Furna dos Ossos ganha novo atrativo natural
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Pedras que lembram as figuras de um bode e uma galinha são vistas logo na entrada do Parque Furna dos Ossos
Tejuçuoca Localizada no semiárido do sertão do Ceará, numa área de 1.200 hectares que compreende a Serra da Catarina e a Serra do Macaco, uma área de assentados, no município de Tejuçuoça (a 155 quilômetros de Fortaleza) no Vale do Curu, o Parque Furna dos Ossos ganhou agora um novo atrativo natural que será mostrado pela primeira vez. O local dispõe de grutas impregnadas de história e misticismo, animais silvestres, formações rochosas que atiçam a imaginação e o bioma Caatinga preservado.
O que antes era privilégio de Quixadá, que ficou conhecido por abrigar a Pedra da Galinha Choca, agora é orgulho também de Tejuçuoca. O mais interessante é que a pedra que se assemelha a uma galinha "conversa" com a pedra que lembra o bode, figura respeitada na região, onde é considerado rei. A imagem pode ser vista logo na entrada do parque que poderá se tornar patrimônio natural e cultural da humanidade, um reconhecimento da Unesco.
Para isso, Elizeu Joca, uma espécie de "sabe tudo" sobre o lugar, com o apoio do amigo Rodrigo Castro, trabalham um projeto para mostrar a importância da Furna dos Ossos para a humanidade.
Na visita que foi feita ao local, acompanhada com exclusividade, os estudiosos fizeram uma viagem no tempo e a cada parada eram feitas anotações, coletas e fotografias, para elaborar o documento dará início ao processo de tornar a Furna dos Ossos um espaço de Proteção Ambiental Natural e Cultural.
Rica beleza
Rica em fauna e flora, a história remonta momentos memoráveis sobre a localidade. Dizem que, no começo do século, existia pelo área de Irauçuba um coronel chamado Pedro Barroso Valente. Quando o homem queria dar fim num jagunço ou inimigo a pedido de amigos, enviava essa pessoa para a Serra da Catarina, com um bilhete no bolso ordenando sua morte. Como os jagunços não sabiam ler, pensavam que se tratava de uma carta de recomendação para trabalhar. Após o assassinato, o corpo era enterrado entre as grutas, daí surgiu o nome de Furna dos Ossos.
Lenda ou não, o certo é que a Serra da Catarina, a 10 quilômetros da sede de Tejuçuoca, virou atração para estudiosos, arqueólogos, universitários, turistas, historiadores e também local de romarias. Os primeiros a pisarem na região foram os índios Tupinambás e, por último, os cangaceiros que tinham no lugar um refúgio contra a perseguição polícia.
"Parece que a natureza escolheu o calcário e a região de Tejuçuoca para realizar belas esculturas. Lá, as rochas adquirem formas de bode, galinha, touro, pegadas de onça e até mesmo um perfeito rosto de um índio com mais de 20 metros de altura", observa Elizeu Joca.
Fascinante
Tejuçuoca abriga um dos mais fascinantes conjuntos geológicos do País. O nome vem da combinação de Tejuçu, um réptil típico da região, e de Oca, determinação indígena para casa, sendo Casa do Tejuçu.
A região é conhecida como Furna dos Ossos, pois dezenas de ossadas humanas eram depositadas ali desde o começo do século 20. São os restos mortais de criminosos, cangaceiros e desafetos políticos que foram executados e deixados insepultos nas cavernas. Aos poucos, a população local começou a dar um destino cristão aos ossos e, na medida em que eram enterrados, erguiam-se pequenos altares que hoje são motivo de peregrinação religiosa, onde está situado o Santuário de Nossa Senhora das Graças. O lugar torna-se ideal para o descanso físico e espiritual. No altar rústico repousa a imagem de Nossa Senhora Aparecida, também venerada pelos visitantes. A paisagem cativa o ecoturista e convida para desbravá-la. Grutas como a do Veado Campeiro, do Sino, da Mesa, dos Ossos, do Jardim, do Macaco, do Amor, do Chico Lopes, o Mirante Arco de Deus, o Túnel do Amor e o Platô das Acauãs formam esse conjunto de obras criadas pela natureza. Estalactites e estalagmites seculares lembram animais e objetos petrificados. O clima quente lá de fora cede lugar ao friozinho das pedras.
O sol penetra por pequenas fendas e ilumina o ambiente. Raízes cobrem as pedras nas furnas, permitindo escaladas pelos mais aventureiros. O Parque Furna dos Ossos é sem dúvida uma viagem no tempo. Quem não conhece precisa tirar um tempinho para ver de perto tudo que foi narrado. "Desde que a comunidade passou a reconhecer a Serra da Catarina como seu ponto de atração turística por meio das particularidades de seu parque ecológico, como a Furna dos Ossos, muita coisa mudou no pensamento comunitário", diz Elizeu Joca.
PRESERVAÇÃO
Luta para local virar patrimônio histórico
Diante de tanta beleza, os estudiosos querem que tudo seja mantido. Por isso lutam pela preservação do local
Tejuçuoca Para o estudioso e "sabe tudo" do local, Elizeu Joca, a luta é para torna o lugar Patrimônio Histórico Natural e Cultural da Humanidade e templo de orações. Além disso, tem um projeto para construir o mirante do labirinto situado no topo do serrote, que permitirá a visão mais panorâmica do local, hoje exemplo de preservação.
Além de se contemplar a natureza no Platô das Acauãs, lá também é possível utilizar o serviço de telefonia celular. Do local, pode-se manter contato com amigos em Canindé, Fortaleza e Santa Quitéria. É belo, também, observar a cidade de Tejuçuoca do alto, e poder sentir o quanto compensa enfrentar sol e calor até o ponto mais alto da Furna dos Ossos.
O prefeito da cidade, Edilardo Eufrásio, disse que vai aprofundar os entendimentos com os assentados de Macacos e pedir apoio do Governo do Estado para tornar a região Patrimônio Histórico Natural e Cultural da Humanidade. "Vamos buscar mecanismos para tornarmos essa riqueza natural em patrimônio da humanidade, porque entendemos ser uma maneira de mantermos preservada toda essa beleza que a natureza nos deu de presente", concluiu.
Encantado
Este é o sentimento de amante da natureza. Para Rodrigo Castro, da Associação Caatinga, entrar na Furna dos Ossos em Tejuçuoca remete à ancestralidade. "A formação de pedras, a mata, a paisagem nos aproxima ao modo de vida dos nossos ancestrais. Pisamos o mesmo chão onde viveram nossos parentes há 10 milhões de anos. A oportunidade de conectar com nosso passado remoto é uma forma concreta de reconectar com o real sentido da natureza. Como reencontrar a nossa relação primordial com a natureza sem passar pela nossa ancestralidade?", pergunta Rodrigo Castro.
De acordo com ele, "quando adentramos um ambiente natural onde não percebemos rastros humanos, a calma, a harmonia, o equilíbrio nos transmitem a um profundo sentimento de paz. Porque será isso?".
Para ele, talvez tenha a ver com aquele sentimento de conexão ancestral adormecido, despertado novamente. "Essa foi a maior experiência já vivida durante todo esse tempo que busco, através da natureza, explicações para tudo isso que vivenciamos em apenas um dia. A visita nos proporcionou um grande aprendizado. Resta-nos agora tratarmos a Mãe Natureza com o respeito e a dignidade que ela merece", ressalta Castro.
Para chegar à Furna dos Ossos, o acesso é todo por asfalto bem sinalizado. Deve-se seguir pela BR-222 até a cidade de Croatá, entrar à esquerda na CE-341 sentido do município de Pentecoste. Após a cidade de Apuiarés, estão as placas indicando Tejuçuoca, pela CE-253.
Em Tejuçuoca, a trilha começa no Parque de Exposição Joazão, numa distância de 10 quilômetros até o Assentamento Macacos. A partir daí, basta colocar água na mochila, uma câmera fotográfica para registrar os encantos, disposição e boa sorte na aventura para conhecer uma das maiores reservas naturais do Brasil. Quanto ao cansaço, tudo é compensado pelas belas imagens proporcionadas pela natureza.
Aprendizagem
"Parece que a natureza escolheu o calcário e Tejuçuoca para realizar belas esculturas"
Elizeu Joca
Estudioso do local
"As pedras, a mata, a paisagem nos aproxima dos nossos ancestrais"
Rodrigo Castro
Associação Caatinga
MAIS INFORMAÇÕES
Prefeitura de Tejuçuoca
Rua Mamede Rodrigues Teixeira, 489, Centro
(85) 3323.1146
regional@diariodonordeste.com.br
Tejuçuoca Localizada no semiárido do sertão do Ceará, numa área de 1.200 hectares que compreende a Serra da Catarina e a Serra do Macaco, uma área de assentados, no município de Tejuçuoça (a 155 quilômetros de Fortaleza) no Vale do Curu, o Parque Furna dos Ossos ganhou agora um novo atrativo natural que será mostrado pela primeira vez. O local dispõe de grutas impregnadas de história e misticismo, animais silvestres, formações rochosas que atiçam a imaginação e o bioma Caatinga preservado.
O que antes era privilégio de Quixadá, que ficou conhecido por abrigar a Pedra da Galinha Choca, agora é orgulho também de Tejuçuoca. O mais interessante é que a pedra que se assemelha a uma galinha "conversa" com a pedra que lembra o bode, figura respeitada na região, onde é considerado rei. A imagem pode ser vista logo na entrada do parque que poderá se tornar patrimônio natural e cultural da humanidade, um reconhecimento da Unesco.
Para isso, Elizeu Joca, uma espécie de "sabe tudo" sobre o lugar, com o apoio do amigo Rodrigo Castro, trabalham um projeto para mostrar a importância da Furna dos Ossos para a humanidade.
Na visita que foi feita ao local, acompanhada com exclusividade, os estudiosos fizeram uma viagem no tempo e a cada parada eram feitas anotações, coletas e fotografias, para elaborar o documento dará início ao processo de tornar a Furna dos Ossos um espaço de Proteção Ambiental Natural e Cultural.
Rica beleza
Rica em fauna e flora, a história remonta momentos memoráveis sobre a localidade. Dizem que, no começo do século, existia pelo área de Irauçuba um coronel chamado Pedro Barroso Valente. Quando o homem queria dar fim num jagunço ou inimigo a pedido de amigos, enviava essa pessoa para a Serra da Catarina, com um bilhete no bolso ordenando sua morte. Como os jagunços não sabiam ler, pensavam que se tratava de uma carta de recomendação para trabalhar. Após o assassinato, o corpo era enterrado entre as grutas, daí surgiu o nome de Furna dos Ossos.
Lenda ou não, o certo é que a Serra da Catarina, a 10 quilômetros da sede de Tejuçuoca, virou atração para estudiosos, arqueólogos, universitários, turistas, historiadores e também local de romarias. Os primeiros a pisarem na região foram os índios Tupinambás e, por último, os cangaceiros que tinham no lugar um refúgio contra a perseguição polícia.
"Parece que a natureza escolheu o calcário e a região de Tejuçuoca para realizar belas esculturas. Lá, as rochas adquirem formas de bode, galinha, touro, pegadas de onça e até mesmo um perfeito rosto de um índio com mais de 20 metros de altura", observa Elizeu Joca.
Fascinante
Tejuçuoca abriga um dos mais fascinantes conjuntos geológicos do País. O nome vem da combinação de Tejuçu, um réptil típico da região, e de Oca, determinação indígena para casa, sendo Casa do Tejuçu.
A região é conhecida como Furna dos Ossos, pois dezenas de ossadas humanas eram depositadas ali desde o começo do século 20. São os restos mortais de criminosos, cangaceiros e desafetos políticos que foram executados e deixados insepultos nas cavernas. Aos poucos, a população local começou a dar um destino cristão aos ossos e, na medida em que eram enterrados, erguiam-se pequenos altares que hoje são motivo de peregrinação religiosa, onde está situado o Santuário de Nossa Senhora das Graças. O lugar torna-se ideal para o descanso físico e espiritual. No altar rústico repousa a imagem de Nossa Senhora Aparecida, também venerada pelos visitantes. A paisagem cativa o ecoturista e convida para desbravá-la. Grutas como a do Veado Campeiro, do Sino, da Mesa, dos Ossos, do Jardim, do Macaco, do Amor, do Chico Lopes, o Mirante Arco de Deus, o Túnel do Amor e o Platô das Acauãs formam esse conjunto de obras criadas pela natureza. Estalactites e estalagmites seculares lembram animais e objetos petrificados. O clima quente lá de fora cede lugar ao friozinho das pedras.
O sol penetra por pequenas fendas e ilumina o ambiente. Raízes cobrem as pedras nas furnas, permitindo escaladas pelos mais aventureiros. O Parque Furna dos Ossos é sem dúvida uma viagem no tempo. Quem não conhece precisa tirar um tempinho para ver de perto tudo que foi narrado. "Desde que a comunidade passou a reconhecer a Serra da Catarina como seu ponto de atração turística por meio das particularidades de seu parque ecológico, como a Furna dos Ossos, muita coisa mudou no pensamento comunitário", diz Elizeu Joca.
PRESERVAÇÃO
Luta para local virar patrimônio histórico
Diante de tanta beleza, os estudiosos querem que tudo seja mantido. Por isso lutam pela preservação do local
Tejuçuoca Para o estudioso e "sabe tudo" do local, Elizeu Joca, a luta é para torna o lugar Patrimônio Histórico Natural e Cultural da Humanidade e templo de orações. Além disso, tem um projeto para construir o mirante do labirinto situado no topo do serrote, que permitirá a visão mais panorâmica do local, hoje exemplo de preservação.
Além de se contemplar a natureza no Platô das Acauãs, lá também é possível utilizar o serviço de telefonia celular. Do local, pode-se manter contato com amigos em Canindé, Fortaleza e Santa Quitéria. É belo, também, observar a cidade de Tejuçuoca do alto, e poder sentir o quanto compensa enfrentar sol e calor até o ponto mais alto da Furna dos Ossos.
O prefeito da cidade, Edilardo Eufrásio, disse que vai aprofundar os entendimentos com os assentados de Macacos e pedir apoio do Governo do Estado para tornar a região Patrimônio Histórico Natural e Cultural da Humanidade. "Vamos buscar mecanismos para tornarmos essa riqueza natural em patrimônio da humanidade, porque entendemos ser uma maneira de mantermos preservada toda essa beleza que a natureza nos deu de presente", concluiu.
Encantado
Este é o sentimento de amante da natureza. Para Rodrigo Castro, da Associação Caatinga, entrar na Furna dos Ossos em Tejuçuoca remete à ancestralidade. "A formação de pedras, a mata, a paisagem nos aproxima ao modo de vida dos nossos ancestrais. Pisamos o mesmo chão onde viveram nossos parentes há 10 milhões de anos. A oportunidade de conectar com nosso passado remoto é uma forma concreta de reconectar com o real sentido da natureza. Como reencontrar a nossa relação primordial com a natureza sem passar pela nossa ancestralidade?", pergunta Rodrigo Castro.
De acordo com ele, "quando adentramos um ambiente natural onde não percebemos rastros humanos, a calma, a harmonia, o equilíbrio nos transmitem a um profundo sentimento de paz. Porque será isso?".
Para ele, talvez tenha a ver com aquele sentimento de conexão ancestral adormecido, despertado novamente. "Essa foi a maior experiência já vivida durante todo esse tempo que busco, através da natureza, explicações para tudo isso que vivenciamos em apenas um dia. A visita nos proporcionou um grande aprendizado. Resta-nos agora tratarmos a Mãe Natureza com o respeito e a dignidade que ela merece", ressalta Castro.
Para chegar à Furna dos Ossos, o acesso é todo por asfalto bem sinalizado. Deve-se seguir pela BR-222 até a cidade de Croatá, entrar à esquerda na CE-341 sentido do município de Pentecoste. Após a cidade de Apuiarés, estão as placas indicando Tejuçuoca, pela CE-253.
Em Tejuçuoca, a trilha começa no Parque de Exposição Joazão, numa distância de 10 quilômetros até o Assentamento Macacos. A partir daí, basta colocar água na mochila, uma câmera fotográfica para registrar os encantos, disposição e boa sorte na aventura para conhecer uma das maiores reservas naturais do Brasil. Quanto ao cansaço, tudo é compensado pelas belas imagens proporcionadas pela natureza.
Aprendizagem
"Parece que a natureza escolheu o calcário e Tejuçuoca para realizar belas esculturas"
Elizeu Joca
Estudioso do local
"As pedras, a mata, a paisagem nos aproxima dos nossos ancestrais"
Rodrigo Castro
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