Mulher dá oficina de bordado ao ar livre na principal rua de Guaramiranga durante Carnaval

Natural de Itapajé, Lúcia Ferreira atraiu interessadas na milenar arte durante noite deste domingo (3)

Foto: Diego Barbosa

Com paciência e fala cadenciada, pronta para ajudar a otimizar um ponto e outro, Lúcia Ferreira (ou Lucinha, como é costumeiramente chamada), 65 anos, atraiu interessadas na milenar arte do bordado na noite deste domingo (3), quando promoveu uma oficina gratuita em plena rua principal de Guaramiranga, bastante movimentada devido ao período do Carnaval.

Reunindo rolos de linhas sobre um tecido florido, a bordadeira – natural do município de Itapajé, interior do Ceará – ensinou às pouco mais de dez principiantes técnicas básicas, como ponto atrás, ponto de haste e nó francês, ajudando a principiar nelas o gosto pelo ofício que realiza desde os 12 anos de idade.

“Era novinha quando comecei. Fiz curso e cheguei a ter vivências com Nice Firmeza”, relembra, invocando o nome de uma das maiores referências da arte cearense. “Hoje, dou aulas na Casa Bendita e na Escola de Artes e Ofício Thomaz Pompeu Sobrinho, em Fortaleza, além de na Casa de Saberes Cego Aderaldo, em Quixadá”.

Lucinha foi convidada pela organizadora do Festival Jazz & Blues, Maria Amélia Mamede, para realizar a oficina. “Penso que devemos otimizar atividades paralelas ao evento e valorizar esse costume do sentar na calçada, conversar, aproveitando os diferentes públicos que passam pela cidade durante o festival”, explica.

Primeiros passos

As amigas Luma Born, de 13 anos, e Ana Ribeiro, de 14, participaram do momento ao estar passando pela rua e ter notado a presença de Lucinha bordando sozinha. Elas foram as primeiras a começar o movimento com a bordadeira. Apesar das dificuldades – “furei meu dedo, inclusive”, ressaltou Luma –, a dupla saiu entusiasmada em ter aprendido os pontos repassados. “Foi divertido e é mais uma coisa que a gente aprendeu”.

A cabeleireira Gláucia Honório, 52 anos, também imergiu no bordado pela primeira vez. Após ter passado pelo crochê, viu ali, em meio à correria da cidade em tempo momino, a oportunidade de mergulhar em mais um saber. “Foi fácil. Ela ensina muito bem e aprendi rapidamente”, vibra. “Mas, devido ao meu pouco tempo, não acho que vá continuar”, lamenta.

Por sua vez, a pedagoga aposentada Eva Ni, 55 anos, de Upanema (RN), mas residindo há mais de 40 anos em Mossoró, comemora ter encontrado o grupo porque reacendeu a chama que estava adormecida há anos. “Já tive vivências nessa área, mas parei. E foi ótimo voltar. Quando a gente tá nessa idade, pensa que tá inválida. Então, atividades assim são muito boas para que a gente conheça novas pessoas, aprendizados”, enumera. “Agora, é continuar. Quando chegar em casa, vou logo procurar uma coisa pra bordar”, ri.

Lucinha complementa a fala de Eva ao afirmar: “O bordado tem crescido muito hoje, no Brasil e no mundo inteiro. E funciona com muitas finalidades: terapia, fonte de renda, estreitamento dos laços de amizade, acolhimento. Acho isso maravilhoso”.

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