Educação promove pacifismo
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90 escolas de Maracanaú incluiram, na metodologia, o aprendizado sobre a vida dos pacifistas
Maracanaú. Os números que indicavam as salas das escolas municipais de Maracanaú deram lugar às palavras. Elas se referem às qualidades do valor humano e são um meio para a construção da cultura de paz entre os alunos. A metodologia usada por essas escolas também passou a incluir novos atores: se antes os alunos ficavam restritos ao aprendizado de fatos e personalidades que fizeram história por meio das guerras, hoje, o conteúdo das disciplinas contempla os trabalhos desenvolvidos pelos pacifistas.
Em cada sala, professores e alunos colocam em prática as qualidades dos valores humanos e estudam a história de Jesus Cristo, Madre Tereza, Gandhi, Martin Luther King e Chico Xavier, além de outros pacifistas que também desenvolveram ações por um mundo melhor.
Além da biografia de cada um deles, os alunos estudam temas relacionados ao respeito, paz, amor, solidariedade, fé, justiça, ética e humildade. Essas mensagens ficaram estampadas nas salas de aula e são trabalhadas no decorrer do ano letivo. Semanalmente, os alunos desenvolvem atividades sobre os diversos temas.
"Trabalhamos o respeito nessa semana e os alunos podem fazer os trabalhos por meio da pintura, do teatro, de vídeos. Eles ficam livres para desenvolver suas habilidades", conta a diretora da Escola EMEF Rui Barbosa, no Bairro Piratininga, Maria de Fátima do Vale.
De acordo com ela, o professor não interfere no trabalho dos alunos, apenas ajuda para manter a originalidade do trabalho e deixar que cada aluno exponha seu ponto de vista sobre o tema estudado. "Não podemos mais fazer escola como antes, em que os alunos eram punidos, suspensos ou expulsos. Agora, temos que ficar mais perto deles e chamar para conversar. Muitas vezes, a escola passa a ser um local onde os alunos ´descarregam´ seus problemas familiares", esclarece.
A ideia surgiu em 2007, por meio do Programa Cultura de Paz nas Escolas e já garantiu excelentes resultados na relação professor-aluno e, também, na conscientização dos estudantes para a inclusão de valores humanos na família. "Temos histórico de alunos que eram muito violentos e, quando começamos a mudar o conceito de fazer escola, percebemos que houve uma melhora nesses estudantes. Aprendemos que isso é a forma como fazemos a escola", conta Maria de Fátima.
Atualmente, cada escola desenvolve seu programa de Cultura de Paz, buscando novas formas de melhorar o rendimento dos alunos e, também, uma relação harmoniosa entre funcionários e estudantes. Para o secretário de Educação de Maracanaú, José Marcelo Farias Lima, o programa desenvolvido nas escolas é apenas um meio para que os alunos possam difundir a cultura de paz também entre os familiares. É uma metodologia baseado nos ensinamentos pacifistas que, certamente, influenciam na conduta dos alunos e sua formação humanística.
"Os estudantes ficam preparados para uma cultura de paz e eles também interferem na relação familiar. Se cada casa tem um aluno matriculado no Município, é sinal de que estamos atingindo a população como um todo, a partir dos ícones pacifistas adotados pelas escolas".
Histórico
O Programa Cultura de Paz, desenvolvido nas 90 escolas de Maracanaú, começou em 2007 com cerca de 1.700 educadores. O objetivo é levar ações e mensagens pacifistas para os 44 mil alunos matriculados na rede municipal, como também aos familiares e amigos.
MAIS INFORMAÇÕES
secretaria de Educação de Maracanaú
Rua Capitão Valdemar de Lima, 202 (85) 3521.5676
CONSCIENTIZAÇÃO
Por um mundo mais humano
Maracanaú. Por mais que seja considerado como um trabalho difícil, os professores das escolas municipais de Maracanaú reconhecem que promover a paz é um dos caminhos fundamentais para melhorar a condição enquanto seres humanos. "É difícil, mas não impossível de ser colocado em prática", diz a professora Socorro Barbosa, da EMEF Rui Barbosa.
De acordo com ela, as atividades desenvolvidas pelos alunos são fundamentais para que cada um possa contribuir por um mundo melhor, seja por meio de atitudes na escola, na família e o respeito por si mesmo. Para a professora Criseilane Menezes, conhecida por Cris, a paz torna-se possível quando cada aluno passa a respeitar sua vida, independente de religião.
"Ensinamos que paz é também respeitar o meio ambiente, o livro, os amigos e a si mesmo", destaca a professora. Mas o segredo, segundo Criseilane, para que haja uma cultura de paz, é reconhecer e aprender que cada um tem os limites que devem ser respeitados.
Enquete
Mudança de atitude
Luiz Carlos Moreno da Silva Júnior
10 anos
6º ano A
Acho bom aprender sobre a paz porque as pessoas geralmente só falam em paz da boca para fora. É preciso atitude
Patrícia Gomes de Melo
12 anos
6º ano B
É preciso começar com práticas de paz na escola e na família também. É uma forma de mudar o mundo
Ismael Lima da Silva
14 anos
7º ano B
O mundo está precisando de paz. Existe muita violência e as pessoas precisam melhorar as relações sociais
JOVENS ESCRITORES
Aulas servem de base para publicação
Maracanaú. As mensagens sobre paz, otimismo, sabedoria e fé, de autoria dos alunos da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Comissário Francisco Barbosa, se transformaram em livro. Intitulado "Luzes do Mundo", a edição foi resultado das aulas de meditação em que participaram com a orientação da professora Francisca de Jesus Gomes.
"Depois das meditações, a gente escrevia várias mensagens, mas nem sabíamos que ia render um livro. Foi uma surpresa pra gente", diz a aluna do 7º ano, Larissa de Sousa, responsável pelo título do livro. "Não sei nem como foi que surgiu. Simplesmente a mensagem veio e eu falei. A professora aproveitou e foi o título do livro", conta.
Na época, os 60 alunos envolvidos no processo do livro cursavam o 5º ano e ocupavam a sala identificada pelo pacifista indiano Sathya Sai Baba, único pacifista adotado pela escola que ainda está vivo.
Com a metodologia, a professora trabalhava os ensinamentos pacifistas e deixava "os alunos livres" para pensar na vida e em sentimentos de valorização do caráter humano. "É um conhecimento a mais que a gente recebe. Com a disciplina de Educação de Valores Humanos (EVH), a gente passa a aprender mais sobre como construir a paz", comenta a estudante Vitória de Oliveira.
Para a diretora da EMEIEF Comissário Barbosa, Salomé dos Santos, a proposta é elaborar uma metodologia em que os alunos possam aprender por meio de atitudes e pensamentos. "Essa é uma atitude transformadora. Todos os alunos ficam envolvidos no processo e os pais também têm uma importante contribuição".
PONTO DE VISTA - VITÓRIA SIQUEIRA
A tarefa dos pais
Hoje, a sociedade está presa não só pelas grades de uma janela, mas pelo medo de viver, de respeitar. Embora os pais trabalhem muito para dar uma vida digna aos filhos, esquecem que ensinar uma boa conduta a uma criança ou adolescente é extremamente importante para o amadurecimento de ambos. As escolas públicas estão com o trabalho dobrado. Hoje, a educação não é apenas conhecimento geral e, sim, respeito ao ser humano. Os projetos escolares discutem a vida no cotidiano, como deve ser feito para que os estudantes tenham uma boa conduta. E eu afirmo que isso é importante, pois a integração dos alunos é notável. As diversas opiniões e os debates sobre respeito, amor e paz, entre outros conceitos, não se formam apenas por palavras banais, mas por atos de solidariedade para que no futuro os jovens não se tornem robôs, máquinas que apenas cumprem horários e que se alimentam de rotina. Nós, somos seres humanos, devemos viver o ser e não o ter, sentir a paz interior, apaixonar-se, amar. Se um ser humano é capaz de viver, de sentir a paz, de amar, consequentemente aniquilaremos a violência e a ganância. É possível mudar. Todos nós somos capazes.
* Aluna no 9º ano da EMEF Rui Barbosa, em Maracanaú
Maurício Vieira
Repórter
Maracanaú. Os números que indicavam as salas das escolas municipais de Maracanaú deram lugar às palavras. Elas se referem às qualidades do valor humano e são um meio para a construção da cultura de paz entre os alunos. A metodologia usada por essas escolas também passou a incluir novos atores: se antes os alunos ficavam restritos ao aprendizado de fatos e personalidades que fizeram história por meio das guerras, hoje, o conteúdo das disciplinas contempla os trabalhos desenvolvidos pelos pacifistas.
Em cada sala, professores e alunos colocam em prática as qualidades dos valores humanos e estudam a história de Jesus Cristo, Madre Tereza, Gandhi, Martin Luther King e Chico Xavier, além de outros pacifistas que também desenvolveram ações por um mundo melhor.
Além da biografia de cada um deles, os alunos estudam temas relacionados ao respeito, paz, amor, solidariedade, fé, justiça, ética e humildade. Essas mensagens ficaram estampadas nas salas de aula e são trabalhadas no decorrer do ano letivo. Semanalmente, os alunos desenvolvem atividades sobre os diversos temas.
"Trabalhamos o respeito nessa semana e os alunos podem fazer os trabalhos por meio da pintura, do teatro, de vídeos. Eles ficam livres para desenvolver suas habilidades", conta a diretora da Escola EMEF Rui Barbosa, no Bairro Piratininga, Maria de Fátima do Vale.
De acordo com ela, o professor não interfere no trabalho dos alunos, apenas ajuda para manter a originalidade do trabalho e deixar que cada aluno exponha seu ponto de vista sobre o tema estudado. "Não podemos mais fazer escola como antes, em que os alunos eram punidos, suspensos ou expulsos. Agora, temos que ficar mais perto deles e chamar para conversar. Muitas vezes, a escola passa a ser um local onde os alunos ´descarregam´ seus problemas familiares", esclarece.
A ideia surgiu em 2007, por meio do Programa Cultura de Paz nas Escolas e já garantiu excelentes resultados na relação professor-aluno e, também, na conscientização dos estudantes para a inclusão de valores humanos na família. "Temos histórico de alunos que eram muito violentos e, quando começamos a mudar o conceito de fazer escola, percebemos que houve uma melhora nesses estudantes. Aprendemos que isso é a forma como fazemos a escola", conta Maria de Fátima.
Atualmente, cada escola desenvolve seu programa de Cultura de Paz, buscando novas formas de melhorar o rendimento dos alunos e, também, uma relação harmoniosa entre funcionários e estudantes. Para o secretário de Educação de Maracanaú, José Marcelo Farias Lima, o programa desenvolvido nas escolas é apenas um meio para que os alunos possam difundir a cultura de paz também entre os familiares. É uma metodologia baseado nos ensinamentos pacifistas que, certamente, influenciam na conduta dos alunos e sua formação humanística.
"Os estudantes ficam preparados para uma cultura de paz e eles também interferem na relação familiar. Se cada casa tem um aluno matriculado no Município, é sinal de que estamos atingindo a população como um todo, a partir dos ícones pacifistas adotados pelas escolas".
Histórico
O Programa Cultura de Paz, desenvolvido nas 90 escolas de Maracanaú, começou em 2007 com cerca de 1.700 educadores. O objetivo é levar ações e mensagens pacifistas para os 44 mil alunos matriculados na rede municipal, como também aos familiares e amigos.
MAIS INFORMAÇÕES
secretaria de Educação de Maracanaú
Rua Capitão Valdemar de Lima, 202 (85) 3521.5676
CONSCIENTIZAÇÃO
Por um mundo mais humano
Maracanaú. Por mais que seja considerado como um trabalho difícil, os professores das escolas municipais de Maracanaú reconhecem que promover a paz é um dos caminhos fundamentais para melhorar a condição enquanto seres humanos. "É difícil, mas não impossível de ser colocado em prática", diz a professora Socorro Barbosa, da EMEF Rui Barbosa.
De acordo com ela, as atividades desenvolvidas pelos alunos são fundamentais para que cada um possa contribuir por um mundo melhor, seja por meio de atitudes na escola, na família e o respeito por si mesmo. Para a professora Criseilane Menezes, conhecida por Cris, a paz torna-se possível quando cada aluno passa a respeitar sua vida, independente de religião.
"Ensinamos que paz é também respeitar o meio ambiente, o livro, os amigos e a si mesmo", destaca a professora. Mas o segredo, segundo Criseilane, para que haja uma cultura de paz, é reconhecer e aprender que cada um tem os limites que devem ser respeitados.
Enquete
Mudança de atitude
Luiz Carlos Moreno da Silva Júnior
10 anos
6º ano A
Acho bom aprender sobre a paz porque as pessoas geralmente só falam em paz da boca para fora. É preciso atitude
Patrícia Gomes de Melo
12 anos
6º ano B
É preciso começar com práticas de paz na escola e na família também. É uma forma de mudar o mundo
Ismael Lima da Silva
14 anos
7º ano B
O mundo está precisando de paz. Existe muita violência e as pessoas precisam melhorar as relações sociais
JOVENS ESCRITORES
Aulas servem de base para publicação
Maracanaú. As mensagens sobre paz, otimismo, sabedoria e fé, de autoria dos alunos da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Comissário Francisco Barbosa, se transformaram em livro. Intitulado "Luzes do Mundo", a edição foi resultado das aulas de meditação em que participaram com a orientação da professora Francisca de Jesus Gomes.
"Depois das meditações, a gente escrevia várias mensagens, mas nem sabíamos que ia render um livro. Foi uma surpresa pra gente", diz a aluna do 7º ano, Larissa de Sousa, responsável pelo título do livro. "Não sei nem como foi que surgiu. Simplesmente a mensagem veio e eu falei. A professora aproveitou e foi o título do livro", conta.
Na época, os 60 alunos envolvidos no processo do livro cursavam o 5º ano e ocupavam a sala identificada pelo pacifista indiano Sathya Sai Baba, único pacifista adotado pela escola que ainda está vivo.
Com a metodologia, a professora trabalhava os ensinamentos pacifistas e deixava "os alunos livres" para pensar na vida e em sentimentos de valorização do caráter humano. "É um conhecimento a mais que a gente recebe. Com a disciplina de Educação de Valores Humanos (EVH), a gente passa a aprender mais sobre como construir a paz", comenta a estudante Vitória de Oliveira.
Para a diretora da EMEIEF Comissário Barbosa, Salomé dos Santos, a proposta é elaborar uma metodologia em que os alunos possam aprender por meio de atitudes e pensamentos. "Essa é uma atitude transformadora. Todos os alunos ficam envolvidos no processo e os pais também têm uma importante contribuição".
PONTO DE VISTA - VITÓRIA SIQUEIRA
A tarefa dos pais
Hoje, a sociedade está presa não só pelas grades de uma janela, mas pelo medo de viver, de respeitar. Embora os pais trabalhem muito para dar uma vida digna aos filhos, esquecem que ensinar uma boa conduta a uma criança ou adolescente é extremamente importante para o amadurecimento de ambos. As escolas públicas estão com o trabalho dobrado. Hoje, a educação não é apenas conhecimento geral e, sim, respeito ao ser humano. Os projetos escolares discutem a vida no cotidiano, como deve ser feito para que os estudantes tenham uma boa conduta. E eu afirmo que isso é importante, pois a integração dos alunos é notável. As diversas opiniões e os debates sobre respeito, amor e paz, entre outros conceitos, não se formam apenas por palavras banais, mas por atos de solidariedade para que no futuro os jovens não se tornem robôs, máquinas que apenas cumprem horários e que se alimentam de rotina. Nós, somos seres humanos, devemos viver o ser e não o ter, sentir a paz interior, apaixonar-se, amar. Se um ser humano é capaz de viver, de sentir a paz, de amar, consequentemente aniquilaremos a violência e a ganância. É possível mudar. Todos nós somos capazes.
* Aluna no 9º ano da EMEF Rui Barbosa, em Maracanaú
Maurício Vieira
Repórter