Agente socioeducativo é agredido por jovens infratores em centro educacional de Fortaleza

Três jovens maiores de idade foram conduzidos à delegacia, após atuarem nas agressões

Escrito por Matheus Facundo e Rafaela Duarte, seguranca@svm.com.br

Segurança
machucados de agente socioeducativo na mão e nos braços
Legenda: O agente teve ferimentos no rosto, no braço e na mão, feitos por meio de cortes de gilette, pedradas e vassouradas
Foto: Arquivo pessoal e Rafaela Duarte/SVM

Um agente socioeducativo de 24 anos foi agredido por um grupo de cerca de 10 jovens infratores no Centro Educacional Cardeal Aloísio Lorscheider (Cecal), no bairro Planalto Ayrton Senna, em Fortaleza. A violência ocorreu durante uma sessão de atendimentos médicos nessa segunda-feira (6) e terminou com três conduzidos ao 13º Distrito Policial (DP).

O funcionário, que não será identificado por motivos de segurança, tentou conter um interno chateado com a demora em seu atendimento, quando ele se revoltou e o atacou com uma gilette. Logo após, uma série de agressões, com a participação de um grupo maior, se deu com pedradas e diversos objetos. 

O agente teve ferimentos no rosto, no braço e na mão. "Me defendi com a mão e tentei sair, quando começaram a jogar coisas em mim e eu fiquei desnorteado, quando me virei tinha outros me esperando com um cabo de vassoura. Só conseguir sair quando meus colegas escutaram e chegaram", conta. 

Perigo constante 

Em entrevista ao Sistema Verdes Mares, o trabalhador, que está há quatro anos como agente socioeducativo, relata que não é a primeira vez que é agredido ou ameaçado. Ele ainda conta que estava dando conta sozinho de um bloco com 14 jovens.

"O contingente está baixo e somos obrigados a trabalhar com poucas pessoas e acabamos passando por esse tipo de perigo todos os dias. Tenho certeza que se eu continuar no sistema não será a última agressão", desabafa.

Segundo a Superintendência do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo (Seas), o colaborador está sendo acompanhado pelo Núcleo de Saúde da Superintendência.

Sobre os agressores, a Seas informa que eles serão responsabilizados pela Comissão Disciplinar da unidade. Serão apuradas ainda quaisquer irregularidades que possam haver, por meio da Corregedoria

O Centro Educacional em questão atende adolescentes e jovens de 18 a 21 anos do sexo masculino sentenciados na justiça. 

Flagrante 

Após as agressões, o agente prestou depoimento no 13º DP, no bairro Cidade dos Funcionários, além de fazer exame na Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce).

Segundo a reportagem apurou, três internos, todos maiores de 18 anos, foram levados à unidade policial. A vítima declarou que soube que seria lavrado apenas um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), que serve para delitos de menor impacto.

Conforme a Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE), "todos os envolvidos foram ouvidos e fizeram exames periciais". O TCO foi registro de acordo com previsão em lei, "por lesão leve com representação da vítima". O caso foi transferido para o 8º DP.