Buffet infantil é investigado por estelionato em Fortaleza; clientes denunciam serviços incompletos

Uma cliente teve a festa da filha cancelada com 24 horas de antecedência. Trabalhadores também denunciam dona da empresa

Escrito por Matheus Facundo, Lygia Azevedo e Fernanda Aires ,

Segurança
fachada do buffet laliboom, em fortaleza
Legenda: Ex-funcionários do local também denunciaram descaso do buffet localizado no bairro Luciano Cavalcante
Foto: Reprodução

Denúncia de estelionato contra a proprietária de um buffet infantil em Fortaleza é investigada pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE). Segundo consumidores, houve transtornos em festas de aniversário e também de formatura do ABC marcadas para o Laliboom, localizado no bairro Luciano Cavalcante, em Fortaleza,

Uma mulher, inclusive, teve um evento cancelado 24 horas antes e não teve mais notícia do estabelecimento para conseguir uma explicação. 

"Eu nem sou muito de festa, mas meu esposo quis que a gente celebrasse a alegria que é essa filha na nossa vida. Ela [a responsável do buffet] mexeu não só com meu financeiro, mas com o lado afetivo, e isso não pode ficar assim", desabafa a mulher, que prefere não ser identificada. 

Segundo a vítima, a dona do buffet informou que teria de se submeter a uma cirurgia e, por isso, não poderia mais oferecer a festa. No contrato, estavam previstos todo o serviço de buffet, incluindo lanches infantis, além de brinquedos e doces. O prejuízo foi de mais de R$ 7 mil. Os pais da aniversariante foram informados que poderiam remarcar tudo, mas já não dava mais tempo.

Em entrevista à TV Verdes Mares nessa quarta-feira (11), ela conta que a festa aconteceu na data prevista, mas em outro buffet e com ajuda de familiares: "Consegui fazer graças a minha família. Se fosse por mim, tanto por condições psicológicas como financeiras, eu não teria como fazer".

 O Diário do Nordeste não conseguiu contato com os responsáveis pelo buffet pelos contatos fornecidos para comentar as denúncias. 

A professora e o marido registraram um Boletim de Ocorrência (B.O) nesta quinta-feira (12) na Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF). Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) confirma que a especializada vai apurar o caso. 

"A PC-CE orienta que outras pessoas que tenham sido vítimas de crimes dessa natureza registrem Boletim de Ocorrência (BO), por meio do qual podem ser fornecidas outras informações para subsidiar as apurações", diz a pasta.

Serviço incompleto 

A outra reclamação sobre o buffet infantil é referente a uma festa de formatura de ABC, com 14 crianças formandas. A mãe de uma menina que estava se formando denunciou que as comidas acabaram "muito cedo" no dia do evento. 

"Tivemos muitos problemas. Éramos um grupo de 13 mães e havíamos quitado todo o contrato e no dia o jantar acabou e ficou uma fila de convidados com o prato na mão, com fome. Foi um constrangimento enorme para todas", aponta.

A mulher, que também pediu para não ser identificada, conta que o grupo tentou resolver com a contratada, mas relata que ela foi "muito arrogante". 

"Ela não quis arcar com as consequências. Nós consultamos advogados e queríamos entrar com uma ação, mas muitas mães acabaram desistindo do processo por conta de todo o trabalho que daria", comenta, em entrevista à TV Verdes Mares nessa quarta. 

"A sensação que eu tive é de uma frustração muito grande, uma tristeza e ao mesmo tempo revolta, porque é um momento único. Aquele momento não volta, e de repente acabou se tornando um pesadelo. Eu me senti muito prejudicada e impotente diante da situação".

Direitos dos clientes

Conforme Beatriz Moreira, membro da Comissão de Direto do Consumidor da Organização dos Advogados do Brasil Secção Ceará (OAB-CE), clientes devem fazer reclamações a órgãos de defesa do consumidor assim que se sentirem lesados. 

"É importante que o consumidor fique atento às cláusulas dos contratos e também investigar se a empresa é séria e tem boas referências, para evitar cair em um golpe", comenta. 

A advogada diz ainda que os clientes têm direito a reembolso ou uma nova prestação de serviço, que seja equivalente ao que foi prometido em contrato. 

Ex-funcionários 

Ex-funcionários do Laliboom contaram à reportagem que, além das más práticas com clientes, o estabelecimento é alvo de processos trabalhistas por falta de pagamento. 

Cleber Carneiro, cenógrafo que trabalhou 13 anos no buffet, conta que teve de se distanciar por conta de uma cirurgia e nunca mais foi respondido pela dona do estabelecimento. "Ela não é uma pessoa para administrar buffet. Ela está devendo muito, tanto a parceiros e a nós todos [ex-funcionários]", relata. 

A consultora de eventos Martina Coelho relatou que foi demitida no início da pandemia, enquanto estava grávida. Ela nunca recebeu as contas e disse também que nunca deram baixa em sua carteira de trabalho

"Não consigo me recolocar no mercado de trabalho pois minha carteira continua assinada por eles. Essa prática dela é comum, ela não está nem aí. Ela precisa ser parada. Tentei procurá-la, pedir meu último salário pois estava com minha mãe doente, mas ela só zombava", denuncia. 

De acordo com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), há 10 processos trabalhistas tramitando contra o Laliboom Buffet. A empresa foi condenada em um processo trabalhista no dia 13 de setembro de 2021. A empresa foi notificada do resultado e devia ter apresentado defesa ou até recorrido, mas conforme o órgão, não se manifestou, "o que caracteriza revelia".