Escultor se destaca no Brasil e no exterior
O artista Beto trabalha, há 20 anos, fazendo escultura em madeira no Centro Mestre Noza, em Juazeiro
Juazeiro do Norte. O trabalho dos artesões da região do Cariri são destaque em vários locais do Brasil e em países da Europa. O valor da obra está na busca de constante aperfeiçoamento do trabalho do artista. Essa forma de atuação é perseguida pelos que fazem da arte a sua sobrevivência, a exemplo do artista Alberto Soares da Silva, conhecido como Beto, há 20 anos desenvolvendo suas atividades no Centro de Cultura Popular Mestre Noza.
Ele aprendeu o ofício com o irmão, Cícero Izidro, já falecido, e hoje tem como especialidades no talhado da umburana de cambão, madeira utilizada para esculpir as esculturas, imagens de santos como São Francisco e São Longuinho. Nos últimos dias, tem trabalhado de forma contínua para dar conta de 200 imagens de 30 centímetros dos dois santos, comercializados em São Paulo. Cerca de 100 já foram entregues e rapidamente chegam os novos pedidos.
É um trabalho de paciência e também dedicação. Um observador que conheceu o ofício a partir do momento que teve acesso ao Centro de Cultura. Todas as dicas repassadas pelo irmão foram muito bem acolhidas, mas a escola está no dia-a-dia. “Todos os dias a gente aprende, porque os detalhes mostram a qualidade do nosso trabalho e é isso que traz a admiração das pessoas e o valor das imagens”, explica ele.
Um dos pontos mais delicados e considerados difíceis pelo artista é confeccionar o rosto das estátuas.
“Ninguém quer um santo com cara de abusado. Não dá nem para imaginar”, diz ele, ao acrescentar que são formas que são dadas por uma técnica que o artista acaba dominando. O seu irmão se especializou em estátuas do Padre Cícero. Para Beto, era um trabalho admirável que ainda hoje encontra com a marca do seu mano.
A satisfação em poder produzir as peças é pela durabilidade que traz. O zelo com a madeira faz com que a obra atravesse décadas. “Fico muito feliz quando viajo para exposições ou aqui mesmo e encontro peças minhas. Essa é a grande satisfação que o artista tem com o seu trabalho”, diz ele.
O mercado na cidade de Juazeiro do Norte e região não daria para suprir as necessidades de sobrevivência. Beto sempre produziu seu trabalho ligado ao Centro de Cultura, que faz a intermediação para venda do seu trabalho. O dinheiro é repassado para o artista. É por meio da instituição que há também uma divulgação significativa dos trabalhos dos artistas da região.
Segundo Beto, são 120 escultores em madeira. Mas há uma grande preocupação do artista em relação a sua matéria-prima, que é a umburana de cambão. “Está se acabando e há a questão ambiental no sentido dos órgãos coibirem o desmatamento, mas a gente aproveita mesmo a madeira morta e damos vida, com essa arte que fazemos”, salienta.
No primeiro momento em que decidiu se dedicar ao trabalho, começou lixando as peças produzidas pelo irmão. Cada traço era muito bem observado. E mais uma vez ele enfatiza o rosto. “Esse é o primeiro detalhe observado pelo cliente”, ressalta o escultor.
As exposições com as obras de artistas do Cariri, principalmente dos que estão ligados ao Centro, são levadas para várias partes do País. Recentemente alguns deles foram expostos na Ceart. Também já estiveram em Fortaleza, na I Feira de Artesanato do Cariri — realizads durante esta semana em Juazeiro — e também no sul do País.
Beto considera a aceitação boa no mercado do produto caririense. No caso dos consumidores da própria região, o escultor não fala de reconhecimento do valor do trabalho, mas das próprias condições das pessoas de muitas vezes adquirirem imagens com arte. O preço se torna acima das condições da grande maioria das pessoas. Uma escultura de 30 centímetros, por exemplo, sai em torno de R$ 50,00.
Mais informações:
Centro de Cultura Popular Mestre Noza
Antigo quartel
Rua São Luiz, s/n, Centro
(88) 3511.3133
Elizângela Santos
Repórter