foram assassinados pelo ex-genro, o oficial da Marinha Cristiano da Silva Lacerda, 49. "Não esperava ver aquela cena, eu só queria ver minha mãe", diz Felipe.

Os corpos chegam a Fortaleza, onde os idosos moravam, somente na próxima terça-feira (28), devido à indisponibilidade voos, segundo Felipe relata. Será o mesmo dia em que a viagem de volta do casal estava marcada. O velório e o enterro ocorrem no cemitério Jardim Metropolitano. Geraldo e Oselia moravam na Cidade dos Funcionários. 

Segundo Felipe da Silva, ambos têm famílias grandes e "eram muitos amados": "Eles eram a alegria de todo mundo. Minha mãe alegrava as festas, ela era super brincalhona, sorridente, adorava conversar, andar e passear", relembra. 

Já o pai, Geraldo, complementava dona Oselia: era "super tranquilo, de um coração enorme, super humildade". O filho mais novo do casal, que mora no Rio de Janeiro desde 2020, falou dos últimos dias com os pais e disse que eles "estavam cuidando dele". 

"Minha mãe gostava muito de viajar, sempre viajava com meu irmão. Meu pai não tanto, mas ele estava animado com essa viagem porque ele gostava de fazer caminhada e eu morava perto de uma lagoa", comenta o professor de inglês. 

Ambos eram aposentados e dividiram uma vida de muita fé. Felipe conta que eles nunca perdiam uma missa de domingo. Geraldo e Oselia eram casados há 46 anos e tiveram três filhos e três netos: "Eles eram completamente apaixonados [pelos netos], eram como se fosse os segundos pais deles". 

Felipe está com amigos em Copacabana, longe do apartamento no Jardim Botânico, onde os pais foram mortos a facadas. Ele está organizando a papelada para o traslado dos corpos para Fortaleza, onde ele "vai passar um tempo" com a família. O músico ainda não sabe os próximos passos de sua vida e nem se voltará ao Rio de Janeiro. 

Crime 

Conforme as investigações, o crime teria sido motivada por uma crise de ciúmes por parte do ex-namorado do filho dos idosos. O casal estava separado há cerca de um mês, mas ele continuava morando no apartamento de Felipe. 

Felipe encontrou os pais já mortos após receber uma mensagem de Cristiano avisando que sua mãe estava passando mal. "Ele estava mentindo". Ainda incrédulo com o assassinato, Felipe conta que o ex sempre foi "muito explosivo", mas que não esperava que ele fosse capaz de machucar seus pais. 

"Eu pensava que ia encontrar minha mãe com uma gripe ou algo do tipo, pois ele tinha me mandado mensagem falando da saúde dela", recorda.

As vítimas foram encontradas no sofá-cama da sala. Já o homem apontado como autor do crime estava desacordado, em elevado estado de embriaguez, segurando uma faca suja com sangue e tendo uma garrafa de bebida alcoólica ao lado. 

Além disso, caixas da medicação controlada Clonazepan foram encontradas no imóvel.