Crianças morrem em tanques do Perímetro Jaguaribe-Apodi

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Morte de dois irmãos gera polêmica sobre o risco de afogamentos nos tanques e reservatórios agrícolas

Limoeiro do Norte. “Morreram bestamente, foi uma tragédia”, afirmava o locutor na transmissão de rádio, referindo-se a mais mortes por afogamento nos tanques reservatórios de água para as plantações do Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi. Moradores das comunidades próximas insistem em mergulhar no “balneário proibido”. No último fim de semana morreram afogados dois irmãos, de sete e oito anos de idade. Os 15 reservatórios com até cinco metros de profundidade e mais de 40 quilômetros de canal na beira da estrada são um risco para a população e para animais que, acidentalmente, caem na água e não conseguem sair. Responsáveis pelos reservatórios dizem que falta educação nos moradores.

A Chapada do Apodi, nos municípios de Limoeiro do Norte e Quixeré, na divisa com o Rio Grande do Norte, é naturalmente seco em toda sua extensão, menos nos 15 tanques reservatórios – alguns acumulando até 50 mil metros cúbicos – e nos mais de 40 quilômetros de canal todo em concreto beirando as estradas da região.

A água é destinada para os 2.800 hectares em funcionamento do Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi – com algumas exceções, abastece as residências das comunidades.

Moradores das localidades, especialmente as crianças, usam perigosamente os canais e tanques reservatórios para banho e, ainda, diversão nos finais de semana.

Foi o caso dos garotos Elisson Sousa de Oliveira, de apenas sete anos, e seu irmão Alisson Sousa de Oliveira, de oito. Enquanto o irmão mais velho banhava-se num reservatório vizinho, o mais jovem, que beirava o reservatório, caiu dentro do tanque com mais de dois metros e profundidade. Sem saber nadar, o garoto afogou-se, o mesmo ocorrendo com Alisson, que tentou ajudá-lo e também não sabia nadar. A morte das crianças de uma família humilde de agricultores reacendeu a polêmica sobre o risco fácil de afogamentos nos tanques e reservatórios agrícolas, que oferecem pouca ou nenhuma segurança.

Os quilômetros de canais que transportam água desde a Barragem das Pedrinhas, em Limoeiro, até as áreas de produção agrícola dividem o espaço com as estradas que cortam o perímetro irrigado. Com raríssimas exceções, não existem barreiras de proteção nos canais. Um motorista desavisado, por exemplo, que avance a beira da estrada e caia na vala até pode sair sem grandes transtornos, o mesmo não se pode dizer do veículo, visto que o formato de trapézio invertido, com margens bastante declivadas, dificulta a saída do lugar, exatamente o obstáculo enfrentado pelos garotos que morreram por afogamento.

Conforme o presidente da Federação das Associações do Perímetro Irrigado Jaguaribe Apodi (Fapija), Raimundo César, responsável pela estrutura de canais, “não há muito o que fazer, pois cansamos de alertar que ali é proibido tomar banho, é só água para usar nas plantações. Tem reservatório de até cinco metros de profundidade”, comenta, acrescentando que, “não tem condições de a gente cercar mais de 40 quilômetros de canal, isso não existe em nenhum perímetro irrigado do Brasil. Realmente ficamos muito tristes com o caso da morte dos garotos, mas é preciso evitar o local”, alerta.

“Mata-burros”

Ao contrário dos canais, alguns tanques reservatórios possuem, sim, pequenos cercamentos, conhecidos como “mata-burros”, para evitar a entrada acidental de animais, estes uma das maiores vítimas dos reservatórios de água. Dois funcionários da Fapija monitoram dia e noite os canais para irrigação, mas nem sempre é possível evitar a entrada de estranhos. “Se a gente encontra alguém tomando banho leva para a polícia”, assegurou o presidente da Federação.

SAIBA MAIS

Afogamento

É a aspiração de líquido causada por submersão ou imersão. O termo aspiração refere-se a entrada de líquido nas vias aéreas (traquéia, brônquios ou pulmões), e não deve ser confundido com ´engolir água´.

Motivos

Vários são os motivos que podem levar a um afogamento. Até mesmo um bom nadador pode se deparar com imprevistos em um caso de afogamento, por exemplo: cãibra, mau jeito em membros, ou ondas mais fortes. Enchentes e inundações são situações que também podem resultar em acidentes, da mesma forma que uma pessoa que se joga ao mar sem saber nadar.

Prevenção

Ter cautela é importante. Procure não nadar com o mar agitado, não ir para áreas de maior profundidade, principalmente se não souber nadar ou se estiver sob o efeito de álcool ou drogas. Com bebês e crianças o cuidado deve ser redobrado.

Conseqüências

Os danos causados pelo afogamento são muitos, a começar pela asfixia provocada pela obstrução do aparelho respiratório. Geralmente, os sinais são: agitação, dificuldade respiratória, inconsciência, parada respiratória e parada cardíaca.

AFOGAMENTOS

Especialistas alertam para a necessidade de orientação

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dos canais que transportam água para irrigação do perímetro possuem cercas de arame farpado, mas são exceção, colocados por empresários

Limoeiro do Norte. Os afogamentos respondem pelo terceiro tipo de morte por causas externas no Brasil. No ano passado foram registrados 7.183 óbitos em todo o País. Em algumas circunstâncias a chuva e a cheia dos rios são os grandes vilões, mas especialistas alertam que muitos casos poderiam ser evitados, mas nem sempre a morte por afogamento está associado a não saber nadar. Na última quarta-feira, pai e filho tentavam atravessar, a nado, o leito do Rio Jaguaribe – trecho do município de São João do Jaguaribe, mas o filho passou mal e submergiu, sendo arrastado pela correnteza. O corpo só foi encontrado horas depois. Para tentar evitar problemas deste tipo, marinheiros da Capitania dos Portos do Ceará estão hoje em Limoeiro do Norte para avaliar as condições das canoas e barcos usados para transportar reféns das chuvas.

Conforme o Capitão Cavalcante, comandante do Grupamento do Corpo de Bombeiros de Limoeiro do Norte, cabe aos pais orientarem seus filhos sobre os riscos de entrar em “águas desconhecidas”. Outro risco a ser evitado é nadar em locais em que esteja evidente a forte correnteza.

Alguns trechos dos canais que transportam água para irrigação possuem cercas de arame farpado, mas são exceção, colocados por empresários. Conforme o presidente da Fapija, Raimundo César, não é só uma questão do custo para cercar todos os reservatórios, mas que a maior atitude caberia às comunidades de não entrarem no reservatório. Mas não é o que pensa a família das crianças mortas no último fim de semana. Ela defende que se as propriedades do perímetro irrigado fossem devidamente isoladas não haveria risco de crianças se aproximarem das águas. Na Chapada do Apodi vivem mais de 1.500 famílias de várias comunidades de Limoeiro do Norte e Quixeré.

Chuvas no Ceará

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Melquíades Júnior
Colaborador

Mais informações:
Federação das Associações do Perímetro Irrigado Jaguaribe Apodi (Fapija)
(88) 3423.1386