Casal de empresários tem carga de R$ 60 mil furtada durante mudança do PR para o CE
Família denuncia crime de estelionato contra empresa de frete.
Um casal de empresários cearenses que morava no Paraná foi vítima de um golpe de estelionato após ter toda a carga furtada durante a mudança da cidade de Araucaria (PR) para a capital Fortaleza (CE) em fevereiro. Todo o prejuízo é calculado no valor de R$ 60 mil.
Itens como geladeira, máquina de lavar, cama de casal e de solteiro, televisão, mesas, itens de decoração de alto valor, roupas, brinquedos e até documentos pessoais foram levados.
As vítimas apontam como suspeito do crime Allan Júnior Fernandes, da A & E Transportes e Cargas.
A Polícia Civil do Ceará (PCCE) informou que o caso foi transferido para a Polícia Civil do Paraná (PCPR). Em nota, a PCPR informou que está investigando o caso e realiza as diligências necessárias para o esclarecimento do ocorrido.
[ATUALIZADA ÀS 15H05 de 7 de abril]
Ao Diário do Nordeste, a defesa de Allan Júnior Fernandes afirmou que ele não foi o responsável pelo transporte até Fortaleza, tendo apenas realizado um "trecho subsequente" do transporte.
Boletim de ocorrência
Um boletim de ocorrência foi registrado pelo casal Thiago Veloso e Andréa Veloso, empresários do ramo de eventos, no dia 24 de março, na Polícia Civil do Ceará.
Conforme relatado no documento, a carga foi entregue a Allan no município de Araucaria, onde Thiago e Andréa moravam, no dia 18 de fevereiro, e tinha como destino Fortaleza. A mudança foi feita por intermédio de José Costa, da empresa Costa Rica Mudanças, e custou R$ 3 mil, quantia paga via Pix.
Em entrevista ao Diário do Nordeste, Andréa afirmou que o prejuízo foi muito além do financeiro e trouxe impactos psicológicos para toda a família.
"Ficamos tão desolados, que a sensação que tivemos não queremos que ninguém sinta. Quando meu marido viu a foto dele no computador, ficou desesperado e chorando muito", conta a empresária.
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Enquanto a família retornava para Fortaleza de carro, o suspeito foi "ganhando tempo", relata Andréa. O casal chegou a fazer ligações de vídeo com Allan, mas ele demorava a responder, até que desativou o WhatsApp e não atendia mais as ligações.
"Primeiro ele alegou que o caminhão tinha quebrado e estava esperando uma peça de São Paulo, depois, disse que estava na Bahia", relembra a empreendedora. Segundo Andréa, no último contato, Allan alegou que estava a 300 km de Fortaleza.
A desconfiança sobre a entrega do serviço foi crescendo, e as suspeitas se confirmaram quando Andréa fez uma pesquisa com o nome de Allan Júnior Fernandes na internet e descobriu os antecedentes de estelionato.
"É uma quadrilha que atua no Paraná. Ele já fez várias vítimas no Brasil todo. A gente está sem chão, porque ele levou tudo que a gente tinha. Eu não tenho uma colher para colocar dentro de casa. Ele só não levou a nossa fé e a nossa família", desabafa a empresária.
O que diz a defesa
Em nota enviada ao Diário do Nordeste, a defesa de Allan Júnior Fernandes alegou que ele não foi o responsável pelo transporte até Fortaleza, tendo apenas realizado um "trecho subsequente" do transporte. Segundo o advogado David Hamilton, o "eventual extravio" ocorreu após o cumprimento da obrigação de Allan.
"O serviço contratado por intermédio de José Costa (Costa Rica Mudanças) abrangia, exclusivamente, a coleta e o transbordo da carga em Curitiba/PR. A responsabilidade pelo transporte até o Ceará cabia a outro operador logístico, contratado pela própria empresa Costa Rica Mudanças para realizar o trecho subsequente. Allan foi apenas um elo inicial da cadeia — e cumpriu sua parte", diz a nota.
A defesa afirma ainda que Allan se coloca à disposição das autoridades para "prestar todos os esclarecimentos necessários, indicar o nome e os dados do operador responsável pelo segundo trecho e comprovar documentalmente o transbordo realizado".