Xilogravura contribui para expandir cordel
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Redação
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Evento discute a importância da literatura de cordel, como meio de manter a cultura do nordestino
Juazeiro do Norte. Por ser atualmente um dos pólos geradores de novos xilógrafos e poetas do Brasil, Juazeiro do Norte passa a ser o centro de debates e reflexões a respeito da arte que atravessou fronteiras. Considerado o ´veículo de comunicação dos sertanejos´, a instalação do seminário “100 anos da xilogravura ilustrando o cordel” contou com a participação de estudiosos no assunto, xilógrafos e autoridades locais, leitura dramática do folheto “A chegada de Lampião no Inferno” e a história do cordel em versos. Segundo o coordenador do evento, Geová Sobreira, professor da Universidade de Brasília (UnB), a finalidade do seminário foi promover debates e reflexões a cerca da temática, mas ressaltar a contribuição dessa arte para expandir o cordel e dar uma nova dimensão às artes plásticas.
A expansão de escolas tem sido constante, “tanto é que em várias universidades do Brasil, já se ensina a arte da xilogravura”, diz. Por vários anos, conforme o coordenador, foi decretada a morte do cordel. Nos anos 40 e 50, período de efervescência dessa arte, houve uma grande expansão no número de xilógrafos e Juazeiro do Norte entra com uma arte refinada, cheia de detalhes. Sobreira destacou a figura de João Pereira da Silva como um dos mais representativos xilógrafos, quase chegando à perfeição de sua arte.
Estudiosos chegaram a decretar a morte do cordel nos anos 60. De acordo com Geová Sobreira, atualmente há uma safra de novos xilógrafos, até maior do que a que existiu nos anos de maior efervescência. Em Juazeiro do Norte, a cordelista Maria do Rosário da Cruz destaca o trabalho do Sesc Cordel, como fomentador da arte da xilo e do cordel. Ela pertence à Academia de Cordelista do Crato. Os novos poetas de Juazeiro, aderiram ao movimento da Academia dos Cordelistas Mauditos. Rosário trouxe em forma de versos a história do cordel. Momentos em que os poetas que percorriam o Nordeste tinham que pagar impostos das calçadas que ocupavam para promover a arte.
O reitor da Universidade Regional do Cariri (Urca), Plácido Cidade Nuvens, representou o secretário de Ciência e Tecnologia do Estado, René Barreira. Ele destacou o momento oportuno para relembrar os 100 anos da xilogravura ilustrando o cordel, e destacou o papel na reviravolta sobre o tema que a universidade colocou. Destacou o papel de Miguel Arraes, em Pernambuco, no período da ditadura militar, com sua importante contribuição na construção de bases de resistência da cultura popular.
“Juazeiro vive um momento de sintonia nacional”, diz, ao lembrar dos 80 anos de Ariano Suassuna, que também soube valorizar a xilogravura em seu trabalho. A “xilo no cordel é uma formidável convergência. Uma mostra da força criativa do espírito sertanejo”, destaca. “Ao acrescentar o momento de comemoração de uma conquista do povo nordestino, com a xilogravura, que tem seu foco de resistência e expansão em Juazeiro”, completa. O reitor acrescenta a contribuição à cultura com o implemento dos cursos de Artes Visuais e Teatro, no município de Barbalha.
O professor Jesualdo Pereira Faria, reitor em exercício da Universidade Federal do Ceará (UFC), irá presidir, a partir das 15 horas de hoje, o tema “Padre Cícero: Cordel e Xilogravura”, com o professor doutor da UFC, Gilmar de Carvalho.
Publicação
Foram mais de 500 cordéis publicados, trazendo a trajetória do mito religioso do sertão, que teve no cordel um dos principais meios de divulgação. Às 20 horas, haverá apresentação da orquestra de Rabecas, na praça padre Cícero, com música para o povo. No dia 13, a conferência será “A Xilogravura na literatura popular”, com a presidência do secretário de Cultura do Estado, Francisco Auto Filho, e palestra do sociólogo e estudioso da cultura popular, Eduardo Diatahy. À noite, serão realizadas leituras dramáticas na praça Padre Cícero, com “A Noite de Lampião”. No dia 14, haverá sessão solene de encerramento no Memorial Pare Cícero com o recital.
Mais informações:
Secretaria de Cultura
Rua Catulo da Paixão Cearense
Bairro: Triângulo
Juazeiro do Norte
(88) 3571-3244 / 8826-4010
ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter
Juazeiro do Norte. Por ser atualmente um dos pólos geradores de novos xilógrafos e poetas do Brasil, Juazeiro do Norte passa a ser o centro de debates e reflexões a respeito da arte que atravessou fronteiras. Considerado o ´veículo de comunicação dos sertanejos´, a instalação do seminário “100 anos da xilogravura ilustrando o cordel” contou com a participação de estudiosos no assunto, xilógrafos e autoridades locais, leitura dramática do folheto “A chegada de Lampião no Inferno” e a história do cordel em versos. Segundo o coordenador do evento, Geová Sobreira, professor da Universidade de Brasília (UnB), a finalidade do seminário foi promover debates e reflexões a cerca da temática, mas ressaltar a contribuição dessa arte para expandir o cordel e dar uma nova dimensão às artes plásticas.
A expansão de escolas tem sido constante, “tanto é que em várias universidades do Brasil, já se ensina a arte da xilogravura”, diz. Por vários anos, conforme o coordenador, foi decretada a morte do cordel. Nos anos 40 e 50, período de efervescência dessa arte, houve uma grande expansão no número de xilógrafos e Juazeiro do Norte entra com uma arte refinada, cheia de detalhes. Sobreira destacou a figura de João Pereira da Silva como um dos mais representativos xilógrafos, quase chegando à perfeição de sua arte.
Estudiosos chegaram a decretar a morte do cordel nos anos 60. De acordo com Geová Sobreira, atualmente há uma safra de novos xilógrafos, até maior do que a que existiu nos anos de maior efervescência. Em Juazeiro do Norte, a cordelista Maria do Rosário da Cruz destaca o trabalho do Sesc Cordel, como fomentador da arte da xilo e do cordel. Ela pertence à Academia de Cordelista do Crato. Os novos poetas de Juazeiro, aderiram ao movimento da Academia dos Cordelistas Mauditos. Rosário trouxe em forma de versos a história do cordel. Momentos em que os poetas que percorriam o Nordeste tinham que pagar impostos das calçadas que ocupavam para promover a arte.
O reitor da Universidade Regional do Cariri (Urca), Plácido Cidade Nuvens, representou o secretário de Ciência e Tecnologia do Estado, René Barreira. Ele destacou o momento oportuno para relembrar os 100 anos da xilogravura ilustrando o cordel, e destacou o papel na reviravolta sobre o tema que a universidade colocou. Destacou o papel de Miguel Arraes, em Pernambuco, no período da ditadura militar, com sua importante contribuição na construção de bases de resistência da cultura popular.
“Juazeiro vive um momento de sintonia nacional”, diz, ao lembrar dos 80 anos de Ariano Suassuna, que também soube valorizar a xilogravura em seu trabalho. A “xilo no cordel é uma formidável convergência. Uma mostra da força criativa do espírito sertanejo”, destaca. “Ao acrescentar o momento de comemoração de uma conquista do povo nordestino, com a xilogravura, que tem seu foco de resistência e expansão em Juazeiro”, completa. O reitor acrescenta a contribuição à cultura com o implemento dos cursos de Artes Visuais e Teatro, no município de Barbalha.
O professor Jesualdo Pereira Faria, reitor em exercício da Universidade Federal do Ceará (UFC), irá presidir, a partir das 15 horas de hoje, o tema “Padre Cícero: Cordel e Xilogravura”, com o professor doutor da UFC, Gilmar de Carvalho.
Publicação
Foram mais de 500 cordéis publicados, trazendo a trajetória do mito religioso do sertão, que teve no cordel um dos principais meios de divulgação. Às 20 horas, haverá apresentação da orquestra de Rabecas, na praça padre Cícero, com música para o povo. No dia 13, a conferência será “A Xilogravura na literatura popular”, com a presidência do secretário de Cultura do Estado, Francisco Auto Filho, e palestra do sociólogo e estudioso da cultura popular, Eduardo Diatahy. À noite, serão realizadas leituras dramáticas na praça Padre Cícero, com “A Noite de Lampião”. No dia 14, haverá sessão solene de encerramento no Memorial Pare Cícero com o recital.
Mais informações:
Secretaria de Cultura
Rua Catulo da Paixão Cearense
Bairro: Triângulo
Juazeiro do Norte
(88) 3571-3244 / 8826-4010
ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter