Nova espécie de inseto voador é descoberto na Bacia do Araripe, no Cariri

Fóssil foi encontrado durante escavações entre 2016 e 2018. Entregues a pesquisadores do Espírito Santo, a espécie foi descrita após dois anos de estudo

Legenda: Fóssil raro de inseto voador foi encontrado no Cariri
Foto: Plos One/Reprodução

Uma nova espécie de inseto fóssil, encontrado na Bacia do Araripe, em Nova Olinda, no Cariri, foi descoberta por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Nomeada de Incogemina nubila, que significa geminação incompleta, em latim, o animal é datado do Cretáceo Inferior, entre 113 e 125 milhões de anos atrás. Este trabalho pode indicar que há outros fósseis raros na região.

Incluída na família Oligoneuriidae, o fóssil é representante da ordem Ephemeroptera, animais também conhecidos como efêmeras, que são insetos voadores que vivem poucos dias durante a vida adulta, enquanto na fase larvária são aquáticas. O trabalho é fruto da pesquisa de mestrado da bióloga Arianny Storari e foi publicado, nesta quarta-feira (28), na revista "Plos One".

De acordo com a pesquisadora, este é o segundo fóssil de um adulto desta família encontrado no mundo, mas que ainda não havia sido descrito. “A nossa descrição é a primeira”, conta a responsável. Para chegar ao resultado de que é uma nova espécie, Arianny analisou as veias das asas do inseto, que a tornou única. Por serem seres aquáticos e viverem em locais de intenso fluxo de água corrente, na sua fase jovem, a descoberta é rara. “Não são locais propícios para preservação de um fóssil com estrutura sensível”, completa.

“Se tivesse um lugar pra encontrar no mundo, seria aqui na Bacia do Araripe, que tem condições especiais de preservação”, destaca o paleontólogo Álamo Feitosa, que faz parte do Laboratório de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (URCA), e liderou as escavações onde a peça foi encontrada, entre 2016 e 2018, na Formação Crato. A procura por fósseis contou com equipe de 18 pesquisadores.

Além da Ufes, a URCA mantém parcerias com a Universidade Federal do Pernambuco (Ufpe), Universidade Federal Rural do Pernambuco (UFRPE) e o Museu Nacional, que faz parte da Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ). “Tem mais alguns trabalhos que serão publicados em breve. Novas espécies. É isso que gente quer, que haja a pesquisa, mas que o fóssil fique aqui no Cariri”, enfatiza Feitosa.

Importância 

Orientadora da dissertação, a paleontóloga e professora da Ufes Taissa Rodrigues acredita que, de forma imediata, a preservação desta espécie em condições que foram encontradas, que indicam serem mais ricas de oxigênio, mostra que podem ser encontrados fósseis mais raros. “Na mesma pedreira podem ter outras espécies, porque foi preservado de um ambiente mais diferente”, pontua.

Outro aspecto importante é que espécies semelhantes a esta descrita, hoje, podem ser encontradas e bem distribuídas em algumas regiões do Brasil e, também, na Ásia. “Essa nova espécie tem características intermediárias das que encontra na Ásia e no Brasil. Então, está contando uma história de como os continentes foram mais próximos, mas isso se une a outras várias evidências”, completa Taissa.

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