Escola de floricultura amplia capacitação para jovens

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Redação producaodiario@svm.com.br

A TecFlores auxilia na formação de pessoas da região, incentivando o empreendedorismo e evitando o êxodo

São Benedito. Conhecida como Cidade das Flores, o município possui hoje o posto de um dos maiores produtores de rosas do País. Com floriculturas de médio e grande porte, como a Reijers, a Flora Fogaça e a Cearosas, a necessidade de testes com flores temperadas na região surgiu e resultou na abertura da primeira Escola Floricultura do Ceará, a TecFlores, entre os anos de 2003 e 2004.

Sob a coordenação do Instituto Agropolos desde 2008, a escola começou a desenvolver ações permanentes de capacitação em 2009. Com uma área de 5,4 hectares, o equivalente a cinco campos de futebol, a estrutura possui capacidade de apoio para pequenos produtores por meio de realização de cursos, palestras, pesquisas e estágio supervisionado dentro da própria escola e em floriculturas locais.

A engenheira agrônoma e coordenadora da TecFlores, Patrícia Moreira Alves de Oliveira, conta que o projeto das flores no Ceará teve início em 1999. "O foco do Governo do Estado era o Agronegócio, e ai foi criado o projeto flores, quando o Secretário de Agricultura contratou alguns especialistas internacionais para procurar uma área que tivesse potencial para o setor".

Nesse estudo, a primeira área apontada foi o Maciço de Baturité, a aproximadamente 100km da Capital. "Lá havia uma boa altitude e clima ameno, porém o terreno não era plano. Para a plantação em estufas, há necessidade desse tipo de terreno". Depois veio a Chapada da Ibiapaba que tem altitude, terrenos planos, porém, é um pouco mais distante, aproximadamente 350km de Fortaleza. Com o incentivo do Governo investidores foram atraídos para a região.

O primeiro a chegar foi o empresário gaúcho Paulo Selbach, com a Cearosas, sendo seguido no ano seguinte pelo empresário Roberto Reijers, um dos donos da empresa familiar que trabalha na produção de rosas. "Com a chegada desses grandes produtores percebemos a necessidade de treinamento dos trabalhadores. Teve que haver também uma quebra de paradigmas. Foi um trabalho muito grande para mudar aquela imagem de que só quem podia trabalhar com flores eram mulheres". No entanto, explica Patrícia, ainda não existia, porém, um estudo sobre quais as variedades de flores seriam melhor desenvolvidas na região.

"Foi assim que começou a TecFlores. Apenas em 2005 ou 2006 foi criada a parte da escola de agricultura, com o objetivo de capacitar jovens da região, evitar o êxodo rural e iniciar um espírito empreendedor", explica Patrícia Alves.

Cadeia produtiva

O Curso Básico de Floricultura dura quatro meses em mais de 200 horas aulas, onde aproximadamente 25 alunos veem toda parte de manejo e produção, além de uma visão geral de como é essa cadeia produtiva dentro do Brasil e do mundo. "Esse tipo de negócio ainda tem muito o que crescer aqui no Brasil em relação ao Mundo".

Também são trabalhadas disciplinas como Educação Ambiental, Empreendedorismo e Associativismo, além da parte que trata de colheita, pós colheita e preparação. "Eles têm que ter em mente que o trabalho não termina depois de colhida a flor. Há ainda a parte de hidratação, armazenagem, conservação em câmara fria", enumera.

Outro ponto bastante salientado por Patrícia Alves, que também é quem ministra a maioria das aulas, é a instrução dos jovens no sentido de empreendedorismo. "Queremos que eles tenham uma visão mais ampla, de emancipação. Trabalho sempre em cima de mostrar para eles todas as possibilidades que há dentro desse ramo".

O curso é procurado por pessoas de locais mais distantes da Serra, como Mucambo e Tejuçuoca, o que levou a inclusão de disciplinas que envolvessem cactáceos e suculentas. "Como essas regiões são mais quentes e não propícias para a produção de rosas, trabalhamos também com outros tipos de plantas ornamentais", destacou a coordenadora do TecFlores

Patrícia Alves conta que a chegada dessas empresas mudou a realidade de boa parte da população. A estimativa é de que hoje esse setor gere aproximadamente 400 empregos diretos só em São Benedito. Ela também fala da mudança que sente nos jovens após participarem dos cursos. "Muitos dos que vêm para o Curso Básico de Floricultura às vezes chegam sem uma expectativa de vida e encontram aqui um meio de sustento sem ter que sair da sua cidade. Trabalhamos com meninos de 16 até 25 anos e fico feliz em afirmar que estamos ajudando no desenvolvimento deles", disse.

O certificado da TecFlores passou a ser exigência para trabalhar em floriculturas como a Reijers. As empresas possuem capacidade de absorver toda a mão de obra qualificada, mas Patrícia aponta que já existem alunos que passaram a trabalhar em alguns projetos próprios. "Algumas alunos passaram a produzir vasinhos de cactáceas e estão comercializando. Outros estão investindo na parte de paisagismo e jardinagem".

A coordenadora aponta que ainda há uma grande dificuldade para pequenos produtores na região, como a aquisição de insumos como sementes e mudas, para a exploração de plantas anuais. "Para essas aquisições os pedidos tem que ser feitos no Sul do País para grandes empresas, e muitas delas não estão interessadas em vender em quantidades menores para pequenos produtores", explica. Para ela, uma saída seria a criação de uma associação que daria um maior volume de compra, maior possibilidade de barganha e um selo de qualidade ao produto. "Até para a escoar o produto ajudaria".

Ampliação

A engenheira ressalta que está em estudo a criação de três novas TecFlores, uma na região Metropolitana, uma no Maciço de Baturité e outra no Cariri. " Isso acontece porque há demanda e perspectiva de crescimento da floricultura é imensa".

Mais informações

TecFlores - Unidade Ibiapaba
Sítio Lagoa, S/N - São Benedito
Email:ibiapaba@instituto
agropolos.org.br
Fone: (88) 9428.2714

JÉSSYCA RODRIGUES
COLABORADORA