Urca estuda criação do curso de Medicina, em Crato, em até um ano e meio

Um grupo de professores está realizando um estudo para a viabilidade da nova graduação. Segundo o reitor Lima Júnior, o Estado enxerga com otimismo essa possibilidade

Legenda: A URCA conta com 22 cursos de graduação
Foto: Elizangela Santos

A criação de um curso de Medicina na cidade do Crato sempre foi um sonho para seus moradores. Há décadas isso é debatido por gestores e vereadores que ocuparam sua casa legislativa, sendo até motivo de “rivalidade” política com outros municípios. O surgimento da Universidade Federal do Cariri (UFCA), em 2013, trouxe esperança aos cratenses. Porém, a portaria 328, de 5 de abril de 2018, do Ministério da Educação, que suspendeu a política de expansão desta graduação na rede federal interrompeu este desejo. Desde então, a Universidade Regional do Cariri (Urca) retomou o debate e vê com boas possibilidades a abertura desta nova formação acadêmica em um ano e meio.  

O reitor da Urca, professor Francisco do ‘O Lima Júnior, explica que fora iniciado  diálogo com o próprio governo municipal e realizado um estudo de prospecção para avaliar as condições de “em um ano a um ano e meio termos condições de abrir o curso”, explicou.

Diálogo

Já houve reunião com participação do reitor, do governador Camilo Santana (PT), do prefeito de Crato Zé Ailton Brasil, do secretário da Ciência e Tecnologia e Educação Superior do Estado, Inácio Arruda, do secretário da Saúde do Estado, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Dr. Cabeto, e do vice-reitor da Urca, Carlos Kleber Nascimento de Oliveira.

“A gente vê uma deficiência de médicos no Estado. Indicadores mostram que o número por 100 mil habitantes é abaixo de um em alguns municípios de abrangência da Urca”, explicou Lima Júnior. 

Lima, no entanto, ressalta que após analisar a demanda e a oferta de vagas e o perfil dos profissionais, como já foi feito antes da abertura de cursos em outras cidades do Nordeste, "a viabilidade aponta para a criação".  

O governador Camilo Santana pediu um estudo aprofundado, mostrando o impacto orçamentário, mas se mostrou aberto. Por outro lado, Lima Júnior acredita que a instituição tem condições já que possui ações consolidadas principalmente na atenção básica, além de ter implementado dois mestrados na área, um doutorado em rede com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e dois programas de residência em saúde. Além disso, a Urca já dispõe de pelo menos três laboratórios que podem ser aproveitados. 

Foi instituído um grupo que realiza este estudo, liderado pelo professor Galberto Martins. Também foi aberto um diálogo com Universidade Estadual do Ceará (Uece). “O grupo é qualificado e experiente, composto por professores da área da saúde e médicos. Mas já percebemos que alguns indicadores nos favorecem, como estrutura. A gente entende que se fosse criado agora, por exemplo, poderia garantir um ano, um ano e meio de execução com o quadro docente e de servidores que já existe e a infraestrutura”, observa Galberto.

O projeto é pensando junto a criação do Instituto de Saúde Pública no Semiárido, que integraria o ensino, a pesquisa e a extensão nas áreas de saúde.  

Mesmo otimista, Lima Júnior reforça que a prioridade da gestão é fortalecer e consolidar os cursos que já existem. “A Urca cresceu demais. A gente quer a melhoria do campus do Pimenta. Os espaços estão estrangulados”, admite. Contudo, seu Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) prevê a ampliação da Universidade.

“Havendo a possibilidade, vamos criar novos cursos. Como o de Turismo, em Barbalha, que está para ser inaugurado”, finaliza. 
 

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