Hospital de Morada Nova decide nesta semana sobre suspensão de atendimento a pacientes com Covid-19

A medida decorre de cortes de recursos para urgência e emergência por parte do município, após abertura de UPA na cidade

Nesta semana, será definido se haverá ou não a continuidade de atendimento aos pacientes com Covid-19 no Hospital São Lucas para os moradores da cidade de Morada Nova, distante 170km de Fortaleza, localizada no Sertão Central. A secretaria de Saúde anunciou que vai se reunir com a direção da unidade hospitalar para esclarecer a questão.

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Em redes sociais, houve a divulgação de que o hospital São Lucas teria cancelado o atendimento aos pacientes com Covid-19. O diretor clínico da unidade, Paulo Sérgio Almeida, disse que “a notícia era verdadeira, pois o município cortou os convênios de atendimento para Covid-19, assim como da urgência e emergência”.

Desde a pandemia, segundo o diretor, “o município só repassou (recursos) de dois meses, do valor de convênio para Covid-19”. Paulo Sérgio Almeida frisou que o hospital tem 62 anos de existência, e sempre foi o responsável por fazer o serviço de urgência e emergência e internação de pacientes clínicos do município. O diretor clínico adiantou que nesta semana “serão divulgadas as ações que a Fundação São Lucas tomará e que causará inúmeras demissões”.

Em agosto passado, começou a funcionar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em Morada Nova. A secretária de Saúde do Município, Luciana Almeida, explicou que de acordo com a legislação do Sistema Único de Saúde (SUS), a prioridade é a liberação de recursos para o ente público, depois o filantrópico e por último o particular.

“Esta semana, vamos sentar e conversar e saber o que vai ser decidido”, disse Luciana Almeida. “Há questões políticas envolvidas”. De acordo com a secretária há em vigor convênio entre o município e o Hospital São Lucas para prestação de serviço em duas clinicas: internamento, no valor de R$ 120 mil e urgência e emergência no valor de R$ 155 mil.

A secretaria esclareceu ainda que “retiramos 115 mil reais dos serviços de urgência e emergência referentes a medicamentos, consultas, pequenas cirurgias, exames de eletro e de RX e ficaram ainda 40 mil reais para consulta traumatológica que é feita uma vez por semana”.

Luciana Almeida reforçou que “a prioridade dos recursos para urgência e emergência é a UPA, que começou a funcionar em agosto passado”. A titular da secretaria de Saúde do município disse que até o momento, a pasta “não recebeu nenhum comunicado do hospital” sobre a possível suspensão do atendimento aos pacientes com Covid-19. Ela destacou ainda que o convênio para a clínica de internamento foi mantido.

Paulo Sérgio confirmou os valores de convênios anunciados pelo município e que que o hospital sobrevive com R$ 275 mil/mês, sendo 155 mil para média e alta complexidade (recurso federal) e de 120 mil do Estado, mas que “desde 2017, o hospital não recebe nenhum recurso do governo municipal”.

O diretor esclareceu ainda que ontem não havia nenhum paciente internado por Covid-19 no Hospital São Lucas, mas que “esse fato, não diminui tanto os custos, pois a equipe está lá de prontidão” e que “muitos governantes não entendem isso, pois é um custo fixo”.

Casos

Em junho e julho passados, o hospital chegou a ter 11 pacientes internados em um mesmo dia e que foram mais de 50 internações desde o início da pandemia, segundo a direção da unidade.

Atualmente, há quatro pacientes internados em Quixeramobim e em Fortaleza, segundo a secretária de Saúde do município.

De acordo com a secretaria de Saúde do Estado, por meio do portal IntegraSus, o município de Morada Nova, desde o início da pandemia do novo coronavírus tem 2.478 casos confirmados de Covid-19, 2373 já recuperados da doença e 47 óbitos no total. A taxa de letalidade é de 1,9% e há 136 casos suspeitos em investigação.

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