Relíquia de Benigna, tecido que envolveu seus restos mortais, será entregue para a devoção de fiéis

A relíquia é um símbolo católico da presença de um santo. No caso de Benigna, serão distribuídos tecidos usados durante o processo de limpeza dos seus ossos.

A Igreja Católica distribuirá para os devotos, nesta quinta-feira (21), partes dos tecidos que envolveram os restos mortais de Benigna Cardoso, a primeira cearense a ser beatificada. A entrega da relíquia acontece durante a santa missa, às 19h, na Igreja Matriz de Sant’Ana, em Santana do Cariri, em programação que faz parte da romaria em devoção à “heroína da castidade”.

Relíquias são um símbolo de veneração autorizado pelo catolicismo devido à história de vida e de serviço a Deus. Segundo o padre Tiago Henrique, este símbolo representa a presença da Igreja. “Onde a relíquia estiver, Benigna estará”, justifica. 

Durante o processo de beatificação, a igreja exige que os restos mortais passem por um tratamento para sua conservação.

No caso de Benigna, isso aconteceu em janeiro deste ano, onde houve a limpeza dos ossos da mártir. “As vestes que pertenceram ou os pedaços de tecido que envolveram os ossos durante o tratamento são relíquias que são entregues ao povo para sua devoção”, completa. 

Na Igreja Católica, as relíquias estão divididas em três graus:

  • Primeiro grau: partes dos ossos ou do corpo
  • Segundo grau: objetos de uso pessoal que pertencem ao santo ou beato, como roupas, crucifixos e terços
  • Terceiro grau: tecidos que envolveram os ossos ou corpo durante o processo de preparação

Apenas estas últimas, caso de Benigna, podem ser entregues aos devotos para sua devoção.

A preparação destas relíquias, segundo Tiago, tem importância significativa para a Igreja: “A sagrada escritura é repleta de fundamentação. Num processo de beatificação ou canonização, é comum que faça a preparação das relíquias que, numa definição mais simples, é a presença física de um santo”, explica o sacerdote. 

A data escolhida, 21 de outubro, recorda o dia do batismo de Benigna. A solenidade é aberta ao público.

Lá, além da entrega dos tecidos, será lacrado o relicário oficial da mártir, que será utilizado na sua cerimônia de beatificação, ainda sem data definida pelo Vaticano. 

"Heroína da Castidade"

Natural de Santana do Cariri, Benigna foi brutalmente assassinada aos 13 anos de idade, em 24 de outubro de 1941, a golpe de facas seu vizinho ,Raimundo Alves Ribeiro, conhecido como  Raul, que a assediava e que tentou forçá-la a ter relações sexuais com ele. Aclamada como “Heroína da Castidade”, ela se tornará a primeira beata cearense.

Sua beatificação seria celebrada no dia 21 de outubro de 2020, em Crato, presidida pelo cardeal Giovanni Angelo Cardeal Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano, que representaria o Papa Francisco. Contudo, a cerimônia foi adiada por causa da pandemia. A expectativa é de que aconteça em 2022

Primeiro passo para canonização

A Diocese de Crato abriu o processo de beatificação de Benigna em 2011 e, dois anos depois, foi aceito pelo Vaticano. Após ser aprovado, ela foi aclamada “Serva de Deus”, após apresentar as virtudes necessárias, foi proclamado “Venerável”. 

A beatificação é o primeiro passo para a canonização — quando a Igreja Católica reconhece oficialmente a fama e o testemunho de santidade de alguém que viveu e morreu heroicamente, marcado pelas virtudes cristãs.

Na fase inicial, os teólogos investigaram as virtudes e as circunstâncias da morte. A comprovação de um milagre, critério necessário para tornar-se beato, é dispensado em caso de martírio, como é classificado o episódio de Benigna, assassinada por um adolescente que a assediava. Para os devotos “ela deu a vida para não cometer pecado”.

Além da extensa documentação que a equipe diocesana entrou na Sede da Igreja Católica, o Vaticano solicitou, em 2016, depoimentos de pessoas que viveram entre as décadas de 1940 a 1980, relatando graças alcançadas e sobre a consciência popular do martírio de Benigna. Com a aprovação da Comissão dos Teólogos, a fase mais longa do processo, restou aos bispos discutirem a aprovação da beatificação da menina para, em seguida, encaminhar para o Papa Francisco, que autorizou em 2019. 

 

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