Seca mantém dependência de carro-pipa na zona rural
Escrito por
Redação
producaodiario@svm.com.br
Mesmo com as cisternas cheias com as últimas precipitações deste ano, a oferta é insuficiente na zona rural
Milhã. As chuvas registradas nos primeiros dias de maio na região Centro do Estado estão começando a aliviar o sofrimento de centenas de moradores de Milhã, também conhecida como "Terra do Leite". Conforme o Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, situado a 301 km de Fortaleza, cerca de 50% das cisternas de placa, com capacidade para 14 mil litros cada, estão cheias. O restante, onde as precipitações não atingiram 100mm nas últimas semanas, também estão com bom volume, sendo que boa parte já acumula quase 50% de água.
Moradores do Sertão Central vivem realidades diferentes. Alguns utilizam até biqueiras improvisadas, nos varais de roupas, para captar a água, enquanto outros necessitam dos carros-pipa FOTO: ALEX PIMENTEL
Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Milhã, Mairton Batista, atualmente 1.500 cisternas de placa atendem às famílias da zona rural. Mesmo assim, continua havendo a necessidade do abastecimento dos carros-pipa. Em algumas regiões as chuvas ainda não foram suficientes para acumular água. Sem o apoio da operação emergencial não poderão saciar a sede. Apesar da expectativa da continuidade das chuvas, precisam da água distribuída pelos caminhões. Há também preocupação quanto à qualidade da água. O monitoramento é realizado constantemente.
Água
Os moradores da comunidade de Vista Alegre, situada na periferia da cidade, não precisarão se preocupar com esse problema pelos próximos meses.
Os 14 reservatórios de concreto construídos através do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) estão cheios. Depois de muito sofrimento nos últimos dez meses, agora têm água boa, comemora a moradora Francisca Zilmar dos Santos.
Até recentemente ela e os dois filhos aguardavam com aflição a chegada do carro-pipa. Agora não tem mais preocupação. Água para beber e para cozinhar não falta. Mesmo assim só utilizam o necessário. Uma realidade bem diferente vive os moradores do Bairro de Fátima, há pouco mais de um quilometro do Centro da cidade.
Alguns utilizam até biqueiras improvisadas, nos varais de roupas, para captar a água da chuva. É o caso da dona de casa Solange Maria da Silva. Ela mora com mais três filhos, menores, por esse motivo qualquer respingo é valioso numa hora dessas. Como possui apenas duas caixas d´água, de 500 litros cada, a água acaba logo. "Quem chegar primeiro, o carro-pipa, ou a chuva, é sempre bem-vindo. Apesar da área residencial possuir rede de abastecimento tubulada a água não chega na torneira", desabafa a moradora.
O comerciante Simônio Pinheiro também enfrenta o mesmo drama. Nos últimos dias a água começou a chegar na rede de tubulação da lanchonete dele com mais frequência, todavia, o abastecimento não está normalizado. Como o manancial de abastecimento da cidade, o Açude Jatobá ainda continua seco, a alternativa está sendo o Genipapeiro, no distrito de Betânia, na zona rural do município de Deputado Irapuan Pinheiro, a 18Km de distância. Antes da estiagem gastava em média R$ 30,00 com a conta de água. Hoje está sendo obrigado a desembolsar até R$ 300,00 para ter água no seu pequeno estabelecimento, confirme informou.
A superintendente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Milhã, Cleovania Pinheiro, reconhece o problema e entende a insatisfação da população urbana. Ela espera começar a normalizar o abastecimento de água nos próximos 30 dias, período estimado para conclusão dos serviços de restauração da adutora do Açude Patu, em Senador Pompeu, de onde será feito o bombeamento de água para o SAAE de seu Município.
Caminhões
A cidade possui 2.650 ligações, e apesar do esforço, não está sendo possível atender a todos. Por enquanto, a principal alternativa é contar com os caminhões tanque com capacidade para 30 mil litros. Estão transportando mais de 900 mil litros por dia, mas a demanda não está sendo suficiente para atender os consumidores locais.
Ela ainda ressaltou não haver cobrança pelas despesas extras. Apesar da administração municipal estar complementando o fornecimento de água na cidade, com dois carros-pipa, em locais onde a água não chega pelo cano, o preço do serviço para todos é um só, R$ 12,90, assegurou, agradecendo os órgãos do Governo do Estado. A Defesa Civil está custeando as despesas com as pipas truncadas no suporte ao SAAE e a Companhia de Gerenciamento dos Recursos Hídricos (Cogerh) adiou as cobranças da administração anterior.
A respeito da qualidade da água distribuída à população urbana, a titular do Saae municipal explicou não ter como realizar o tratamento adequado.
Como mediada paliativa pastilhas de cloro estão sendo despejadas dentro da caixa coletora de água, de onde é feito o bombeamento para as unidades residenciais, comerciais e estabelecimentos públicos. Ela recomenda ferver a água se for utilizada para consumo humano. Com as medidas preventivas, o uso do recursos ficará mais seguro.
ENQUETE
Como as chuvas ajudaram sua comunidade?
"Quando a água começa a chegar na boquinha da cisterna a gente começa a sorrir, afinal é a forma de se contar com água para alguns meses, pelo menos assegura o produto para beber"
Francisca Zilnar dos Santos
Dona de casa
"Por enquanto não temos muito a comemorar a não ser o alívio dos vizinhos que possuem cisternas. O fato é que vamos continuar dependentes do serviço oferecido pelos carros-pipa"
Simônio Pinheiro
Comerciante
Mais informações
SAAE de Milhã
Telefone: (88) 9680.2206
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Milhã
Telefone: (88) 3529-1151
ALEX PIMENTEL
COLABORADOR
46% das fontes hídricas são impróprias
Fortaleza. Dados atualizados da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) demonstraram que numa amostragem de 23 municípios atendidos por carros-pipa, 46% apresentaram contaminação por coliforme fecais. Para o Ministério Público Federal (MPF) o dado é alarmante, se considerar todos os municípios que vem sendo atendidos pela operação, especialmente com agravamento da seca no Estado.
Reunião no MPF/CE foi a segunda desde 2012 para discutir a qualidade da água fornecida para consumo humano pela Operação Carro-pipa FOTO: LUCAS DE MENEZES
Esse assunto foi debatido, ontem, pelo MPF/CE, através da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, em audiência realizada na sede do órgão. O objetivo foi discutir a qualidade da água que está sendo distribuída à população do interior do estado por meio desse sistema.
A reunião que começou por volta das 11 horas e se estendeu além das 13 horas foi presidida pelo procurador da República Alexandre Meireles e representantes da Sesa, da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cacege), da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) e da Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará, além da Defesa Civil do Ceará e do Comando da 10ª Região Militar. Segundo o procurador, as informações são preocupantes, porque podem implicar na suspensão do abastecimento de água por carros pipas, uma vez que não haveria outra forma de evitar os danos à saude humana.
Cautelas
"São medidas que serão refletidas com bastante cautela pelo Ministério Público, daí a necessidade de envolver na discussão nos prefeitos e pedir a atualização dos dados referentes ao monitoramento dos mananciais", afirmou Alexandre.
Ao final da reunião, foi deliberado que a Sesa oficialize dos dados atualizados das análises das águas, além do fato de que o Exército brasileiro, responsável pela logística na distribuição de água na zona rural faça uma atualização da captação das águas pelos veículos envolvidos na Operação Carro-pipa.
Reunião
Além disso, ficou decidido uma reunião para meados de junho, em data ainda ser definida, com os prefeitos cearenses, no sentido de ouvir e recomendar medidas para que o produto contaminado chegue até as populações do Interior.
Alexandre classificou como "gravíssimos os indicadores explicitados" reunião realizada ontem. Inquérito civil público que apura informações sobre a qualidade da água fornecida às pessoas atingidas pela estiagem no Nordeste foi instaurado em outubro de 2012 pela procuradora da República Nilce Cunha Rodrigues, então procuradora regional dos direitos do cidadão.
A 10ª Região Militar que admitiu, no mês passado, terem sido frequentes os laudos sobre mananciais que se apresentam sem condições de potabilidade ou seco, disse que algumas medidas já foram adotadas de lá para cá. Uma delas, por exemplo, foi o descredenciamento de mananciais por não apresentarem condições de potabilidade.
Segundo o Exército, assim quando, eventualmente, não há laudo de potabilidade ou quando a análise da água indica que o seu uso é impróprio para consumo humano, a organização militar responsável passa a utilizar outro ponto de captação.
Outra medida aconteceu nesta semana, com a implantação do sistema de GPS nos veículos. "A logística de instalação dos equipamentos consiste em se elencar municípios polos de instalação, para os quais se dirigirão os carros-pipas de municípios próximos (a distância não deve exceder a 100 Km de deslocamento) a fim de que sejam instalados, em cada veículo, os Módulos Eletrônicos de Monitoramento (MEM). Com este equipamento, será possível monitorar o veículo, desde o ponto de captação da água, seu deslocamento e até o abastecimento das cisternas nos pontos de abastecimento, pois tanto o ponto de captação, quanto as cisterna receptoras da água estarão georeferenciadas. Com esta ferramenta, a ideia é alcançar uma maior eficácia na função de fiscalização da Operação Pipa, bem como uma logística mais eficiente na distribuição de água.
Ainda neste ano, em três municípios, ocorreram mudanças no ponto de captação de água: Quixadá (manancial secou); Quiterianópolis e Umirim (laudo de potabilidade atestando que a água estava imprópria para consumo humano).
Análise
A explicação foi que a estiagem prolongada tem reduzido o nível de água de alguns mananciais e aumentado a quantidade de famílias atendidas (entre março de 2012 e abril deste ano, o número de pessoas atendidas dobrou no Ceará).
São 105 municípios cearenses inscritos na Operação Carro- Pipa coordenada pelo Exército Brasileiro, com uma população atendida de 776.850 pessoas e 760 carros-pipas.
Em análise realizada em 20 municípios, cerca de 70% apresentaram falta de condições de potabilidade, sendo que em 26% havia presença de coliformes fecais e em 22% de turbidez, acima do permitido para consumo humano.
MARCUS PEIXOTO
REPÓRTER
Milhã. As chuvas registradas nos primeiros dias de maio na região Centro do Estado estão começando a aliviar o sofrimento de centenas de moradores de Milhã, também conhecida como "Terra do Leite". Conforme o Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, situado a 301 km de Fortaleza, cerca de 50% das cisternas de placa, com capacidade para 14 mil litros cada, estão cheias. O restante, onde as precipitações não atingiram 100mm nas últimas semanas, também estão com bom volume, sendo que boa parte já acumula quase 50% de água.
Moradores do Sertão Central vivem realidades diferentes. Alguns utilizam até biqueiras improvisadas, nos varais de roupas, para captar a água, enquanto outros necessitam dos carros-pipa FOTO: ALEX PIMENTELConforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Milhã, Mairton Batista, atualmente 1.500 cisternas de placa atendem às famílias da zona rural. Mesmo assim, continua havendo a necessidade do abastecimento dos carros-pipa. Em algumas regiões as chuvas ainda não foram suficientes para acumular água. Sem o apoio da operação emergencial não poderão saciar a sede. Apesar da expectativa da continuidade das chuvas, precisam da água distribuída pelos caminhões. Há também preocupação quanto à qualidade da água. O monitoramento é realizado constantemente.
Água
Os moradores da comunidade de Vista Alegre, situada na periferia da cidade, não precisarão se preocupar com esse problema pelos próximos meses.
Os 14 reservatórios de concreto construídos através do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) estão cheios. Depois de muito sofrimento nos últimos dez meses, agora têm água boa, comemora a moradora Francisca Zilmar dos Santos.
Até recentemente ela e os dois filhos aguardavam com aflição a chegada do carro-pipa. Agora não tem mais preocupação. Água para beber e para cozinhar não falta. Mesmo assim só utilizam o necessário. Uma realidade bem diferente vive os moradores do Bairro de Fátima, há pouco mais de um quilometro do Centro da cidade.
Alguns utilizam até biqueiras improvisadas, nos varais de roupas, para captar a água da chuva. É o caso da dona de casa Solange Maria da Silva. Ela mora com mais três filhos, menores, por esse motivo qualquer respingo é valioso numa hora dessas. Como possui apenas duas caixas d´água, de 500 litros cada, a água acaba logo. "Quem chegar primeiro, o carro-pipa, ou a chuva, é sempre bem-vindo. Apesar da área residencial possuir rede de abastecimento tubulada a água não chega na torneira", desabafa a moradora.
O comerciante Simônio Pinheiro também enfrenta o mesmo drama. Nos últimos dias a água começou a chegar na rede de tubulação da lanchonete dele com mais frequência, todavia, o abastecimento não está normalizado. Como o manancial de abastecimento da cidade, o Açude Jatobá ainda continua seco, a alternativa está sendo o Genipapeiro, no distrito de Betânia, na zona rural do município de Deputado Irapuan Pinheiro, a 18Km de distância. Antes da estiagem gastava em média R$ 30,00 com a conta de água. Hoje está sendo obrigado a desembolsar até R$ 300,00 para ter água no seu pequeno estabelecimento, confirme informou.
A superintendente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Milhã, Cleovania Pinheiro, reconhece o problema e entende a insatisfação da população urbana. Ela espera começar a normalizar o abastecimento de água nos próximos 30 dias, período estimado para conclusão dos serviços de restauração da adutora do Açude Patu, em Senador Pompeu, de onde será feito o bombeamento de água para o SAAE de seu Município.
Caminhões
A cidade possui 2.650 ligações, e apesar do esforço, não está sendo possível atender a todos. Por enquanto, a principal alternativa é contar com os caminhões tanque com capacidade para 30 mil litros. Estão transportando mais de 900 mil litros por dia, mas a demanda não está sendo suficiente para atender os consumidores locais.
Ela ainda ressaltou não haver cobrança pelas despesas extras. Apesar da administração municipal estar complementando o fornecimento de água na cidade, com dois carros-pipa, em locais onde a água não chega pelo cano, o preço do serviço para todos é um só, R$ 12,90, assegurou, agradecendo os órgãos do Governo do Estado. A Defesa Civil está custeando as despesas com as pipas truncadas no suporte ao SAAE e a Companhia de Gerenciamento dos Recursos Hídricos (Cogerh) adiou as cobranças da administração anterior.
A respeito da qualidade da água distribuída à população urbana, a titular do Saae municipal explicou não ter como realizar o tratamento adequado.
Como mediada paliativa pastilhas de cloro estão sendo despejadas dentro da caixa coletora de água, de onde é feito o bombeamento para as unidades residenciais, comerciais e estabelecimentos públicos. Ela recomenda ferver a água se for utilizada para consumo humano. Com as medidas preventivas, o uso do recursos ficará mais seguro.
ENQUETE
Como as chuvas ajudaram sua comunidade?
"Quando a água começa a chegar na boquinha da cisterna a gente começa a sorrir, afinal é a forma de se contar com água para alguns meses, pelo menos assegura o produto para beber"
Francisca Zilnar dos Santos
Dona de casa
"Por enquanto não temos muito a comemorar a não ser o alívio dos vizinhos que possuem cisternas. O fato é que vamos continuar dependentes do serviço oferecido pelos carros-pipa"
Simônio Pinheiro
Comerciante
Mais informações
SAAE de Milhã
Telefone: (88) 9680.2206
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Milhã
Telefone: (88) 3529-1151
ALEX PIMENTEL
COLABORADOR
46% das fontes hídricas são impróprias
Fortaleza. Dados atualizados da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) demonstraram que numa amostragem de 23 municípios atendidos por carros-pipa, 46% apresentaram contaminação por coliforme fecais. Para o Ministério Público Federal (MPF) o dado é alarmante, se considerar todos os municípios que vem sendo atendidos pela operação, especialmente com agravamento da seca no Estado.
Reunião no MPF/CE foi a segunda desde 2012 para discutir a qualidade da água fornecida para consumo humano pela Operação Carro-pipa FOTO: LUCAS DE MENEZESEsse assunto foi debatido, ontem, pelo MPF/CE, através da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, em audiência realizada na sede do órgão. O objetivo foi discutir a qualidade da água que está sendo distribuída à população do interior do estado por meio desse sistema.
A reunião que começou por volta das 11 horas e se estendeu além das 13 horas foi presidida pelo procurador da República Alexandre Meireles e representantes da Sesa, da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cacege), da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) e da Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará, além da Defesa Civil do Ceará e do Comando da 10ª Região Militar. Segundo o procurador, as informações são preocupantes, porque podem implicar na suspensão do abastecimento de água por carros pipas, uma vez que não haveria outra forma de evitar os danos à saude humana.
Cautelas
"São medidas que serão refletidas com bastante cautela pelo Ministério Público, daí a necessidade de envolver na discussão nos prefeitos e pedir a atualização dos dados referentes ao monitoramento dos mananciais", afirmou Alexandre.
Ao final da reunião, foi deliberado que a Sesa oficialize dos dados atualizados das análises das águas, além do fato de que o Exército brasileiro, responsável pela logística na distribuição de água na zona rural faça uma atualização da captação das águas pelos veículos envolvidos na Operação Carro-pipa.
Reunião
Além disso, ficou decidido uma reunião para meados de junho, em data ainda ser definida, com os prefeitos cearenses, no sentido de ouvir e recomendar medidas para que o produto contaminado chegue até as populações do Interior.
Alexandre classificou como "gravíssimos os indicadores explicitados" reunião realizada ontem. Inquérito civil público que apura informações sobre a qualidade da água fornecida às pessoas atingidas pela estiagem no Nordeste foi instaurado em outubro de 2012 pela procuradora da República Nilce Cunha Rodrigues, então procuradora regional dos direitos do cidadão.
A 10ª Região Militar que admitiu, no mês passado, terem sido frequentes os laudos sobre mananciais que se apresentam sem condições de potabilidade ou seco, disse que algumas medidas já foram adotadas de lá para cá. Uma delas, por exemplo, foi o descredenciamento de mananciais por não apresentarem condições de potabilidade.
Segundo o Exército, assim quando, eventualmente, não há laudo de potabilidade ou quando a análise da água indica que o seu uso é impróprio para consumo humano, a organização militar responsável passa a utilizar outro ponto de captação.
Outra medida aconteceu nesta semana, com a implantação do sistema de GPS nos veículos. "A logística de instalação dos equipamentos consiste em se elencar municípios polos de instalação, para os quais se dirigirão os carros-pipas de municípios próximos (a distância não deve exceder a 100 Km de deslocamento) a fim de que sejam instalados, em cada veículo, os Módulos Eletrônicos de Monitoramento (MEM). Com este equipamento, será possível monitorar o veículo, desde o ponto de captação da água, seu deslocamento e até o abastecimento das cisternas nos pontos de abastecimento, pois tanto o ponto de captação, quanto as cisterna receptoras da água estarão georeferenciadas. Com esta ferramenta, a ideia é alcançar uma maior eficácia na função de fiscalização da Operação Pipa, bem como uma logística mais eficiente na distribuição de água.
Ainda neste ano, em três municípios, ocorreram mudanças no ponto de captação de água: Quixadá (manancial secou); Quiterianópolis e Umirim (laudo de potabilidade atestando que a água estava imprópria para consumo humano).
Análise
A explicação foi que a estiagem prolongada tem reduzido o nível de água de alguns mananciais e aumentado a quantidade de famílias atendidas (entre março de 2012 e abril deste ano, o número de pessoas atendidas dobrou no Ceará).
São 105 municípios cearenses inscritos na Operação Carro- Pipa coordenada pelo Exército Brasileiro, com uma população atendida de 776.850 pessoas e 760 carros-pipas.
Em análise realizada em 20 municípios, cerca de 70% apresentaram falta de condições de potabilidade, sendo que em 26% havia presença de coliformes fecais e em 22% de turbidez, acima do permitido para consumo humano.
MARCUS PEIXOTO
REPÓRTER