Vida de Humberto Teixeira é retratada em documentário

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Iguatu (Sucursal) – Nesta semana, uma equipe de técnicos de som e cinegrafistas realizou, nesta cidade e na região do Cariri, as últimas filmagens do documentário “O homem que engarrafava nuvens”, título definitivo do longa metragem sobre a vida do compositor Humberto Teixeira, o ´Doutor do Baião´. As locações foram acompanhadas pela filha do poeta, a atriz Denise Dummont, radicada em Nova York.

Esta é a segunda vez que Denise Dumont visita Iguatu, a cidade onde nasceu Humberto Teixeira, em 1905. Em julho do ano passado, ela esteve aqui para conhecer a terra natal do pai e escolher as locações. “O filme vai contar a trajetória de Humberto Teixeira de Iguatu para o mundo”, disse. “Vai ser muito musical e com depoimentos sobre a importância da música que ele criou”.

Em 2002, Denise Dumont ainda estava atrás de patrocínio e angariando recursos para viabilizar a filmagem do documentário. É um projeto que vem desde 2002. Conta com o apoio do BNB, Petrobras, Eletrobrás e BNDES. “Infelizmente faltou apoio do governo do Ceará, mas estou concluindo o documentário com a metade dos recursos que estavam previstos”, explicou Denise.

Foram feitas imagens da Igreja de Senhora Sant´Ana, da casa onde nasceu o compositor, em 1905, na Praça da Matriz, do Rio Jaguaribe e da rodovia CE-060 (Estrada do Algodão) oficialmente denominada Humberto Teixeira, do trecho entre a cidade de Iguatu e Quixadá de acordo com lei estadual de 1995.

Ao entardecer, na praça Demóstenes de Carvalho, conhecida como Abrigo Metálico, um ponto de encontro de populares, foram gravadas imagens de apresentação dos músicos Jeová Fernandes (sanfona), Azulão (triângulo e voz) e Valmir (zabumba) que tocaram e cantaram composições de Humberto Teixeira, em parceria com Luiz Gonzaga. Trechos de ´Asa Branca´, ´Juazeiro´, ´Paraíba´, ´No meu pé de serra´, ´Assum Preto´, dentre outros sucessos foram gravados.

Depois, a dupla de violeiros, Chico Alves e Jonas Bezerra, pai e filho, improvisaram versos sobre a importância do compositor Humberto Teixeira para a cultura nordestina e o trabalho de resgate da vida do pai, feito pela filha. Denise Dummont mostrou-se emocionada, acompanhou as músicas, cantando baixinho, e ficou atenta aos versos dos poetas populares. “Isso tudo é muito lindo, rico, é a nossa cultura”, disse. “Quero mostrar essas coisas”.

Os artistas locais ficaram emocionados por serem escolhidos para participarem das filmagens. “É a nossa valorização, cantar e tocar as coisas que o povo gosta e conhece”, disse o sanfoneiro Jeová Fernandes. Para o poeta Chico Alves, Humberto Teixeira merece muitas homenagens porque ´ foi ele o criador de muitas músicas bonitas, de um ritmo que ainda hoje faz sucesso´.

Na cidade, as filmagens seguiram o roteiro da música ´Balada para Denise curtir Iguatu´ feita pelo próprio pai. A composição foi interpretada por Evaldo Gouveia e Mário Alves em 1973, por ocasião do aniversário do Clube Recreativo Iguatuense e da Rádio Iracema de Iguatu. O poema fala da santa padroeira, Sant´Ana, do rio Jaguaribe, da estação do trem, do Boulevard, exaltando o ´Iguatu onde eu nasci/ Oh meu rincão´.

O filme ´O homem que engarrafava nuvens´ tem direção dos cineastas Lírio Ferreira e Wálter Carvalho (diretor de fotografia do ´Céu de Suely´, rodado em Iguatu e que ganhou vários prêmios). “Até 16 de dezembro vamos concluir as filmagens”, disse Denise Dummont. “No fim da vida, papai dizia que queria ficar engarrafando nuvens”.

Shows com artistas da MPB, interpretando músicas de Humberto Teixeira, apresentado no teatro Rival no Rio de Janeiro, depoimentos de pesquisadores como Cristiano Câmara, Nirez, apresentação do violonista Nonato Luiz, e de parentes e artistas que conviveram com o ´Doutor do Baião´, integram o roteiro do documentário. “Vamos ter muita música e imagens ilustrativas sobre a trajetória de meu pai, o seu trabalho, a sua produção musical”.