Quase 14 mil famílias não têm garantia do que comer em Iguatu; iniciativas doam alimentos na cidade

Pandemia aumentou em 20% o número de famílias sem a garantia de comida, segundo a Secretaria de Assistência Social do município

Dona de casa Ângela Maria Santos e filhos
Legenda: “Tem dia que não tenho nada para comer, nem pão e nem café”, diz a dona de casa Ângela Maria Santos, que mora com quatro filhos no conjunto residencial dom José Mauro Ramalho, em Iguatu
Foto: Wandenberg Belém

“Tem dia que não tenho nada para comer, nem pão e nem café”. O relato é da dona de casa Ângela Maria Santos, que mora com quatro filhos – duas crianças e dois adolescentes – no conjunto residencial dom José Mauro Ramalho, na cidade de Iguatu, na região Centro-Sul cearense, e reflete o aumento do quadro de insegurança alimentar nesse período de pandemia.

Ângela não é única no conjunto do Programa Minha Casa Minha Vida a estar em vulnerabilidade alimentar. Segundo a Cáritas Diocesana de Iguatu, cerca de 253 das 900 famílias que vivem no local vivem o mesmo drama, amenizado por quem se dispõe a ajudar o próximo.

Uma dessas pessoas é Adelaide da Silva. Ela iniciou há um ano e dois meses um movimento comunitário de distribuição de quentinhas com o objetivo de diminuir a fome de moradores do projeto habitacional na localidade de Gadelha, distante 6 km do centro urbano.

“Recebi relatos de pessoas pedindo ajuda, que havia vendido móveis e eletrodomésticos para comprar comida”, contou Adelaide da Silva. “Começamos essa ação social e hoje se transformou em uma cozinha comunitária popular”.

A iniciativa de Adelaide teve a adesão da dona de casa Marciana Alves, que cedeu espaço na casa dela para o funcionamento da cozinha comunitária aos sábados. “Dói na gente sentir essas pessoas com fome, bater à nossa porta todos os dias atrás de comida”, disse. “Distribuímos cem quentinhas aos sábados, fruto de doações que recebemos”.

No bairro Areias, a Secretaria de Assistência Social de Iguatu mantém a Cozinha Comunitária, que neste período de pandemia distribui quentinhas para 100 cadastrados
Legenda: No bairro Areias, a Secretaria de Assistência Social de Iguatu mantém a Cozinha Comunitária, que neste período de pandemia distribui quentinhas para 100 cadastrados
Foto: Wandenberg Belém

Insegurança alimentar aumenta 20% em Iguatu com pandemia

A Secretaria de Assistência Social de Iguatu estima um aumento de pelo menos 20% no número de famílias em situação de insegurança alimentar em relação ao período anterior à pandemia, passando de 11.500 para 13.800.

Um outro dado revela o aumento de 100% no número de famílias que passaram a demandar auxílio alimentar nas unidades de assistência social. “O número de atendimento com cestas básicas em cada um dos seis Cras era de 30 moradores por mês, antes da pandemia, e agora dobrou, passando para 60”, pontuou a coordenadora do Centro de Referência da Assistência Social (Cras), Débora Oliveira.

Projetos comunitários distribuem alimentos

A cidade de Iguatu dispõe de mais dois projetos comunitários de apoio às famílias que vivenciam quadro de insegurança alimentar. A Casa de Acolhimento Padre José Marques atende diariamente 200 pessoas, distribuindo quentinhas no fim da tarde. O projeto é mantido pela paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

“Antes da pandemia, atendíamos um número que variava entre 120 a 150 pessoas, mas agora no mínimo 200 moradores procuram o nosso sopão, a cada dia”, afirmou o pároco João Batista Moreira. “Sem dúvida, podemos observar a olhos vistos o aumento das dificuldades das famílias de baixa renda, a fome voltou aos lares de milhares de pessoas”.

A dona de casa Francisca Lopes é uma das beneficiadas com a entrega do sopão. “Antes dessa pandemia, trabalhava como faxineira. Meu marido ficou doente e tudo mudou na nossa vida, sem dinheiro e sem comida”, contou. “Temos filhos pequenos e tudo está muito difícil”.

No bairro Areias, a Secretaria de Assistência Social mantém a Cozinha Comunitária, que neste período de pandemia distribui quentinhas para 100 cadastrados, no horário do almoço. “É uma comida de qualidade, balanceada para as pessoas em situação de vulnerabilidade social”, frisou a nutricionista da unidade, Tatiane Michele de Oliveira.

A coordenadora do Centro de Referência da Assistência Social (Cras), Débora Oliveira, explicou que “as pessoas que se encontram em extrema pobreza, estão inseridas em situação de insegurança alimentar, por não poderem ter condições de arcar financeiramente com o custeio de suas necessidades básicas”.

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