Falta de saneamento básico afeta comunidade juazeirense

Afora os problemas de saúde, motoristas que trafegam por ruas esburacadas têm grande prejuízo

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Redação producaodiario@svm.com.br

Juazeiro do Norte. A falta de saneamento básico e de sistemas de drenagem na maioria dos bairros desta Cidade continua ocasionando transtornos à população de Juazeiro do Norte. Com as chuvas que começam a cair no Município, os problemas se agravam e os riscos de doenças e de acidentes aumentam.

Em algumas regiões, por conta da ausência dos serviços de infraestrutura, há formação de verdadeiras lagoas de dejetos. A sujeira, que também provoca odor fétido, incomoda as pessoas que residem ou trabalham nas imediações destes locais. Além disso, há grande quantidade de buracos pelas ruas e avenidas da Cidade, o que acaba ocasionando quebra de veículos e acidentes envolvendo motocicletas, principalmente.

Em bairros como Lagoa Seca, Triângulo e São José, os problemas se apresentam em maior quantidade. No entanto, em áreas recém-construídas, a falta de sistemas de tratamento de esgoto também tem gerado inúmeros problemas.

Na região do bairro Betolândia, por exemplo, onde está localizado um conjunto habitacional do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), inaugurado em junho do ano passado, a situação ocasionada pela falta de saneamento começa a incomodar moradores e proprietários de terrenos próximos.

Prejuízo

A insatisfação é ocasionada pelo surgimento de um lago formado por dejetos produzidos pelas residências e estabelecimentos comerciais presentes na área. As águas, que deveriam ser transportadas por meio de uma rede de esgoto ou, então, ser direcionadas a sistemas de fossas sumidouro, acabam invadindo terrenos vizinhos e ocasionando prejuízos financeiros aos proprietários dessas áreas.

Moradores dos locais atingidos pela falta de saneamento básico e de sistemas de drenagens estão indignados com a situação. "É revoltante demais. Basta cair uma chuva em Juazeiro para que a população acabe prejudicada. De manhã, pra sair pra trabalhar, eu tenho que molhar os sapatos e a bainha da calça nessa água imunda por causa da falta de responsabilidade da Prefeitura. Não pode chover em Juazeiro que a Cidade inteira se desfaz como se fosse um sonrisal. E imoral demais essa situação", esbravejou um morador do conjunto MCMV, que pediu para não ser identificado por medo de perder a casa onde mora com a família. "A gente fala por causa da revolta. Mas esse povo aí tudo é poderoso demais. Tenho medo de perder minha casinha".

Outra moradora, que também pediu para não ter o nome divulgado, afirmou que funcionários da Prefeitura já estiveram no local por, pelo menos, duas ocasiões. Nenhuma solução para o problema, no entanto, foi adotada até o momento. "Eles vêm até aqui, olham e depois entram no carro e vão embora. Aqui a situação do povo é entregue nas mãos de Deus. Se padre Cícero não olhar por nós do Juazeiro, não tem governo que olhe", disse a moradora.

Preocupação

O empresário João Almeida, que pratica ciclismo por diversas áreas da cidade, disse estar impressionado com o número de localidades que apresentam problemas relacionados à falta de saneamento em Juazeiro do Norte. Segundo ele, que durante o feriado de Carnaval realizou passeio ciclístico por ruas do bairro Betolândia, a situação na localidade é preocupante.

"Eu não conhecia o conjunto habitacional. Como a obra foi amplamente divulgada, a minha expectativa era que o local possuísse total infraestrutura. Fiquei muito surpreso ao chegar à Betolândia e me deparar, junto com minha esposa, com a situação que encontramos. Esgoto correndo a céu aberto, ruas completamente sujas por conta da falta de saneamento e terrenos vizinhos sendo invadidos por um rio de sujeira e dejetos humanos", comentou.

Região Metropolitana

No ano passado, a problemática em torno da falta de saneamento básico na maioria dos bairros periféricos da cidade de Juazeiro do Norte e dos demais municípios que formam a Região Metropolitana do Cariri chamou a atenção dos integrantes da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce), que debateu o tema com amplitude durante reunião do colegiado com representantes da Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), na sede do órgão, localizada em Fortaleza.

As discussões mantidas à época tiveram como balizamento a Carta Cariri, documento produzido em 2013, durante encontro envolvendo representantes da Arce, da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), do Ministério Público do Ceará (MPCE) e do Instituto Trata Brasil, além de representantes dos nove municípios da Região Metropolitana do Cariri, da qual fazem parte Barbalha, Crato, Juazeiro do Norte, Caririaçu, Farias Brito, Jardim, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri.

No documento, constam informações sobre as condições de saneamento básico nos citados municípios e, ainda, são realizados apontamentos em torno da necessidade da construção de mecanismos que resultem em maior participação da população na busca de soluções para o problema.

Quase dois anos após a publicação da Carta Cariri, no entanto, os problemas relacionados à falta de saneamento básico na maioria dos bairros de Juazeiro do Norte, bem como nas demais cidades pactuadas, continuam acontecendo.

Prefeitura

A reportagem tentou ouvir o secretário de Infraestrutura do município, Rogeris Andrade, sobre os problemas relacionados à falta de saneamento em diversos bairros de Juazeiro do Norte.

O aparelho celular do secretário, no entanto, estava desligado ou fora da área de cobertura. Já as ligações realizadas para o telefone fixo da Secretaria de Infraestrutura do município não foram atendidas até o fechamento desta edição.

Procurada pela reportagem, a Cagece informou, em nota, que no município de Juazeiro do Norte existem 20.176 ligações de esgoto. Em relação à obra de ampliação de rede de esgoto para o Centro Multifuncional em Juazeiro, a Companhia informa que a obra foi concluída no fim do ano passado e teve seu valor de investimento final em R$ 458.184,31.

Roberto Crispim
Colaborador