Livro narra o cotidiano dos apanhadores de pequi
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Crato (Sucursal) — “Na serra do Araripe mesmo quem se criou acostumado a entrar na mata para colher pequi, é capaz de se perder. Cada vereda e estrada são iguais à outra: areia branca entre árvores que se agarram, formando uma curiosa mistura de tons verdejantes. No sangue de sua gente há uma indômita vontade de lutar, de sobreviver ao frio e a seca, vencer a onça e o fogo. Na alma, uma esperança teimosa, quase maluca de uma existência menos doida”.
Com essa observação, o professor de psicologia Tiago Barreto Esmeraldo, de 33 anos, apresenta seu livro “O Piquizeiro, Romance Regionalista”, lembrando que a Chapada do Araripe não é apenas a mata, as árvores, mas também uma miscigenação de um caleidoscópio cultural e religioso. É um museu vivo onde se descortinam costumes e modos de lidar com a natureza que remontam os nossos ancestrais: os índios Cariris.
Com esta concepção, o autor embrenhou-se no convívio com os moradores da serra, mais precisamente os apanhadores de pequis, ou “pequizeiros”, restaurando valores, costumes, tradições e expressões que estão sendo esmagados pela avalanche de modernismo que penetra nas entranhas da serra, desvendando os mistérios que povoam o imaginário do serrano.
Tiago avisa, entretanto, que não se trata de um regionalismo cego que não quer saber do universal e do moderno, “mas de uma valorização do que é nosso, do que está bem perto de nós e, quase sempre, passa despercebido”. O livro é um tributo também aos grandes historiados cearenses como Martins Filho, J de Figueiredo Filho e Rodolfo Teófilo que contaram a história do Cariri, a partir dos primeiros habitantes.
O livro não será vendido. Foram impressos apenas 20 exemplares, em capa dura, que estão sendo distribuídos com instituições culturais, entre as quais, a biblioteca da Universidade Regional do Cariri (Urca), que receberá 10 livros. “Quem, por acaso, receber um dos livros, assume o compromisso de depois da lê-lo, oferecê-lo a uma biblioteca pública”, salienta Tiago.
No rastro dos apanhadores de pequis, o escritor conta à história de José Carlos da Silva que, ao lado de sua mulher, Fabíola, dividiram as alegrias e tristezas de uma vida miserável, marcada pelo amor, traição, propostas indecorosas e, sobretudo, a solidariedade dos companheiros de infortúnio.
O primeiro confronto foi com a igreja, quando o casal batizou o filho com o nome de Cícero Romão Batista. A devoção do serrano prevaleceu a contragosto do padre. O livro denuncia também a injustiça social e a arrogância dos proprietários rurais que transformam seus moradores em bandidos. Este relacionamento prepotente é mostrado na proposta feita por um coronel que, ao tomar conhecimento de que José Carlos era um exímio atirador, caçador de onça, o convidou para matar um homem.
Ao rejeitar a proposta, José Carlos pagou caro. Sua casa foi incendiada. Desterrado das terras do patrão José Carlos pediu abrigo num rancho de apanhadores de pequis, onde encontrou a solidariedade dos amigos e também a traição da mulher amada. Mesmo assim, ele rejeita a idéia de matar o homem que traiu a sua confiança. Com a cabeça do traidor na mira de sua espingarda, ele se lembrou de Deus, do Padre Cícero, do filho e desistiu. Engoliu o choro e suportou calado a dor da traição. A mulher Fabíola pegou a carroceria do primeiro caminhão com destino a Juazeiro, enquanto Zé Carlos, permaneceu na serra, sua eterna paixão.
O romance, além de ser uma declaração de amor a serra, é um estudo antropológico do homem e do meio. O professor José Newton Alves de Souza, ex-diretor da Faculdade de Filosofia do Crato, define o livro como “uma coloquialidade ao meio e à gente, onde se evidencia a religiosidade em sua expressão popular. A vida e a morte”.
Para o médico e escritor Napoleão Tavares Neves o livro de Tiago tem cheiro das frutas silvestres. “É um estudo antropológico da alma do caririense que tem o pequizeiro como sua árvore símbolo”.
Com essa observação, o professor de psicologia Tiago Barreto Esmeraldo, de 33 anos, apresenta seu livro “O Piquizeiro, Romance Regionalista”, lembrando que a Chapada do Araripe não é apenas a mata, as árvores, mas também uma miscigenação de um caleidoscópio cultural e religioso. É um museu vivo onde se descortinam costumes e modos de lidar com a natureza que remontam os nossos ancestrais: os índios Cariris.
Com esta concepção, o autor embrenhou-se no convívio com os moradores da serra, mais precisamente os apanhadores de pequis, ou “pequizeiros”, restaurando valores, costumes, tradições e expressões que estão sendo esmagados pela avalanche de modernismo que penetra nas entranhas da serra, desvendando os mistérios que povoam o imaginário do serrano.
Tiago avisa, entretanto, que não se trata de um regionalismo cego que não quer saber do universal e do moderno, “mas de uma valorização do que é nosso, do que está bem perto de nós e, quase sempre, passa despercebido”. O livro é um tributo também aos grandes historiados cearenses como Martins Filho, J de Figueiredo Filho e Rodolfo Teófilo que contaram a história do Cariri, a partir dos primeiros habitantes.
O livro não será vendido. Foram impressos apenas 20 exemplares, em capa dura, que estão sendo distribuídos com instituições culturais, entre as quais, a biblioteca da Universidade Regional do Cariri (Urca), que receberá 10 livros. “Quem, por acaso, receber um dos livros, assume o compromisso de depois da lê-lo, oferecê-lo a uma biblioteca pública”, salienta Tiago.
No rastro dos apanhadores de pequis, o escritor conta à história de José Carlos da Silva que, ao lado de sua mulher, Fabíola, dividiram as alegrias e tristezas de uma vida miserável, marcada pelo amor, traição, propostas indecorosas e, sobretudo, a solidariedade dos companheiros de infortúnio.
O primeiro confronto foi com a igreja, quando o casal batizou o filho com o nome de Cícero Romão Batista. A devoção do serrano prevaleceu a contragosto do padre. O livro denuncia também a injustiça social e a arrogância dos proprietários rurais que transformam seus moradores em bandidos. Este relacionamento prepotente é mostrado na proposta feita por um coronel que, ao tomar conhecimento de que José Carlos era um exímio atirador, caçador de onça, o convidou para matar um homem.
Ao rejeitar a proposta, José Carlos pagou caro. Sua casa foi incendiada. Desterrado das terras do patrão José Carlos pediu abrigo num rancho de apanhadores de pequis, onde encontrou a solidariedade dos amigos e também a traição da mulher amada. Mesmo assim, ele rejeita a idéia de matar o homem que traiu a sua confiança. Com a cabeça do traidor na mira de sua espingarda, ele se lembrou de Deus, do Padre Cícero, do filho e desistiu. Engoliu o choro e suportou calado a dor da traição. A mulher Fabíola pegou a carroceria do primeiro caminhão com destino a Juazeiro, enquanto Zé Carlos, permaneceu na serra, sua eterna paixão.
O romance, além de ser uma declaração de amor a serra, é um estudo antropológico do homem e do meio. O professor José Newton Alves de Souza, ex-diretor da Faculdade de Filosofia do Crato, define o livro como “uma coloquialidade ao meio e à gente, onde se evidencia a religiosidade em sua expressão popular. A vida e a morte”.
Para o médico e escritor Napoleão Tavares Neves o livro de Tiago tem cheiro das frutas silvestres. “É um estudo antropológico da alma do caririense que tem o pequizeiro como sua árvore símbolo”.